A Província do Grande ABC vai chegar neste ano ao pentacampeonato negativo em matéria de PIB (Produto Interno Bruto), medidor que determina o tamanho de geração de riqueza. O bicampeonato já foi constatado, o tri terá números consolidados no final deste ano, o tetra será confirmado no final do ano que vem e o penta sairá oficialmente em dezembro de 2017, quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai divulgar oficialmente os números dos municípios brasileiros. Teremos um rombo estrondoso nesta temporada.
Vou dizer mais: será o maior buraco deste milênio. Esta temporada está de lascar e impacta todos os setores econômicos da região, principalmente o carro-chefe da indústria automobilística que espalha efeitos deletérios a grande parte do tecido econômico, com fundas implicações orçamentárias das prefeituras.
Se uma adaptação deste texto fosse publicada no Diário do Grande ABC, atendendo a rígidos critérios de objetividade, os quais chamaria de fastfoodianismo adotado pela maioria do jornalismo impresso brasileiro, certamente um dos grandes ilustradores que aquele jornal tem sob contrato valorizaria a leitura com uma imagem autoexplicativa, com um toque de qualidade: um ou mais veículos despencando a ladeira. Estamos fritos e mal pagos.
Bomba-relógio lulista
Há muito tempo, desde os primeiros sinais de que a política econômica do governo federal iria fracassar, estava certo de que esta temporada será a mais tenebrosa da Província desde que Lula da Silva deixou a presidência e lançou uma bomba-relógio de artificialismos que estourou no colo da sucessora Dilma Rousseff.
Quando o setor automotivo dá sinais de que engatou marcha à ré, não tenham dúvidas de que sofremos um bocado. Calculo que, por baixo, por baixo, nosso PIB de 2015 vai cair por volta de 10% quando dezembro de 2017 chegar. Naquela data, o IBGE anunciará os estudos de PIB dos Municípios referentes a 2015.
Cair 10% numa temporada é um chute na canela em noite de geada, mas é isso que nos aguarda. O noticiário de hoje do jornal Valor Econômico dá cores definitivas ao fracasso automotivo de 2015: os 12 meses do calendário gregoriano não passarão de 10 meses de vendas do calendário automobilístico.
Os dados de outubro ainda não foram anunciados oficialmente, mas o Valor Econômico antecipou hoje que, pelo ritmo verificado até agora, outubro caminha para terminar com menos de 200 mil veículos licenciados, situação vista neste ano apenas em fevereiro, mês de resultado prejudicado pelo feriado de Carnaval.
Menos 663 mil veículos
O jornal paulistano segue na reportagem exclusiva sobre o andar da carruagem do setor automotivo em outubro ao afirmar que dados preliminares, com base em licenciamentos registrados até quarta-feira, mostram que as compras de veículos novos – entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus – recuaram 34,4% em relação a outubro do ano passado. “A baixa das vendas no acumulado de 2015, que estava em 22,7% no fim de setembro, avançou para 23,8%, ou uma diferença de 663 mil veículos ao que a indústria já tinha comercializado nessa época em 2014. Em outras palavras, o tombo é comparável à perda de dois bons meses de venda” – escreveu aquele jornal.
Possivelmente o leitor está interessado em saber de que cartola retirei os 10% de queda do PIB dos sete municípios da Província do Grande ABC neste ano. Não fiz nenhum estudo econométrico para tanto – até porque não sou especialista nesse ramo da matemática. A intuição, alimentada por números pretéritos e pelo ambiente regional, me levaram a projetar número que seja não necessariamente certeiro, mas provocativamente emblemático do quanto regredimos, depois de quatro anos seguidos de rebaixamento do PIB. Dois dos quais já confirmadas, com números consolidados, e outros dois, referentes a 2013 e 2014, a se confirmarem.
Para quem acha que estou sendo catastrófico, puxo da realidade estatística um número-base: em 2012, último ano em que o IBGE anunciou o PIB dos Municípios, porque divulga sempre com dois anos de defasagem, o PIB da Província sofreu queda de 5,78%%. Na mesma temporada, o PIB do Brasil cresceu míseros 0,9%. Simplificadamente, se perdemos 5,78% num ano em que o Brasil ainda resistiu e apontou crescimento, o que dizer agora, em 2015, quando se projeta queda do PIB nacional de pelo menos 3% e a indústria automobilística, nossa Doença Holandesa, regride inquietantemente na produção de veículos de passeio, utilitários e principalmente pesados, nicho no qual representamos mais da metade da produção nacional?
Brejo após desfiladeiro
Mais informações que agrego à intuição jornalística de que a vaca do PIB da região vai para o brejo depois de sucumbir ao desfiladeiro: o Clube das Montadoras de Veículos (Anfavea) prevê para este ano o emplacamento de 2,54 milhões de veículos, o que significaria queda de 27,4% frente ao volume do ano passado.
A perspectiva de que o PIB Industrial da região neste ano baterá com facilidade a queda registrada e já conhecida em 2012 é o raciocínio mais lógico. Naquele ano, o PIB da indústria de transformação da Província sofreu perda de 11% em relação ao ano anterior. São Bernardo catalisou o desastre, porque registrou baixa de 23,34%.
Por causa do estrondo de São Bernardo, o PIB Industrial da Província registrou perda de 15,82% em 2012, quando comparado a 2011. Alguém acredita que teremos números diferentes quando o IBGE apontar o gatilho estatístico em nossa direção?
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