Economia

Refazendo as contas: Dilma pode
zerar emprego de Lula em 18 meses

DANIEL LIMA - 03/11/2015

Estou refazendo os cálculos sobre a liquidação do saldo de empregos no setor de transformação industrial na Província do Grande ABC. O que o governo Lula da Silva deixou acumulado a sucessora apontada pelo petista ameaça destruir. A recontagem, como a contagem, leva em conta a possibilidade constitucional de a presidente cumprir o segundo mandato até dezembro de 2018.


 


Pelas contas iniciais, zerei o saldo lulista no último mês presidencial de Rousseff, em dezembro de 2018, considerando a média mensal de perda dos primeiros quatro anos e dos nove meses do segundo mandato. Mudei de ideia, premido pela lógica de que a média muitas vezes é burrice, ou imprecisão. Vou explicar o recuo – ou o avanço dessa projeção.


 


Tomara que o mundo continue a girar, mas quando se tratar da economia da região, em situação muito mais grave que a média do País (e nesse caso média nem é burrice nem imprecisão, é realidade nua e crua) o futuro próximo seja menos complicado.


 


Mudei de ideia e de números porque os dados que aparecem no balanço do emprego industrial com carteira assinada (o bem mais valioso à dinamicidade da economia desta Província, com fundas implicações à mobilidade social) são enganosos. A razão é simples: o déficit registrado por Dilma Rousseff no período de 57 meses (48 meses do primeiro mandato e os nove meses deste segundo) é de 26.154 postos de trabalho. Quando se divide esse número pelo total de meses, aparece o déficit médio mensal de 458 trabalhadores.


 


Entretanto, os resultados são outros quando se contabilizam apenas as demissões deste ano, com o agravamento de uma crise econômica que começou no ano passado. Foram demitidos neste ano no setor industrial da região 16.705 trabalhadores – ou 64% de todo o período pesquisado.


 


Cenário complicado


 


Quando escrevo demitidos quero dizer que essa é a diferença entre contratações e demissões. Ora, o déficit líquido de 16.705 trabalhadores dividido por nove meses desta temporada significa perda mensal de 1.856 carteiras assinadas. Quatro vezes mais que a média de 57 meses, contaminada por números positivos de um período pós-Lula de forçada de barra de crescimento econômico de pés de barro.


 


A previsão de que Dilma Rousseff vai zerar o saldo de Lula da Silva em 18 meses, a qual consta do título deste artigo, está baseada no desempenho desta temporada do emprego industrial. O diagnóstico de especialistas é de que o Brasil terminará este ano com queda de 3% do PIB (Produto Interno Bruto).


 


A Província provavelmente perderá quase três vezes mais, porque depende muito mais que a média nacional do setor industrial. Quanto mais dependência de atividades industriais concentradas no setor automobilístico, de projeções igualmente tétricas, mais negritude no horizonte econômico.


 


No ano que vem, segundo especialistas, é provável que o PIB nacional retroceda mais 2%, na melhor das hipóteses. O PIB Industrial continuará emagrecendo estupidamente entre outros motivos porque a biruta do mundo virou e há muito perdemos participação na cadeia de produção internacional.


 


Pessimismo e otimismo


 


Se a Província do Grande ABC continuar a perder em média por mês mais de 1,8 mil empregos com carteira assinada no setor industrial, Dilma Rousseff conseguirá o milagre de acabar em março de 2017 com o estoque de 60.553 empregos deixado por Lula da Silva e sua política de incrementar a economia a qualquer custo.


 


É claro que a previsão de que em março de 2017, portanto muito antes de encerrar o mandato, Dilma Rousseff terá alcançado a façanha de destruir o legado de Lula da Silva na região, é uma referência de viés pessimista. Mas quem disse que em casos assim, nos quais as perspectivas são nebulosas, não é mesmo melhor exagerar na dose e com isso provocar algum tipo de reação construtivista dos agentes locais a ter de engolir cenários mentirosos -- como tem sido tradição nesta Província?


 


Da mesma forma que admito e confesso que carreguei nas cores da previsão catastrófica, a outra contabilidade, a de que só zeraríamos o estoque de emprego industrial com carteira assinada em dezembro de 2018 -- ao perder pouco mais de 400 postos de trabalho em média por mês até lá -- é exposição extremamente otimista dada as condições de tempo e temperatura do ambiente econômico nacional e particularmente da região.


 


Poucos reagem


 


O mais grave em toda essa situação – e jamais será exagero repetir à exaustão uma realidade sobre a qual não parece existir um mínimo de reação – é o estado catatônico dos agentes políticos e econômicos da região, com exceção dos dirigentes de pequenas e médias empresas industriais representadas nas unidades do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, braço da Fiesp na região. Eles saíram recentemente às ruas para clamar por medidas que passem longe da demagogia sindicalista e de prefeitos petistas, como Luiz Marinho, que não entendem bulhufas de economia e se fiam em heresias de especialistas ideologicamente congelados.


 


Fosse feita uma enquete com esses mesmos pequenos e médios empresários sobre os dois cenários de emprego industrial que contemplo neste texto, se o primeiro ao qual me referi em matéria anterior e repito hoje com concisão ou se o segundo exposto agora, duvido que o marco da perda total do saldo deixado por Lula da Silva seria diferente do previsto para março de 2017.


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