Veja a diferença que separa o crescimento da Classe A e da Classe B (ricos e classe média tradicional) em São Bernardo e a média brasileira entre 1995 e 2015: enquanto a Capital Econômica da região avançou em termos nominais (sem considerar a inflação do período) 277,13%, a média brasileira cresceu 695,31%. A inflação do período, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 257,27%. Ou seja: o avanço do potencial de consumo de São Bernardo a partir de 1995 não superou 9,05% no período que se completa em 2015 – exatamente 0,45% ao ano, contra 55,1% da média geral dos municípios brasileiros – portanto 2,75% de crescimento ao ano. A massa de ricos e de classe média tradicional em São Bernardo comeu poeira no período.
Quer mais? Se São Bernardo crescesse no mesmo ritmo do Brasil nos últimos 20 anos, o Potencial de Consumo dos ricos e da classe média chegaria a R$ 22.279,26 bilhões nesta temporada. Como avançou bem abaixo da média nacional, o resultado projetado pela Consultoria IPC, especializada no assunto, não passa de R$ 12.084,045 bilhões. Uma diferença de quase R$ 10 bilhões.
É claro que seria demais esperar que o potencial de consumo de ricos e de classe média de São Bernardo, então com uma sociedade já desenvolvida, crescesse no mesmo ritmo médio de um País que conheceu grandes transformações nas duas últimas décadas. Então, que tal calcular uma São Bernardo que apresentasse poder de consumo da classe rica e da classe média tradicional que espelhasse o crescimento médio dos sete municípios da região, cujos resultados estão muito abaixo da média nacional?
Perda gigantesca
O rombo seria menos gigantesco, mas seguiria preocupante. Na média, o potencial de consumo de ricos e da classe média da região avançou em termos nominais 382,49% no período entre 1995 e 2015 – ou seja, logo após a implantação do Plano Real. Se São Bernardo dos R$ 3.204,221 bilhões que acumulava em 1995 crescesse tanto quanto a média da região, teria chegado em 2015 a R$ 15.460,045 bilhões. O tamanho do rombo seria menor, mas passaria de R$ 3 bilhões. Mais precisamente R$ 3.376.000 bilhões só com os ricos e a classe média.
Nem somando a riqueza em forma de potencial de consumo de todas as camadas sociais de Ribeirão Pires (R$ 2.593. 977 bilhões) e de Rio Grande da Serra (R$ 857.133 milhões) se chegaria ao rebaixamento de São Bernardo somente entre ricos e classe média se o desempenho tivesse corrido na mesma raia da média da região.
Pode-se, portanto, afirmar que São Bernardo perdeu de potencial de consumo entre ricos e classe média no intervalo de 20 anos algo como a soma de tudo o que os moradores de todas as classes sociais de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra têm acumulado ao longo dos tempos.
A tradução desses montantes é clara: a mobilidade social de São Bernardo no topo da pirâmide foi comprometida seriamente durante os 20 anos subsequentes ao Plano Real. A desindustrialização provocou estragos no Município. Tanto é verdade que o estoque geral de salários e riquezas de São Bernardo em 1995 envolvendo todas as classes sociais era de R$ 3.928,206 bilhões e passou a R$ 18.853,095 bilhões em 2015. Um avanço nominal de 279,94%, pouco acima dos 277,13% restrito às classes mais abastadas.
Atrás de Santo André
Até mesmo Santo André, cuja economia patina, quando não se deteriora ao longo dos anos, oferece resultados superiores aos de São Bernardo. Em 1995 Santo André contava entre ricos e classe média com potencial de consumo de R$ 2.761420 bilhões. Saltou para R$ 12.297,568 bilhões em 2015. No confronto com São Bernardo, Santo André estava atrás em 1995: São Bernardo era superior 16,63% na soma dos dois segmentos sociais. Já em 2015, Santo André ultrapassou levemente São Bernardo: os R$ 12.297,568 bilhões de Santo André são 1,73% superior aos R$ 12.084,045 de São Bernardo.
Se entre ricos e classe média tradicional Santo André foi o segundo endereço regional que menos cresceu, à frente somente de São Bernardo, a vantagem dos demais municípios locais ante a Capital Econômica é maior ainda: São Caetano avançou 432,64%, Diadema 675,615%, Mauá 631,37%, Ribeirão Pires 414,62% e Rio Grande da Serra 1.001,053%.
Os ricos e a classe média da Província do Grande ABC têm potencial de consumo neste ano 382,49% acima dos resultados de 1995, contra inflação de 257,27%. São Bernardo é o único endereço regional que avançou abaixo, bem abaixo, da média regional. Os R$ 8.547.850 bilhões da região em 1995 viraram R$ 41.243.123 bilhões nesta temporada. A participação relativa de São Bernardo no bolo regional de ricos e de classe média passou de 37,48% na ponta da pesquisa, em 1995, para 29,30% em 2015. Uma queda de 8,18 pontos percentuais, ou de 21,82% no período.
Queda acentuada
Esses dados explicam como a classe média e os ricos de São Bernardo estão cada vez mais parecidos com os municípios da região, do Estado de São Paulo e do Brasil. Em 1995 os domicílios correspondentes à classe rica e a classe média convencional em São Bernardo correspondiam a 82,6% do total, contra média de 67% no grupo de municípios da região, de 70,9% no Estado de São Paulo e de 67% no Brasil.
Mudanças metodológicas ajudam a explicar a redução da participação geral, mas como afetaram igualmente a todos os municípios, os resultados são mais que explicativos à degringolada de São Bernardo, que passou a contar com 64,1% dos domicílios com moradores de classe rica e de classe média, ante 63,4% da Província do Grande ABC como um todos 56,1% do Brasil e 60,7% da média paulista.
A possibilidade de nos próximos cinco anos São Bernardo reduzir ainda mais velocidade de produção de ricos e de classe média sugere que a participação dos domicílios que contarão com representantes desses segmentos não serão nada diferentes das demais geografias. A antiga Capital Econômica da região está em processo de mobilidade social quase congelado.
A contínua quebra do PIB do Município, que sente fortes dores de desindustrialização, poderá entornar ainda mais o caldo de desenvolvimento em desgaste. Uma abordagem sobre o potencial de consumo per capita da totalidade dos moradores de São Bernardo, em confronto com outros endereços, deverá clarear ainda mais a dramaticidade do quadro.
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