Economia

Dilma pode liquidar estoque de
emprego de Lula em 11 meses

DANIEL LIMA - 24/11/2015

Se seguir no ritmo alucinante de outubro – uma previsão nada pessimista – a presidente Dilma Rousseff acabará em 11 meses com o estoque de empregos industriais com carteira assinada gerado pelo antecessor Lula da Silva. Isso significaria que bem antes do Natal do ano que vem a Província do Grande ABC voltaria a contar com número de trabalhadores industriais com direitos sociais garantidos semelhante ao deixado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Um retrocesso de 14 anos que vai muito além dos números -- o setor de transformação é o eixo sobre o qual giram a economia e o equilíbrio social da região. 


 


Uma perspectiva menos sombria sugere que a longa agonia do desemprego industrial na região registraria a hecatombe petista somente ao final do mandato constitucional de Dilma Rousseff. Em outubro passado o saldo de demissões do emprego industrial com carteira assinada na região foi negativo em 2.818 postos de trabalho. Bem mais (exatamente 72,7%) que o registrado no mês anterior, setembro, quando foram decepados 1.631 postos de trabalho.


 


Tomando-se o registro de outubro como âncora, o esgotamento do saldo lulista se daria em setembro do ano que vem. Dilma Rousseff nem teria completado o segundo ano do segundo mandato. A explicação para a projeção é simples: dos 60.553 postos de trabalho industriais gerados durante os oito anos do governo de Lula da Silva restam apenas 31.581. Uma equação que leve em conta os 2.818 empregos perdidos em outubro e o saldo positivo que resta de Lula aponta que são apenas 11,2 meses de sustentação. Resta saber se o saldo líquido negativo de empregos da indústria de transformação seguirá estável nos próximos meses.


 


Uma outra conta


 


Se a conta for outra, dividindo-se o total de empregos industriais da Província do Grande ABC destruídos nos quase cinco anos de gestão Dilma Rousseff (exatamente 28.972) pelo total de meses que ocupa a presidência, a média mensal de perdas dará folga à petista: seriam necessárias, em média, 831 demissões por mês para que virasse pó até o final do mandato, em dezembro de 2018, o saldo deixado por Lula da Silva.


 


Essa projeção tem bases frágeis. O saldo negativo agrava-se a cada mês. A média dos 58 meses de comportamento do emprego industrial da gestão Dilma Rousseff, portanto, não se sustenta. É mais factível que o total de demissões de outubro seja referencial mais ajustado ao contexto econômico.


 


As perspectivas de que o PIB desta temporada cairá mais de 3% e que algo semelhante se repetirá no ano que vem, com novos desfalques na produção industrial, base da economia desta Província, indicam que a matemática mais contundente que prevê setembro do ano que vem como marca da quebra do legado de Lula da Silva é mais provável.  Até se admite viés apimentado na projeção, mas não se pode descartar a probabilidade potencial. Muito superior, portanto, à adoção da média de demissões dos 58 meses de presidência completados por Dilma Rousseff em outubro.


 


Oscilações individuais


 


Só nos últimos 12 meses, de novembro do ano passado a outubro deste ano, foram cortados 23.902 trabalhadores na região, o que significa variação negativa de 9,73%. O resultado conjunto dos sete municípios locais encobre oscilações individuais, com índices abaixo e acima da média. Santo André perdeu 7,92% do estoque de emprego industrial nos últimos 12 meses, (foram cortados 2.573 trabalhadores), um pouco abaixo dos 9,44% de São Bernardo (9.013 cortes) e um pouco acima de São Caetano (8,46%, com 2.324 demissões).


 


Quem mais perdeu mesmo no período de 12 meses é Diadema, com baixa do estoque de 12,29% (6.758 profissionais) porque as pequenas empresas são mais diretamente atingidas pela crise econômica, sobretudo no setor automotivo. Mauá não ficou muito distante, com 10,14% de demissões (menos 2.551 trabalhadores), enquanto Ribeirão Pires registrou 8,94%, com quebra de 755 postos de trabalho. Apenas Rio Grande da Serra apresentou resultado positivo, com 117 contratações nos últimos 12 meses, o que representou variável de 7,65% no estoque.


 


Quando se compara a média de perda de emprego industrial com carteira assinada com a Capital do Estado, a região apresenta números mais graves: São Paulo sofreu variação negativa de 7,30% no estoque nos últimos 12 meses (foram cortados 38.185 trabalhadores de um total de 484.897) – ou 25% de diferença. Quando o confronto é com a média nacional, a crise é claramente maior na região. Na média, as cidades brasileiras perderam 6,50% do estoque de emprego industrial (foram cortados 556.610 trabalhadores de um total de 8.433.484) – ou seja, 33,19% menos que a região.


 


A participação do emprego industrial da região no mercado brasileiro é muito menor que a variação negativa de demissões nos últimos 12 meses. O estoque de 220.650 trabalhadores industriais da região representa 2,80% do estoque brasileiro de 7.876.874 em outubro último, mas a proporção de cortes de trabalhadores na região foi muito superior: 5,81% O significado de estoque nesses dados comparativos é claro: é o total de trabalhadores do setor de transformação industrial construído ao longo da histórica produtiva do País. A detecção de que a crise é maior na região fica explícita: participação relativa menor do emprego industrial em relação às demissões em nível nacional. A dependência automotiva é uma das explicações mais sólidas. 


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