O prefeito petista Luiz Marinho não fez decolar a economia de São Bernardo durante o primeiro mandato que começou em janeiro de 2009 e terminou em dezembro de 2012. Embora não tenham faltado tonitruantes propostas, entre as quais até um Aeroporto Internacional na área de proteção ambiental, o chamado Aeroportozão que jamais saiu do papel nem mesmo mais tarde adotado como Aeroportozinho, o ex-sindicalista colhe números que o colocam em desvantagem frente aos dois mandatos dos opositores Maurício Soares e William Dib. Quando o segundo mandato de Marinho se encerrar os escombros serão muito maiores.
Por mais que se deva respeitar o argumento de que a produção de riqueza em produtos e serviços, essência do Produto Interno Bruto aferido anualmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é prevalentemente agregada ao governo federal, é sempre possível interferir com ações que podem gerar frutos municipais.
Luiz Marinho está no terceiro ano do segundo mandato, ou sétimo ano de gestão que se encerra no ano que vem. A tendência é de que os resultados serão ainda piores. A economia nacional vai mal das pernas e o prefeito não fez decolar nada além da frustração com o Aeroportozão que virou Aeroportozinho, além de outros projetos. Seguramente, Luiz Marinho é o suprassumo de desencantos econômicos. Ele jamais mexeu ou sinalizou mexer para valer com a estrutura econômica de São Bernardo, dependente demais do setor automotivo.
Queda de 8,44%
Numa análise inicial que se restringe aos quatro primeiros anos do primeiro mandato, Luiz Marinho acumula baixa de 8,44% no PIB de São Bernardo, quando se comparam os números de 2008, último ano do segundo mandato do tucano William Dib, e 2012, encerramento do primeiro ciclo oficial de Luiz Marinho.
Sempre com os números corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE, São Bernardo caiu de um registro potencial de R$ 37.335,67 bilhões para R$ 34.185,28 bilhões. Explicando: a base de cálculo é o último ano do mandato de William Dib, que registrou PIB Geral de São Bernardo de R$ 29.981,27 bilhões em valores originais, em 2008. Para que São Bernardo ao final de 2012, após quatro anos de Luiz Marinho, não registrasse perda, teria de ter somado pelo menos um PIB Geral de R$ 37.335,67 bilhões. Ou seja: o valor monetário deixado por William Dib corrigido pela inflação registrada pelo IPCA no período, de 24,53%. Como o PIB de São Bernardo de 2012 só alcançou R$ 34.185,28 bilhões, tem-se diferença negativa de 8,44%.
A situação é bem diversa do desempenho da dupla Maurício Soares-William Dib, que dividiram o comando da Prefeitura de São Bernardo em oito dos 12 anos de derrotas aplicadas ao PT. Maurício Soares foi eleito para um primeiro mandato em 1996 pelo PSDB e reeleito em 2000 pelo PPS, tendo William Dib como vice-prefeito. O mesmo Dib que assumiu o cargo durante o segundo mandato por conta de problema de saúde do titular do Executivo.
Nos oito anos, entre 2001 e 2008, o crescimento do PIB Geral de São Bernardo superou o desgaste da moeda nacional em 57,74%. O PIB de São Bernardo em 2000, último ano do primeiro mandato de Maurício Soares, apontou em valores nominais R$ 11.060,48 bilhões. Corrigido pela inflação do IPCA no período de oito anos (entre janeiro de 2001 a dezembro de 2008), aquele valor saltaria para R$ 19.006,33 bilhões. Como São Bernardo atingiu R$ 29.981,27 bilhões, a diferença chega favoravelmente a 57,74%.
Com Lula e com Dilma
O segundo mandato da Administração Maurício Soares-William Dib conviveu com os dois últimos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso e usufruiu os seis primeiros anos dos dois mandatos do petista Lula da Silva. Já a Administração Luiz Marinho contabiliza dois anos de Lula da Silva e somará seis anos de Dilma Rousseff.
Nos oito anos da gestão Soares-Dib, o PIB do Brasil acumulou crescimento médio de 3,67%. O menor índice foi registrado no primeiro ano do primeiro mandato de Lula da Silva, em 2003, com avanço de 1,2%. Já os quatro primeiros anos do PIB do Brasil durante a Administração de Luiz Marinho à frente da Prefeitura de São Bernardo sacramentaram crescimento médio de 3,27%, com pico de 7,6% em 2010 e inquietação no primeiro ano, com queda de 0,2%.
Tanto no caso da gestão dos opositores a partir de 2001 quanto do petista que foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos em 2009, o tom da indústria automobilística é que determina o destino de São Bernardo. E isso é péssimo para os planos de Luiz Marinho na atividade político-partidária. O prefeito prometeu que retiraria o Município da prisão automotiva. Anunciou vários planos para diversificar atividades econômicas de quem sofre pneumonia com simples esfriamento da atividade sobrerrodas.
Entretanto, passados sete anos de dois mandatos ainda incompletos, nada saiu do papel. O polo de petróleo e gás naufragou com o escândalo na Petrobras. A reestruturação do setor automotivo não passou de bravata durante um congresso em São Bernardo antes que Marinho completasse seis meses de gestão.
Indústria de defesa?
A chegada da indústria de defesa é adiada permanentemente e não tem força para grandes voos. O centro nervoso da atividade está em São José dos Campos. A fábrica prevista para São Bernardo e o entorno de fornecedores sugerem mais fracasso que sucesso. A região encontraria muitas dificuldades para superar a concorrência há muito tempo instalada no Vale do Paraíba, principalmente.
Os chamados Arranjos Produtivos Locais, que consistem em tornar determinadas atividades econômicas um grande concerto de cooperação e complementaridade, é mais um enorme ponto de interrogação. São Bernardo é cada vez mais dependente da Doença Holandesa da indústria automotiva, cujo desempenho em períodos de vacas gordas camufla perdas em outros setores.
Os prefeitos Maurício Soares e William Dib nadaram de braçadas durante o período em que comandaram o Paço Municipal porque a indústria automobilística cresceu sobremaneira. O presidente Lula da Silva engrenou uma corrida ao pote de consumo, beneficiado pela valorização do câmbio e enxurrada de dinheiro de exportações de commodities agrícolas, além de minerais. Dinheiro sobrando no mercado, incentivo ao consumo e ferocidade nos gastos públicos.
A produção automotiva durante os oito anos de Maurício Soares e William Dib passou de 1.605.848 milhão de veículos em 2000, base da comparação, para 3.050,631 milhões em 2008, último ano dos dois mandatos. Nada menos que 90% de crescimento, com impacto altamente positivo em São Bernardo, que responde por perto de 16% da produção nacional no setor de veículos de passeio e comerciais leves e por cerca de 60% nos pesados de caminhões e ônibus.
Crescimento arrefecido
Durante os quatro primeiros anos do primeiro mandato de Luiz Maurinho a produção automotiva nacional cresceu mais moderadamente. Mais precisamente 12%, passando dos 3.050.631 milhões registrados no último ano do mandato de William Dib para 3.402.963 no último ano do primeiro mandato de Marinho.
O descasamento entre crescimento da indústria automotiva e o rebaixamento do PIB Geral de São Bernardo pressupõem que as complicações econômicas do Município já comprometem os recursos públicos em forma de impostos. Uma das explicações menos contestáveis é que São Bernardo – e a Província do Grande ABC como um todo – é cada vez menos importante no mapa de produção automobilística nacional.
Há infinidade de fábricas espalhadas pelo País a reduzir cada vez mais a participação relativa das montadoras mais tradicionais – casos de Volkswagen, Ford, General Motors e Fiat – as três primeiras com unidades na região. As fábricas que desembarcaram no País têm mais flexibilidade produtiva. São mais enxutas e também sofrem menos pressão sindical. E contam com portfólio mais atualizado de veículos.
Ainda há muito a escrever sobre o balanço dos primeiros quatro anos da Administração de Luiz Marinho no âmbito econômico. Apenas São José dos Campos, entre os municípios que sediam regiões metropolitanas no Estado de São Paulo, apresentou resultado mais discreto entre 2009 e 2012, com crescimento de 8,96% no período, sempre comparando o ano-base de 2008 com o extremo de 2012. Sorocaba avançou 17,06% no período e Campinas um pouco mais, 17,19%. Já os dados gerais do Estado de São Paulo apontam crescimento do PIB de 12,80% durante aquele período.
Como se observa, São Bernardo é um caso à parte e como é a Capital Econômico da Província do Grande ABC, contamina os resultados dos demais municípios. Em 2012, último ano em que o IBGE divulgou o PIB dos Municípios, a região caiu 5,84% em relação ao ano anterior -- que também caiu quando comparada ao ano antecedente.
Agora em dezembro vai ser anunciado o PIB dos Municípios em 2013, ou seja, sempre com dois anos de atraso. Prevê-se nova derrocada regional -- com São Bernardo à frente dos demais. A indústria automotiva não segura mais as pontas. O período lulista, de grande crescimento em alguns pares de anos, não vai se repetir mais porque a ociosidade produtiva nacional ocupa pouco mais de 50% do potencial das linhas de montagem.
Investimentos em fuga?
Resta saber até que ponto a eleição de um sindicalista à principal unidade municipal da região não afastou investimentos como também não teria levado mais empresas a buscarem territórios menos fossilizados nas relações entre capital e trabalho. Uma relação que parece ter acalmado os nervos, mas que de fato é refratária a mudanças para repactuar e reduzir o chamado Custo ABC.
Em períodos de vacas gordas, quando todos ganham, relevam-se diferenças. Quando a chuva tóxica da escassez de produção de riqueza se manifesta, o ambiente econômico da região se deteriora. Como está se deteriorando cada vez mais na região.
Tão certo como o dia após a noite, o prefeito Luiz Carlos deve estar a desalinhar os cabelos ante a informação de que seus antecessores imediatos neste século colecionam números gerais muito mais interessantes do que ele quando se trata de medir o tamanho do PIB de São Bernardo. Está certo que fatores externos ajudam a construir como a destruir o edifício de números.
Entretanto, quando se consta que a metodologia é a mesma para todos os endereços municipais e São Bernardo sob o comando do petista está muito aquém de São José dos Campos, Sorocaba, Campinas e do Estado de São Paulo, territórios selecionados para esse tipo de enfrentamento, o mínimo que Luiz Marinho deve se perguntar é por que lhe é tudo diferente. Ora, porque São Bernardo ainda não se deu conta de que o modelo econômico que tem um sindicalismo atrasadíssimo como agente de demandas precisa ser jogado ao lixo em nome da competitividade e de modernidade.
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