Sociedade

São Caetano perde fôlego e já
patina em qualidade de vida

DANIEL LIMA - 09/12/2015

São Caetano está perdendo fôlego no Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida medido pelo principal indicador nacional, o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro com base num coquetel de dados estatísticos de instituições do Estado. A nova versão do Índice Firjan, anunciada nesta semana, coloca São Caetano na quarta posição nacional. Isso significa a perda de três colocações e também o que poderia ser chamado de patente ameaça de deixar o que poderia ser chamado de G-4.


 


Quando o medidor foi lançado, em 2005, São Caetano liderava a competição que envolve indicadores de educação, saúde e também de emprego e renda. A Província do Grande ABC melhorou o desempenho nesses oito anos (os dados divulgados agora se referem a 2013) e segue a ocupar, em conjunto, a Série A do Campeonato Brasileiro. Na Série A, individualmente, estão São Caetano, São Bernardo e Santo André. As demais estão na Série B.


 


São Caetano foi superado no novo Índice Firjan pela primeira colocada Extrema (Minas Gerais), São José do Rio Preto e Indaiatuba (São Paulo), segundo e terceiro colocados. A ultrapassagem era esperada. São Caetano sofre consequências de estar localizada na Região Metropolitana de São Paulo fortemente influenciada pelos estragos causados por deseconomias de escala, expressão utilizada por urbanistas e que significa complicações estruturais à construção de novos alicerces de dinamismo econômico e social.


 


Emprego & Renda atrapalha


 


Tanto é verdade que o ambiente econômico metropolitano atrapalha o que ainda é um oásis quando comparado aos vizinhos que o indicador de Emprego & Renda afetou diretamente o desempenho de São Caetano nos últimos oito anos. Em 2005, a nota atribuída ao Município no Brasileiro de Qualidade de Vida no quesito econômico era 0,8570. Agora caiu para 0,7562.


 


O Índice Firjan adota metodologia semelhante a do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), ou seja: varia de zero (mínimo) e um ponto (máximo) para classificar o nível de cada cidade em quatro categorias – desenvolvimento baixo (de 0 a 0,4), regular (0,4001 a 0,6), moderado (de 0,6001 a 0,8) e alto (0,8001 a 1). Transformamos o Índice Firjan em Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida para torná-lo instrumento mais didático. As Séries A, B, C e D são as divisões classificatórias. A Série A corresponde ao topo de resultado, entre 0,8001 a 1. As demais seguem a mesma lógica.


 


O declínio de São Caetano não significa comprometimento da qualidade de vida medida pelo Índice Firjan, mas é evidente que há desaceleração no processo de atendimento às demandas sociais e econômicas. Em 2005, enquanto a média geral dos sete municípios da região no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal era de 0,7794, São Caetano registrava 0,9128 ponto – uma diferença de 1,334 ponto. Já na nova pesquisa da Firjan, a média geral de São Caetano, que leva em conta os três quesitos temáticos, caiu para 0,9006 ponto, enquanto a média regional subiu para 0,8249 ponto. A diferença passou a ser de 0,759 ponto.


 


O que será do futuro?


 


As próximas pesquisas anunciadas anualmente pela Firjan vão fornecer um diagnóstico mais esclarecedor sobre o que está reservado ao futuro de São Caetano – se uma marcha consistente seguir no topo da competição ou se aos poucos poderá ser engolfado pelos tentáculos metropolitanos. Os mesmos tentáculos que colocam a Capital paulista na 98a posição, com índice de 0,8492 – um pouco acima da média geral da região, de 0,8247.


 


Quando se colocam os municípios da região numa escala nacional, de confronto com os mais de cinco mil territórios, os resultados anunciados pela Firjan são menos animadores do que o fato de que o conjunto da Província tem indicadores de Série A. Apenas Santo André e Ribeirão Pires melhoraram posicionamento geral durante os últimos oito anos pesquisados. Os demais perderam.


 


Além de São Caetano que caiu do primeiro para o quarto lugar, São Bernardo desceu do 53º para o 138º, Diadema do 149º para o 211º, Mauá do 399º para o 892ºe Rio Grande da Serra do 1.296º para o 1.422º. Santo André evoluiu na classificação geral do 117º posto em 2005 para o 30º em 2005 e Ribeirão Pires do 213º para o 1415º.


 


Educação e Saúde ajudam


 


O conjunto dos municípios da Província do Grande ABC, o chamado G-7, ocupa a Série A do Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida porque vai muito bem nos quesitos Educação e Saúde. A média geral da região em Educação é de 0,9107, enquanto na área de Saúde alcança 0,9092. Bem à frente das médias gerais de 2005, respectivamente de 0,8400 e 0,8737. Os dois setores aliviam a barra do quesito Emprego & Renda, cuja média regional em 2013 não ultrapassou a 0,6547, um pouco acima da média de 2005, de 0,6246. O resultado da nova pesquisa da Firjan no setor econômico—como o resultado de 2005 – mantém a Província do Grande ABC na Série C do Campeonato Brasileiro de Emprego & Renda.


 


Num boletim oficial que lastreou a divulgação dos novos resultados, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro chamou a atenção para a perspectiva de que o desenvolvimento socioeconômico do País está comprometido por conta do cenário econômico. “Nesta nova edição, o IFDM aponta que, já em 2013, a nota brasileira, composta pelos indicadores de Educação, Saúde e Emprego & Renda ficou em 0,7441 ponto, com aumento de apenas 0,2% na comparação com o ano anterior. Foi o menor avanço desde o início da série histórica do índice – em 2055, refletindo principalmente o desempenho negativo do IFDM Emprego & Renda. O indicador recuou 4,3% na comparação com 2012 e atingiu 0,7023” – publicou a Firjan.


 


O mesmo comunicado da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro sugeriu que o indicador de Emprego & Renda poderá atingir 0,5204 ponto – o menor patamar da série – já que o País deve perder mais de um milhão de postos de trabalho formais e a renda deve avançar menos que a inflação, corroendo o poder de compra do trabalhador”. Prossegue a nota: “Os municípios, que tendem a ficar à mercê da conjuntura econômica, deverão ter menos recursos para expandir e, principalmente, para manter os programas sociais que viabilizaram o avanço nas áreas de Educação e Saúde nos últimos anos”.


 


Prognóstico sombrio


 


Os especialistas da Firjan afirmam que numa avaliação de 2005 A 2013, o Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida avançou 21,3% na nota geral. “Nesses oito anos, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 35%, foram gerados quase 16 milhões de postos de trabalho formais e houve aumento do rendimento médio em 28%. O bom desempenho da economia no período foi determinante para a expansão de recursos – através de recebimento de tributos via arrendação própria ou transferências – para o financiamento das políticas públicas e, consequentemente, para a maior atuação social dos governos. Nesse período, a Despesa Orçamentária per capita média das prefeituras nas áreas de Educação e Saúde registrou crescimento de quase 80%, já descontados os efeitos da inflação. E, em 2013, os indicadores de Educação e Saúde do índice atingiram 0,7615 e 0,7684 pontos, respectivamente”.


 


A análise documentada pelos técnicos da Firjan não deixam dúvidas sobre os riscos que espreitam os municípios brasileiros. “Apesar do avanço nos últimos anos, a Federação alerta que em 2013 o gasto per capita médio das prefeituras nessas áreas ficou estagnado e que ainda existem desafios, já que pouco mais de um terço dos municípios têm educação de qualidade e mais de quatro milhões de brasileiros ainda vivem em cidades sem atenção básica de saúde”.


 


O ranking geral do Campeonato Brasileiro de Qualidade de Vida produzido pela Firjan aponta que 60,3% das cidades possuem desenvolvimento moderado (Série B) e apenas 7,8% registram alto desenvolvimento (Série A). O destaque positivo, segundo a nota, é a cidade de Extrema, que obteve 0,9050 ponto e saiu da 569ª colocação em 2005 para a primeira posição no ranking nacional de 2013. 


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