Economia

São Caetano lidera PIB regional
no milênio: Santo André é último

DANIEL LIMA - 14/12/2015

Vai ser conhecido nesta semana o PIB (Produto Interno Bruto) dos Municípios Brasileiros. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai divulgar dados tão esperados. Além de a Província do Grande ABC registrar nova queda, a terceira consecutiva depois do boom automotivo de 2010, saberemos também se vai ser mantida a tendência deste milênio, de queda contínua de Santo André e de crescimento sistêmico de São Caetano. Sim, neste milênio que completará 12 anos de PIB Municipal, São Caetano lidera os números na região.  Santo André, que parecia ter estancado o empobrecimento, segue desfiladeiro abaixo.


 


Nos 12 anos já medidos pelo IBGE e metabolizados por esta revista digital, porque os números daquele órgão federal são brutos, Santo André perdeu 17,81% de participação relativa regional, ou mais de cinco pontos percentuais. São Caetano subiu 26,55%, ou mais de três pontos percentuais.


 


O que separa os dois municípios é que a indústria automotiva representada pela General Motors e também o terminal petroquímico foram embalados pela febre consumista do governo Lula da Silva. Santo André depende de número cada vez menor de grandes empresas e está cada vez mais vinculada a emprego de baixa qualificação. Com isso, inflam-se os números do Ministério do Trabalho, os quais mascaram a realidade. 


 


São Bernardo se move pouco


 


Fora o contraste flagrante entre o que São Caetano elevou de participação no PIB da Província do Grande ABC e o que Santo André perdeu, a maior mudança no período de 12 anos se deu com São Bernardo, também favorecida pelo governo Lula da Silva, e que cresceu 6,40%. Os demais municípios da região tiveram desempenho econômico bastante discreto no remelexo interno: Diadema cresceu 0,8%, Ribeirão Pires 0,16% e Rio Grande da Serra praticamente não se moveu. Ah, tem também Mauá, do Polo Petroquímico e resultado surpreendente para quem imaginava que o aumento da capacidade de produção alteraria positivamente a participação do Município no PIB Geral da Província: perdeu 10,59% nos 12 anos deste milênio.


 


Sustentadamente, o que diferencia São Caetano de Santo André na movimentação do PIB regional é que o Município sob o comando do petista Carlos Grana segue a sofrer as dores da desindustrialização. Nos 12 anos do estudo, o PIB Industrial de Santo André cresceu nominalmente (sem considerar a inflação) míseros 84,59%. Já São Caetano avançou 477,39%. Quando se contabilizam todos os setores econômicos -- Administração Pública, Comércio e Serviços -- a diferença entre os dois municípios é menos profunda: Santo André avançou nominalmente 167,43%, contra 311,49% de São Caetano. A inflação no período, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE, apontou 126,77%.


 


O desempenho geral de São Caetano (311,49%) foi de sobra o melhor da Província do Grande ABC entre janeiro de 2000 e dezembro de 2012. São Bernardo automotivo foi quem mais se aproximou, com 246,08%. A pequena Rio Grande da Serra, que não refresca o ambiente econômico regional porque representa meio por cento de nosso PIB, cresceu nominalmente 245,40%. Ribeirão Pires avançou 230,04% e também pouco efeito prático produz, com participação de apenas 2% no PIB Regional. Diadema cresceu 228,09% e Mauá 190,62%. Está explicado, portanto, por que houve alterações na economia regional.


 


Base e extremo


 


De maneira geral, a baixa produção automotiva em 1999, base de comparação do estudo, quando confrontada a 2012, favorece o desempenho da Província do Grande ABC em relação a outras geografias. Mas, mesmo assim, os dados são preocupantes. Campinas cresceu 276,40%, Sorocaba 311,69% e, bem abaixo, São José dos Campos 172,44%. A Capital do Estado avançou 230,82%, enquanto a média alcançada pelo Estado de São Paulo chegou a 267,62%.


 


Quando se somam os valores da Província em 1999 e se faz a mesma operação com os valores de 2012, o crescimento sem considerar a inflação alcança 225,32%%. Quando os números do PIB dos Municípios de 2014 e 2015 emergirem, sempre com dois anos de atraso, o desastre regional vai causar estupefação. O setor automotivo foi duramente atingido nessas duas temporadas.


 


Outro dado que caracteriza como assustadora a situação industrial de Santo André é a queda de participação relativa do setor no conjunto de valores do PIB Municipal. Em 1999, a indústria de transformação representava 32,88% do PIB Geral de Santo André. Doze anos depois baixou para 22,69%. Trata-se da menor fatia do bolo industrial da região. São Bernardo registrou 29,04% em 2012 de PIB Industrial na composição do PIB Geral (eram 33,92% em 1999), São Caetano marcou 29,88% (era 21,29% em 1999), Diadema 33,79% (eram 39,05%), Mauá 31,02% (eram 34,71%), Ribeirão Pires 29,41% (eram 30,13%) e Rio Grande da Serra 35,63% (eram 39,64%).


 


Perder participação industrial no PIB Municipal em relação a outras atividades econômicas não significa necessariamente esvaziamento econômico. A indústria de transformação sofre horrores no País a ponto de estudos de especialistas apontarem que não passaria de 10% do PIB Geral. Campinas é exemplo de que queda do PIB Industrial não significa desastre. Tanto que em 1999 contava com 21,07% de participação relativa da atividade no bolo econômico e registrou, 12 anos depois, 16,46%. A compensação veio principalmente com atividades de serviços de valor agregado, que atendem setores mais modernos da indústria.


 


O crescimento do PIB Geral de Campinas neste milênio, de 276,40% em valores nominais, é superior aos 225, 32% desta Província. Tudo indica que, quando forem revelados os PIBs dos Municípios de 2014 e 2015, Campinas estará menos vulnerável à derrocada. 


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