Economia

Destruição de emprego industrial
pode atrapalhar ainda mais o PT

DANIEL LIMA - 22/12/2015

Os candidatos de oposição podem utilizar a derrocada do emprego industrial com carteira assinada na região para bombardear os petistas. Se já existe munição farta para priorizar esse que é um dos indicadores econômicos mais importantes da região, tudo indica que até que chegue outubro do ano que vem com as eleições municipais os petistas vão encontrar mais dificuldades ainda para contra-atacar adversários preparadíssimos a um combate que se pautará fortemente pela moralidade pública.  


 


A perspectiva é de que a presidente Dilma Rousseff elimine de vez antes de outubro do ano que vem o saldo de empregos formais do setor industrial deixado por Lula da Silva após oito anos de mandato. Ou seja: Dilma nem completaria o segundo ano do novo mandato e já teria chegado ao fundo do poço encontrado por Lula em janeiro de 2003, quando assumiu a presidência em substituição a Fernando Henrique Cardoso.


 


Castigos diferentes


 


A diferença é que FHC castigou a economia da região mas deixou em pleno funcionamento as bases macroeconômicas do País. O PT, como se sabe, está em meio a uma tempestade perfeita: inflação às alturas, empregos no brejo, instabilidade política instigadora de desejos mais que confessáveis de demissão da presidente e, também, turbulência econômica que incentiva a fuga de investimentos e desconfiança das agências de classificação de risco.  


 


As 1.815 demissões de trabalhadores industriais com carteira assinada em novembro na Província do Grande ABC, segundo anuncio do Ministério do Trabalho, deu um pouco mais de fôlego à presidente Dilma Rousseff na luta cronológica contra o fantasma de zerar o estoque adicional deixado por Lula da Silva, de 60.553 postos de trabalho. Já se foram pelo ralo da recessão nada menos que 30.787 empregos com carteira assinada no setor de transformação. Faltam, portanto, 29.766. Quando se divide o saldo remanescente de Lula da Silva pelo número de demissões de novembro, têm-se mais 16,4 meses de respiro a Dilma Rousseff. Entretanto, como a expectativa para os próximos meses é de elevação do número de demissões, principalmente entre janeiro e março, não é improvável que antes de outubro esse componente obtenha valor estratégico dos oposicionistas.


 


O imbricamento de política e economia nas eleições municipais do ano que vem não é interpretação maquiavélica e tampouco despropositada. “É a Economia, estúpido”, frase que se tornou antológica nas eleições para a presidência dos Estados Unidos, serviria completamente para a disputa eleitoral na região. A frase do marqueteiro de Bill Clinton nas eleições de 1992 nos Estados Unidos foi o contragolpe fatal no entusiasmo de George Bush. Os americanos venceram a Guerra do Golfe um ano antes e elevaram a autoestima a níveis impressionantes. Bush era o favorito absoluto para enfrentar o desconhecido governador de Arkansas, Bill Clinton. O marqueteiro de Clinton, James Carville, apostou que Bush não era invencível com o país em recessão e cunhou a frase que virou case de marketing eleitoral.


 


Jogo metropolitano


 


Quem acredita que eleições municipais em áreas metropolitanas com fragilidade de comunicação por carência de mídia de massa são pautadas por questões meramente municipalistas faz jogo de cena. Principalmente os prefeitos de plantão querem fazer crer que supostas eficiências gerenciais aplacariam reveses nacionais de correligionários. É o que tem pautado os petistas na busca por argumentos que reduzam o grau de contaminação dos escândalos, principalmente na Petrobras. Mas a vulnerabilidade econômica que se agiganta com o quadro de recessão e o espalhamento de refluxo da produção industrial dificilmente poupará os atuais titulares de Executivos da região, sobretudo do PT e de aliados recentes, caso de Paulo Pinheiro, prefeito de São Caetano eleito com todo o aparato de marketing comandado pelo prefeito petista de São Bernardo, Luiz Marinho.


 


Como esperar que o balanço mensal do emprego com carteira assinada anunciado pelo Ministério do Trabalho vai ser diferente nos próximos três meses, por exemplo, quando se sabe que o primeiro trimestre é invariavelmente o mais afetado pelo recuo da economia? Dilma Rousseff e suas lambanças para ganhar a disputa eleitoral do ano passado não deixam o menor espaço à esperança de que a reação virá brevemente. Chegar ao nível deixado por Fernando Henrique Cardoso antes das eleições  do ano que vem seria um portentoso tiro no pé de petistas que até recentemente exibiam o mercado de trabalho como prova de competência.


 


Nova contagem de perdas?


 


O que virá depois é outra história. Se as perdas seguirem adiante, uma nova contabilidade passaria a perseguir a presidente da República: ela ameaçaria superar em oito anos os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, presidente que destruiu mais de 80 mil postos de trabalho industrial na região. Com o agravante de que o Brasil viveu com FHC uma dura guerra à reestruturação produtiva, enquanto que com os petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff a perspectiva era outra, de consolidação do modelo produtivo mais enxuto e dinâmico deixado pelo tucano. Mesmo que terrivelmente rigoroso em alguns territórios. Como a Província do Grande ABC, principalmente, vítima de um processo vertiginoso de debandada industrial que se iniciou com a insurgência sindical no final dos anos 1970, seguida de proliferação da guerra fiscal nos anos 1990. 


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