Economia

Inbra descarta uso de advogado
como lobista no projeto Gripen

DANIEL LIMA - 23/12/2015

Em nome de quem o advogado Edson Asarias atuou durante vários anos como lobista para ajudar a trazer para São Bernardo a projetada fábrica de estruturas metálicas dos caças suecos Gripen, que o Brasil produzirá em parceria com a Saab?


 


Um documento assinado pelo advogado Raphael Rodrigues da Silva, do Grupo Inbra, e enviado a esta revista digital em forma desnecessariamente denominada de “direito de resposta”, assegura que Edson Asarias, íntimo da Administração Luiz Marinho, em São Bernardo e também contratado pela própria Inbra, não atuou em nome da empresa.


 


Além disso, o documento explora outras questões envolvendo o Grupo Inbra nesse negócio que demorou cinco anos para chegar à assinatura de contrato para fornecimento de 36 aeronaves de combate do programa E-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB). São US$ 5,4 bilhões de investimentos do governo federal fortemente influenciados pelo prefeito Luiz Marinho. Tanto que o passaporte do petista se confunde em cronologia com o passaporte do advogado e lobista Edson Asarias. Eles viajaram várias vezes à Suécia durante o processo de reconhecimento de terreno para escolha do fornecedor internacional da Força Aérea Brasileira.


 


A posição da Inbra


 


CapitalSocial reproduz as informações do Grupo Inbra para, na sequência, prestar informações complementares aos leitores:


 


 A Inbra foi mencionada na matéria “Goiás pode levar fábrica de caças anunciada por Marinho” (...) publicada na primeira página da revista digital CapitalSocial no dia 15/12/2015. Dentre outras informações, em relação à Inbra a matéria afirma o seguinte: “Edson Asarias é polivalente porque também representou a Inbra, empresa com sede em Mauá que teria acordado parceria acionária com a Saab até que se chegasse a um impasse mais que justificado: a Inbra pretendia ser sócia de um investimento superior a US$ 150 milhões sem colocar um tostão na parceria. Esse modelo de capitalismo unilateral não era de conhecimento dos suecos até que teriam ouvido a proposta. Como os suecos não brincam em serviço, o mal-estar se seguiu à sinalização de que aquelas condições não correspondiam aos pressupostos negociados (...). Mal sabiam os suecos que Edson Asarias era ponta de lança da Inbra e da própria Administração Luiz Marinho”. Em exercício ao seu direito de resposta, a Inbra esclarece o que se segue: O advogado Edson Asarias não representou e não representa a Inbra em qualquer assunto relacionado ao Projeto F-X2 do Gripen (Projeto), seja como consultor, advogado, procurador ou por qualquer outra espécie de representação. Toda a negociação dos aspectos societários e contratuais relacionados ao Projeto tem sido conduzida pela Inbra com a assessoria de consultores especializados em operações desta natureza, nomeadamente, o escritório de advocacia Machado Meyer Sendacx Opice Advogados, um dos maiores e mais renomados escritórios de advocacia do país, bem como a Santi Paul Advisors, assessoria financeira renomada e especializada em Fusões & Aquisições que está no ranking da Bloomberg de 2014 dentre os 25 maiores assessores e 5ª maior boutique de Fusões & Aquisições.


 


Mais informações do documento da Inbra enviado a esta revista digital:


 


 Não procede tampouco a informação veiculada de que a Inbra propôs ao Grupo Saab um “modelo unilateral”. A parceria, na forma como tem sido negociada, exigirá contribuição de ambas as partes, sendo que a Inbra contribuirá com ativos fabris que representam parcela relevante de seu patrimônio (bem como do patrimônio projetado da parceria) para, em conjunto com o Grupo Saab, viabilizar instalações industriais que realizem parte do fornecimento de materiais e serviços para o Projeto. Além disso, a Inbra negocia com o Grupo Saab porque é uma das empresas brasileiras beneficiárias do programa de offset (pacote de transferência de tecnologia para o Brasil) dentro do Projeto F-X2 do Gripen. A Inbra já constava como beneficiária do programa de offset desde a proposta original do Grupo Saab em 2009 ao governo brasileiro, anteriormente a qualquer tratativa de instalação de planta industrial em São Bernardo do Campo. Foi escolhida para o programa de offset por ser uma empresa consolidada no mercado de defesa e aeronáutico, com mais de 13 anos de existência, pela sua capacidade técnica na fabricação de materiais aeronáuticos e de defesa, e por possuir clientes importantes em seu portfólio. Não foi escolhida por quaisquer outros motivos. Por tudo isso, não há qualquer mal-estar nas negociações entre a Inbra e o Grupo SAAB, que sempre foram feitas seguindo as práticas internacionais de negociações empresariais e dentro de um ambiente saudável de relacionamento comercial, assim como não há qualquer atitude suspeita da Inbra em sua condição de beneficiária do programa de offset no Projeto.


 


Faltam muitos esclarecimentos


 


CapitalSocial vai enviar nos primeiros dias do novo ano uma série de indagações à direção do Grupo Inbra sobre o contrato firmado ou supostamente firmado com o Grupo Saab. Há interrogações a serem respondidas. A decisão de contestar as informações de CapitalSocial, expressa no documento encaminhado a este jornalista, é uma ótima notícia aos leitores. Pela primeira vez o assunto deixa de ter apenas um protagonista – esta revista digital – e se encaminha para uma zona de transparência que a Administração Luiz Marinho tem insistido em sonegar.


 


O esclarecimento sobre a participação do lobista Edson Asarias é um dos pontos centrais à democratização da informação. Afinal, em nome de quem e por quais razões Edson Asarias atuou de forma discreta até onde foi possível nas negociações preliminares? Bastidores da Administração Luiz Marinho o colocam no colo de proteção do Grupo Inbra, empresa na qual Asarias atua comprovadamente como advogado.


 


Como está sendo retirado do ambiente de negociações em nome da empresa com sede em Mauá, o lobista muito próximo da gestão Luiz Marinho provavelmente ficaria em situação desconfortável. Como o prefeito de São Bernardo explicaria a presença do lobista-advogado em viagens internacionais sem que ao menos ocupe um cargo oficial na Prefeitura ou em qualquer instância do governo federal?


 


Muito mais perguntas


 


A resposta do Grupo Inbra sobre a participação societária na projetada fábrica de estruturas metálicas em São Bernardo também não preenche os requisitos de segurança informativa desejada. Sugere-se, em leitura acurada, que o Grupo Inbra disporia de estrutura física para o empreendimento. Resta saber o quanto esses investimentos significarão em termos relativos à projeção de que o negócio envolveria em valores atuais perto de R$ 600 milhões.


 


Muitos outros pontos serão abordados na série de perguntas que CapitalSocial enviará à direção da empresa no começo de janeiro. Atenta ao conteúdo deste site, a direção da empresa de Mauá poderia ter antecipado algumas respostas formuladas em nove de setembro deste ano à Administração Luiz Marinho, cujo texto pode ser acessado logo abaixo no link “Sugestão a Marinho: convide-me para entrevista sobre caças suecos”. Naquele material jornalístico, há algumas questões que envolvem diretamente o Grupo Inbra, algumas das quais só respondidas agora, três meses depois e após a publicação de outra matéria sobre os caças Gripen.


 


Anteriormente, em março deste ano, outro artigo sobre a compra dos caças suecos foi destacado nesta revista digital, sob o título “O que o prefeito Luiz Marinho está escondendo na compra dos caças?”. Uma leitura atenta desses artigos permitirá avaliação mais intensa sobre o que se passa com esse negócio milionário.


 


A postura do Grupo Inbra, na contramão da opacidade da Administração Luiz Marinho, pode indicar que uma nova caminhada se iniciou na busca por transparência. Talvez tudo que venha a ganhar luzes nos próximos tempos tenha forte relação com a atuação do lobista Edson Asarias. Afinal, em nome de quem esse advogado atuou ao longo dos anos como peça supostamente fundamental nas negociações com os suecos? 


 


Leiam, portanto:


 


O que o prefeito Luiz Marinho está escondendo na compra dos caças?


 


Sugestão a Marinho: convide-me para entrevista sobre caças Gripen


 


Goiás pode levar fábrica de caças anunciada por Marinho


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