Economia

Balanço do emprego em 2015
vai confirmar complicações?

DANIEL LIMA - 23/12/2015

Quando a segunda quinzena de janeiro de 2016 chegar os números oficiais vão sair do Ministério do Trabalho carregados de significados que a Província do Grande ABC insiste em desdenhar. O fim do ciclo de gastança e de consumismo que encontrou no setor automotivo um dos referenciais mais transbordantes vai provocar muito mais estragos na região. Quantos empregos industriais com carteira assinada, ou seja, emprego de primeira classe, teriam sido destruídos nesta temporada? Até novembro último foram 21.361 do total geral de 33.742 na temporada.


 


Qualquer projeção de que teremos pelo menos mais dois mil abates de mão de obra em dezembro não será exagero. Mesmo com contratações temporárias no setor de comércio, provavelmente não teremos estancado a sangria de potenciais 35 mil demissões líquidas. Não há concorrentes de infortúnio no País quando se leva em conta a variação relativa dos estoques.


 


O melhor medidor do estado de ânimo do emprego com carteira assinada no País são as estatísticas do Ministério do Trabalho. Outras pesquisas são importantes, mas não oferecem a garantia de que não sejam contaminadas por vieses. Carteiras assinadas ganharam mais e mais importância na medida em que o Ministério do Trabalho apertou o cerco em favor da formalização. No setor industrial, principalmente, a informalidade é baixíssima. E os empregos registrados são a quase totalidade da força produtiva do País.


 


Dois desastres


 


Tratando-se do emprego em geral com carteira assinada, que envolve todos os setores de atividades econômicas, os números de 2015, até novembro, dão bem a dimensão do estado de tensão econômica na Província do Grande ABC. São Bernardo e Diadema, fortemente influenciadas pela quebra do setor industrial, somam mais perdas. As 7.829 demissões com carteira assinada no conjunto de trabalhadores de Diadema representaram variação negativa de 7,53%. Ou seja: de cada 100 empregados do estoque de Diadema, 7,53% tiveram a experiência de ver a carteira de trabalho carimbada por conta de demissão.


 


A situação de Diadema é tão grave que basta transportá-la ao Brasil para se ter ideia mais precisa e contundente dos estragos. O índice negativo de variação do emprego com carteira assinada no Brasil até novembro último era de 2,29%, para um total líquido de 945.363 demissões. Se o Brasil fosse Diadema, teríamos mais de três milhões (precisamente 3.108.551) trabalhadores no olho da rua em apenas 11 meses.


 


São Bernardo não fica muito atrás como símbolo de desastre anunciado. Os 15.390 trabalhadores demitidos neste ano (8.067 do setor industrial) são 5,39% do estoque de mão de obra em atividades em dezembro do ano passado. Se São Bernardo fosse o Brasil, em vez de 945.363 trabalhadores demitidos teríamos 2.225.112 milhões. Diadema e São Bernardo, que, juntos, reúnem mais de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) da região, são os casos mais complexos. Os demais municípios anotaram variações negativas de estoque de carteira assinada mais compatível com o conjunto dos municípios brasileiros.


 


Menos contrastes


 


A média nacional de variação negativa do emprego com carteira assinada até novembro último apontava 2,29%. Um pouco mais que os 2,15% de Santo André, um pouco menos que os 2,42% de São Caetano e bem abaixo dos 4,14% de Mauá.  A pequena Rio Grande da Serra sofreu pouco nesta temporada, com baixa de 0,38% no estoque de empregos com carteira assinada. Ribeirão Pires foi menos afortunada, com 3,18%.


 


Só a construção civil rivaliza com o setor industrial na Província do Grande ABC nesta temporada nas perdas de postos de trabalho. Em Santo André houve certo equilíbrio, com queda de 7,15% na indústria e 7,96% na construção. São Bernardo perdeu muito na indústria (8,59%), mas foi pior na construção civil (queda de 12,34%). Situação bem diferente da de Diadema, que perdeu muito na indústria (11,50%) e pouco na construção (1,80%). São Caetano resistiu bem na construção civil (a variação foi positiva em 3,07%) enquanto a indústria de transformação sofreu perda de 7,75%. Mauá foi muito mal na indústria (perda de 9,09% do estoque) e menos sofrível na construção civil (queda de 5,80%).


 


Com a chegada de janeiro e a contabilização dos estragos no mercado de trabalho em dezembro, os números que vão solidificar o desempenho econômico da Província em 2015 poderão ser apenas um refresco para os tempos bravios que se projetam ou ficarão marcados na história como o período mais arrasador deste século? Melhor é esperar. 


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