Economia

Gestão Marinho fracassa e PIB
de São Bernardo segue derretendo

DANIEL LIMA - 06/01/2016

A economia de São Bernardo, dependente da indústria automotiva, segue processo de derretimento. Nem a nova metodologia do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) adotada na medição do PIB (Produto Interno Bruto) salva a Capital Econômica da Província do Grande ABC da derrocada. As promessas do prefeito Luiz Marinho, há sete anos no Paço de São Bernardo e há pelo menos três décadas interlocutor influente do movimento sindical, ganharam a forma de lorotas. O modelo que ele desenhou para tirar São Bernardo das garras exclusivas do setor automotivo virou sucata. Nada surpreendente. Marinho não tem habilidades de empreendedor. O então sindicalista foi forjado sob a influência de quem sempre viu o capital como adversário a ser combatido. Como os dados mais recentes são de 2013, não custa imaginar o que vai acontecer quando as duas últimas temporadas de mergulhos automotivos emergirem. Enquanto isso, a sociedade regional, especialmente as instituições econômicas e politicas, hiberna.


 


A nova metodologia do IBGE, aplicada a partir da base de 2010, praticamente não alterou a rota de colisão da economia de São Bernardo nas barreiras do Desenvolvimento Econômico. O PIB do Município em 2013 (o mais atual da nova série) desmoronou quando comparado a 2010: ao perder mais de R$ 3 bilhões de geração de riqueza em forma de salários, investimentos, impostos, entre outros quesitos, São Bernardo deixou para traz tudo o que Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra geraram naquela temporada. Isso mesmo: somem tudo o que os dois municípios produziram em 2013 para chegar ao estrago de São Bernardo.


 


Região está congelada


 


Responsável por 40% do Produto Interno Bruto da região, São Bernardo comprometeu o desempenho regional quando se colocam para aferição os resultados de 2010 num ponta e os resultados de 2013 na outra ponta. Nesse período, o PIB da região avançou em termos nominais, sem considerar a inflação, exatos 20,41%. Partiu de um acumulado de R$ 95.363.205 bilhões para R$ 114.833.210 bilhões. Como a inflação do período foi de 19, 38% pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE, o crescimento do PIB regional foi marginal, de menos de 1%, ou precisamente de 0,86%.


 


A origem do congelamento do PIB da região, considerando os extremos de 2010 e 2013 com a nova metodologia introduzida pelo IBGE (não fosse a mudança haveria perda profunda da região), é mesmo o desempenho de São Bernardo. O PIB do Município de maior porte da região passou de R$ 42.559.739 bilhões em 2010 para R$ 47.688.531 bilhões em 2013. Esses são valores nominais, que desconsideram a inflação.


 


Quando se corrige pelo IPCA o total do PIB de 2010 de São Bernardo, projetando-o ao ano de 2013, o valor monetário deveria chegar a R$ 50.807.816 bilhões. A diferença entre o efetivamente consumado como geração de riqueza e o que deveria ser alcançado para que São Bernardo não acusasse perda alguma é de R$ 3.139.285 bilhões. Muito próximo da soma de tudo que Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra produziram na temporada de 2013. Um pouco menos que Bragança Paulista, por exemplo.


 


Estado de São Paulo cresce mais


 


Se São Bernardo houvesse apresentado desempenho econômico que refletisse a média do Estado de São Paulo, o rombo seria muito maior. A soma dos municípios paulistas, incluindo a Capital, saiu do PIB de R$ 1.294.649 trilhão em 2010 para R$ 1.708.221 trilhão em 2013. Uma diferença de 31,94% no período, contra a inflação de 19,38%. Ou seja: os municípios paulistas registraram no período um ganho efetivo de 174.607 bilhões, valor correspondente a crescimento real de 10,22%%. Se São Bernardo seguisse a média paulista, o PIB de 2013 no valor de R$ 47.688.531 bilhões seria de R$ 56.153.319 bilhões.


 


Dos municípios da Província do Grande ABC -- além de São Bernardo -- apenas Mauá do Polo Petroquímico de Capuava não evoluiu pelo menos na velocidade da inflação quando se compara o PIB de 2010 ao PIB de 2013. Foram apenas 7,68% de avanço em termos nominais. Muito abaixo, portanto, do IPCA de 19,38%. Diadema cresceu um pouco acima da inflação do período (22,83%). São Caetano (31,14%), Ribeirão Pires (34%) e Rio Grande da Serra (36,84%) avançaram em percentuais muito próximos ou pouco acima do consumado pelo Estado. Ribeirão Pires foi mais adiante, com 46,72%. Nada que, no conjunto desses municípios, houvesse gordura suficiente para compensar os desastres de São Bernardo e de Mauá. Principalmente de São Bernardo.


 


Doença Holandesa vigorosa


 


Esses resultados não deixam dúvida sobre o fracasso do prefeito Luiz Marinho na condução da área econômica de São Bernardo. As promessas de campanha eleitoral, reforçadas durante os sete anos de gestão, não passaram de lorotas. O setor automotivo segue como galinha de ovos de ouro de São Bernardo. Mas também se transforma em Doença Holandesa ante o grau de dependência dos resultados de produção e venda de veículos de passeio, utilitários, ônibus e caminhões. A indústria de veículos de São Bernardo está encalacrada entre outras razões porque não consegue fugir das amarras de um sindicalismo repleto de exigências e escasso de interesse num fator decisivo à competitividade nacional e internacional: produtividade.


 


Quando se constata que a produção de veículos em 2010 foi inferior a de 2013, com 3,406 milhões de unidades contra 3,710 milhões, e que mesmo assim São Bernardo despencou no PIB apurado pelo IBGE, as projeções para os anos subsequentes, de 2014 e 2015, quando o setor acusou duros golpes de redução do mercado consumidor, é possível construir cenários desalentadores.  Tudo indica que, quando forem anunciados os números das duas últimas temporadas, São Bernardo terá acusado perdas imensuráveis.


 


O IBGE divulga o chamado PIB Municipal sempre com dois anos de atraso. Os dados de 2014 só serão conhecidos ao final deste 2016 e os números de 2015 quando 2017 estiver terminando. O mercado automobilístico acusou perda de 27% da produção em 2015, quando comparado ao ano anterior, que também sofreu queda quando confrontado com 2013. Foram apenas 2,54 milhões de veículos que saíram das fábricas no ano recém-terminado.


 


Marinho prometeu demais


 


A gestão de Luiz Marinho fez muitas promessas para dinamizar a economia de São Bernardo e, com isso, retirá-la da zona de influência exagerada das montadoras de veículos. Anunciou a construção de um aeroporto internacional que não passou de anedota de mau gosto. Garantiu que faria do território um polo industrial da indústria de petrolífera e de gás. Sustentou que costuraria uma política voltada à multiplicação dos chamados Arranjos Produtivos Locais, que agregam valor à cadeia de produção e de serviços. E que pegaria carona para valer nos investimentos previstos para a construção da fábrica dos caças Gripen, ao transformar São Bernardo em endereço obrigatório de investimentos da indústria de defesa. A fábrica do Gripen, que ainda não saiu do papel, pode migrar para Goiás.


 


O que esperar de uma administração pública que passou sete anos mais preocupada com articulações macropolíticas do Partido dos Trabalhadores, embalando o sonho de disputar o governo do Estado em 2018? A debacle de São Bernardo supera em larga margem a própria debacle regional.


 


A Província do Grande ABC teima em aperfeiçoar o fracasso na área econômica entre outros motivos porque ficou dependente -- e preguiçosa demais -- com as benesses do setor automotivo. Não se deu conta de que novos empreendimentos aportariam no País e deslocariam o eixo de produção de forma incisiva e, com isso, reduziriam em termos relativos e também em valores absolutos a participação da região no universo regional de transformação de autopeças em veículos.


 


Só existe algo pior que a quebra do PIB de São Bernardo e o comprometimento do PIB da região nos últimos anos, depois de seguidas derrotas desse aferidor de riqueza produzida ainda nos moldes antigos: o descaso das autoridades públicas da região em darem prioridade absoluta a medidas que poderiam amenizar, em princípio, o tamanho do prejuízo que se acumula seja qual for a metodologia escolhida. De fato, não se trata nem mesmo de darem prioridade. Basta que não reduzam o debate econômico regional à quinquilharia de quarto de despejo.


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