Economia

São Bernardo perde mais massa
salarial com a crise econômica

DANIEL LIMA - 12/01/2016

Em novembro do ano passado, as empresas de São Bernardo deixaram de pagar R$ 58.071.063 milhões de salários após demitirem 18.171 trabalhadores do estoque registrado 12 meses antes. O resultado metabolizado por esta revista digital leva em conta os números oficiais do Ministério do Trabalho com base na média salarial dos trabalhadores empregados com carteira assinada em dezembro de 2014.   Isso significa que o teto estimado de quebra da massa salarial é flexível.


 


No total, a Província do Grande ABC sofreu rebaixamento de 42.383 postos de trabalho nos 12 meses pesquisados, acumulando perda coletiva de R$ 96.270.053 milhões de massa salarial em novembro último. Extrapolar os valores para toda a temporada é arriscado. Seria necessário produzir resultados levando-se em conta a perda de estoque de emprego mês a mês em cada Município da região.


 


Ou seja: a multiplicação dos valores monetários de novembro do ano passado, de dados mais atualizados, pelos 12 meses a partir de novembro de 2014, incidiria em equívoco. Quando o balanço de 2015 do Ministério do Trabalho estiver disponível, será possível estabelecer valores estruturais confiáveis sobre os estragos da temporada recém-encerrada.


 


Perda maior que o PIB


 


São Bernardo conta com 40% do PIB (Produto Interno Bruto) dos sete municípios, mas a massa salarial despedida chegou a 60,32% do total regional. O montante geral de redução do volume do assalariamento das empresas sediadas em São Bernardo não leva em conta a redução de vencimentos de trabalhadores que aderiram a programas especiais das empresas para enfrentar a crise econômica. Quase três dezenas de milhares de trabalhadores estão incluídos no PPE (Programa de Proteção ao Emprego) que reduz carga de trabalho e vencimentos mensais. Os efeitos do PPE, introduzido no ano passado, só serão conhecidos em meados deste ano, quando o Ministério do Trabalho deverá ter encerrado novas investigações sobre o mercado formal.


 


Da massa de salários que sofreram contração em São Bernardo, 76,70% vazaram de empregos do setor industrial que entraram para o obituário da crise. Dos R$ 58.071.063 milhões de desfalques de assalariamento em São Bernardo em novembro do ano passado, quando comparados a novembro do ano anterior, o setor industrial respondeu com R$ 44.545 milhões. A participação relativa da indústria no estrago salarial dá bem a dimensão do quanto São Bernardo depende da atividade automotiva, principal foco de incêndio de demissões.


 


Diadema também sofre


 


A proximidade que mantém com as matrizes econômicas de São Bernardo ao sediar grande parcela de autopeças que abastecem o Município vizinho colocou Diadema no olho do furacão. Tanto que registrou perda geral de R$ 24.661.595 milhões em novembro último -- sempre levando em conta a média salarial oficialmente diagnosticada pelo Ministério do Trabalho em dezembro do ano passado.


 


Quando se somam os demitidos de São Bernardo e de Diadema nos 12 meses encerrados em novembro do ano passado e se multiplicam os postos destruídos pelo salário médio de cada Município, chega-se ao total de R$ 82.732.658 milhões -- 86% do total da Província do Grande ABC. Ou seja: o impacto da indústria automotiva, que registrou queda de 25,6% na produção em 2015, é altamente destrutivo.


 


São Bernardo e Diadema perderam 27.232 trabalhadores nos 12 meses mencionados, do total de 42.383 da região. A participação relativa de perda de emprego dos dois municípios mais industrializados da região (64,25%) é inferior aos 86% dos valores drenados no rastro das demissões. Tudo porque a média salarial do setor industrial é mais elevada nos dois municípios. A média salarial dos trabalhadores industriais de São Bernardo em dezembro de 2014 era de R$ 4.799,10, enquanto Diadema registrava R$ 3.094,26. Já a média salarial geral nos dois municípios, que leva em conta todos os setores econômicos, é respectivamente de R$ 3.195,81 e R$ 2.721,73.


 


A participação relativa do emprego industrial em Diadema é elevadíssima: de cada grupo de 100 trabalhadores com carteira assinada, 49,29% estão nas fábricas. Em São Bernardo a proporção é menor, de 32,12%. Mesmo assim, muito acima da média de Santo André, que conta com apenas 15,50% trabalhadores na área industrial. 


 


Os outros municípios


 


Sempre considerando o estoque de empregos de novembro último em confronto com o estoque de empregos com carteira assinada de novembro de 2014, Rio Grande da Serra, o menor dos municípios da região, foi quem menos sofreu em números absolutos com a crise econômica. Foram eliminados do estoque geral apenas 42 trabalhadores, que representaram quebra de R$ 84.342 mil da massa de assalariamento. A média de remuneração geral no Município em dezembro de 2014 era de R$ 2.008,16 -- a menor da região.


 


Ribeirão Pires, de média salarial geral de R$ 2.094,79, perdeu em 12 meses 1.142 postos de trabalho, o que representou R$ 2.392 milhões de refluxo da massa de remuneração em novembro último. Bem menos que os R$ 8.674.385 milhões de Mauá, que perdeu 3.402 postos de trabalho no mesmo período. O valor médio do salário geral em Mauá é de R$ 2.549,79.


 


Santo André demitiu bem mais trabalhadores do que São Caetano no período pesquisado. Entretanto, como a média salarial geral é inferior, o resultado é de quase empate técnico. Santo André perdeu em massa salarial em novembro último o total de R$ 14.516.899 milhões por causa de 6.001 demissões no período de 12 meses. O salário médio geral no Município é de R$ 2.419,08. São Caetano perdeu massa salarial total de R$ 12.607.502 milhões, resultado de 4.564 demissões líquidas em 12 meses. Em média são R$ 2.762,38 por trabalhador.


 


Quando se confronta o total de valores de assalariamento que se perdeu na Província do Grande ABC em novembro do ano passado em relação a novembro do ano anterior (R$ 96.270.053 milhões) com a massa salarial geral que estaria disponível nas empresas caso não houvesse sido registrada mudança alguma no quadro de trabalhadores no período (R$ 2.274.213 bilhões), tem-se como resultado final a perda de 4,23%.


 


O balanço do Ministério Público referente a 2015 dará a exata dimensão dos estragos porque vai incorporar todas as nuances trabalhistas. No caso de São Bernardo, a perda relativa da massa de assalariamento chegou a 6,33%. Do total de R$ 917.405,197 milhões despendidos em dezembro de 2014, nada menos que R$ 58.071.063 milhões foram eliminados em novembro último com as demissões acumuladas em 12 meses.



 


Leiam também:


 



Perda industrial afeta fortemente assalariamento em Santo André


Leia mais matérias desta seção: Economia

Total de 2006 matérias | Página 1

08/04/2026 GILVAN ENFRENTA UMA GUERRA DE 65 DESAFIOS
07/04/2026 QUEM VAI PAGAR OS DANOS DO RODOANEL?
26/03/2026 REDUÇÃO DE IMPOSTOS É MESMO BOA NOTÍCIA?
25/03/2026 É IMPROVÁVEL GILVAN PERDER PARA PAULINHO
18/03/2026 MENOS RICOS E CLASSE MÉDIA NESTE SÉCULO
17/03/2026 PIB INDUSTRIAL: UM DESASTRE NO SÉCULO
12/03/2026 PIB PÓS-LULA DESABA 32% NO GRANDE ABC
11/03/2026 CLUBE SINDICAL ESTÁ PERDIDO NO TEMPO
09/03/2026 CLUBE ECONÔMICO TAMBÉM É FRACASSO
05/03/2026 DEMARCHI E O VEXAME DOS 100 MIL EMPREGOS
19/02/2026 EMPREGO INDUSTRIAL VAI CHEGAR À META?
04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC
03/02/2026 LULA ZERA ESTRAGO DE DILMA APÓS NOVE ANOS
29/01/2026 NÃO RIAM: COLÔMBIA É A GRANDE SAÍDA REGIONAL
22/01/2026 METRÔ PODE REPETIR DANOS DO RODOANEL
19/01/2026 UM SINDICALISTA COM A CABEÇA NO PASSADO
15/01/2026 IPTU AVANÇA SOBRE FORTE QUEDA DO ICMS
13/01/2026 IPTU EXAGERADO INIBE ECONOMIA REGIONAL
12/01/2026 GALPÃO E PÁTIO NÃO MUDAM GRANDE ABC