Mais 3.133 postos de trabalho com carteira assinada desapareceram do estoque das fábricas da região em dezembro passado. Os novos dados do Ministério do Trabalho elevam a catástrofe na principal atividade econômica da região e acelera a corrida da presidente Dilma Rousseff para dizimar o estoque de 60.563 empregos do setor construído pelo antecessor Lula da Silva. Isso significa que, provavelmente até o final deste ano, a Província do Grande ABC voltará a contar com estoque geral de trabalhadores industriais deixado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 2002. Nada mais inquietante quando se sabe que a indústria carrega a economia da região nas costas.
A contagem regressiva dos estragos provocados pela política econômica do governo petista e que dá sequência aos anos de chumbo regional do governo Fernando Henrique Cardoso não é brincadeira de parque infantil.
É apenas uma maneira de aplicar com didatismo algo que poderia até ser chamado de terrorismo informativo. Pouco estou me lixando para isso.
Sei que sei porque a literatura econômica e o comportamento psicossocial assim ensinam que uma sociedade incapaz de aprender com amor, certamente chegará ao juízo final com muita dor.
E querem dor maior que observar o resumo da ópera da economia da região em 2015 pelo ângulo do mercado de trabalho formal, com carteira assinada?
Demissões em massa
Foram para o ralo na temporada passada 42.771 trabalhadores ao se contabilizarem todas as atividades econômicas. A indústria, carro-chefe da economia regional, perdeu 57,27% desses postos de trabalho: foram 24.495 demissões líquidas, ou seja, entre contratações e demissões, no período.
Com isso, o estoque de empregados no setor industrial foi rebaixado para 214.227 carteiras assinadas. Eram 238.722 ao final do ano passado. Como desgraça pouca é bobagem, o setor industrial da região apontou perda de 19.828 trabalhadores em 2014, quando o PIB do País cresceu apenas 0,1%. Em 2015 terá caído 3,7%.
Quando se somam perdas de postos de trabalho industrial na região entre 2014 e 2015, chega-se a 44.323. Ou seja: em apenas duas temporadas seguidas, de encalacramento do setor automotivo, o governo Dilma Rousseff provocou a perda de mais da metade dos pouco mais de 80 mil empregos do setor que Fernando Henrique Cardoso acumulou ao longo de oito anos. Essa é uma marca que poderá ser superada nos próximos tempos.
Contraste desestimulante
Do estoque de 60.553 empregos industriais adicionais que Lula da Silva deixou nas fábricas da região durante oito anos de dois mandatos, restam apenas 29.766 após cinco anos de dois mandados de Dilma Rousseff. Trocando em miúdos: enquanto Lula da Silva criou em média 1.261 empregos industriais por mês na região, Dilma Rousseff destruiu 548. O resultado é a divisão da baixa de 32.899 postos de trabalho em 60 meses.
Se mantivesse a média mensal de empregos destruídos registrada desde que assumiu a presidência da República, Dilma Rousseff encerraria o segundo mandato sem levar a herança de Lula da Silva à bancarrota. O problema é que a média de demissões nos últimos meses tem permanecido muito acima disso. Os 3.133 empregos que sumiram em dezembro último são uma hecatombe.
Na média, em 2015, o setor industrial da região perdeu 2.041 empregos a cada 30 dias. Nesse ritmo, em 13 meses Dilma Rousseff terá eliminado o legado de Lula da Silva. Tudo indica que nos próximos meses a equipe econômica do governo federal não encontrará terapêutica que impediria novos desastres na área de emprego formal. Pior que isso: especialistas macroeconômicos apontam alguns meses adicionais de tortura.
Mais que a indústria
As perspectivas ao emprego formal na região são desoladoras. Pela primeira vez desde a implantação do Plano Real, em 1994, o saldo negativo do balanço anual incorpora outras atividades econômicas, além da indústria.
Nos piores momentos do emprego industrial, desde a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, o setor de serviços e comércio, principalmente, além da construção civil, atenuaram os efeitos da política econômica de descentralização da produção automotiva e de abertura das alfândegas.
Tanto que o terciário acentuou a proporcionalidade de maior número de trabalhadores. Na temporada de 2015 houve perda líquida de emprego também não industrial. Foram 18.276 postos de trabalho nas atividades de comércio, serviços, administração pública, construção civil, entre outras. O total representa um pouco menos que os 24.495 do setor industrial.
Embora em números absolutos a Capital Econômica da região, São Bernardo, tenha registrado em 2015 maior impacto no emprego industrial, com a demissão líquida de 8.952 trabalhadores, a crise bateu mais forte em Diadema, que perdeu 7.098 postos de trabalho no setor. A explicação é que houve rebaixamento mais incisivo quando se leva em conta o estoque de trabalhadores do setor após se contabilizar o número de demitidos líquidos. Diadema perdeu 13,17% dos empregos industriais nos últimos 12 meses. São Bernardo sofreu perda de 8,80%.
Para se ter ideia mais apropriada do que a redução do estoque de trabalhadores industriais em Diadema significa de peso econômico e social, basta projetar o que teria ocorrido com o Brasil como um todo na atividade se fosse aplicada a variação negativa da cidade da região. Na média, o emprego industrial no País sofreu queda de 7,41%, com perda liquida de 608.878 postos de trabalho. Se o Brasil fosse Diadema, a baixa do estoque geral seria de 1.082 milhão.
Queda concentrada
A dependência automotiva, que envolve atividades largamente ligadas à metalurgia, foi fatal para o comprometimento do emprego industrial na Província do Grande ABC no ano passado. Tanto que São Bernardo e Diadema, que concentram a maioria das empresas do setor, são responsáveis, em conjunto, pela quebra de 65,52% do emprego industrial da região.
No conjunto dos sete municípios da região, a variação negativa do emprego industrial em 2015 chegou a 10,26%. Está acima da média geral do Brasil (7,41%), da Região Metropolitana de São Paulo (8,54%), do Estado de São Paulo (8,25%) e da cidade de São Paulo (7,74%). O estoque do emprego industrial na região em dezembro do ano que acabou de terminar (214.227) representa 2,81% dos 7.608.099 milhões de empregos no Brasil.
Em termos relativos, o emprego industrial participa com 27,60% do estoque de emprego geral na região. A média do emprego industrial no Brasil é de 19,16%. Ou seja: a crise do setor de transformação industrial sempre penalizará mais a economia da região. Sobretudo porque está vinculada demais a uma atividade – o setor de autopeças e de montadoras de veículos – cada vez mais acirradamente disputada por companhias internacionais que desembarcaram em massa no País.
É a consumação de um desastre cumulativo. A ociosidade média de produção das montadoras no ano passado chegou a 46% e não há perspectivas no curto e no médio prazo de mudança significativa no cenário nacional.
Dilma Rousseff dificilmente deixará de constar da história da economia regional como a presidente da República que mais destruiu empregos industriais. Conseguirá, portanto, superar Fernando Henrique Cardoso. Uma façanha que parecia impossível quando o tucano deixou a presidência da República em dezembro de 2002 e deixou em termos nacionais um legado de mudanças estruturais que o PT manteve apenas no primeiro mandato de Lula da Silva. Deu no que está dando.
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