Sociedade

Um doce de batata doce para quem
acertar o autor dessa declaração...

DANIEL LIMA - 26/01/2016

Que declaração? Calma, calma que vou reproduzir o que disse um dirigente de entidade da região. Faço questão de colocar a declaração no ar porque tem tudo de explicativo às manifestações críticas que fiz ao longo dos anos neste espaço. Duvido que os leitores mais antenados não saibam o endereço da crítica em forma de elogio. Sim, crítica em forma de elogio, porque há situações em que se recomenda muito jogo de cintura para que se preservem cristais, mesmo que a vitrine seja desmontada. Vamos então à declaração tão esperada? Leiam:


 


 O que ocorreu é que não havia ninguém interessado em ficar na presidência e como o estatuto permitia, os associados mantinham (...) na presidência. O trabalho dele foi importante para consolidar a entidade, mas ele mesmo achou que era hora de mudar e todos nós concordamos. A mudança no estatuto visa profissionalizar nossa associação.


 


Antes, as explicações


 


Antes de revelar o autor da declaração acho que vale a pena dissecar o conteúdo.


 


Quando o entrevistado afirma que “O que ocorreu é que não havia ninguém interessado em ficar na presidência e como o estatuto permitia, os associados mantinham (...) na presidência”, o subconsciente do dirigente pode ser traduzido com as seguintes palavras: “O que ocorreu é que não havia ninguém interessado em ficar na presidência tendo como preço subjugar-se às vontades dele, de modo que evidentemente ele se eternizou no cargo”.


 


Outra frase do dirigente entrevistado: “O trabalho dele foi importante para consolidar a entidade, mas ele mesmo achou que era hora de mudar e todos nós concordamos”. Leia-se, na verdade, o seguinte: “O trabalho dele foi importante para consolidar a entidade como modelo de esclerosamento institucional que contou com a covardia ou o desinteresse da maioria dos integrantes da classe até que um movimento se formou e determinou novas regras que o tiraram do campo de jogo de forma diplomática para não manchar a imagem associação”.


 


A terceira frase da declaração do dirigente é a mais emblemática de que o que foi dito não passou de manifestação educada e respeitosa de quem sabe que precisa construir pontes destroçadas pelo antecessor, alvo de suas manifestações. Leiam o que disse o dirigente: “A mudança no estatuto visa profissionalizar nossa associação”. A leitura subliminar ou não é a seguinte: “A mudança no estatuto que acabou com a farra de perpetuidade no cargo visa profissionalizar nossa associação até então uma reprodução fiel do que existe de mais mal-acabado em matéria de compromisso com os parceiros de jornada e com a sociedade”.


 


Identidade evidente


 


Creio cá com meus botões que os leitores mais assíduos desta revista digital e mesmo os ocasionais que conhecem a Província do Grande ABC na imensa incapacidade de gerar bons resultados institucionais sabe de quem estamos tratando. É do ex-presidente do Clube dos Construtores e Incorporadores do Grande ABC, o vitorioso empresário Milton Bigucci. A entrevista foi concedida pelo recém-eleito presidente, Marcus Santaguita, ao jornal digital Repórter Diário.


 


Santaguita é um moço polido, educado, aparentemente inabalável na calma que mantém ante olhares públicos. Ele revelou àquela publicação o que já publicamos nesta revista digital: pretende ampliar o quadro de associados contando para tal com a imensidão de construtores de pequeno porte, especialmente sediados em Santo André, único Município da região a contar com legislação de ocupação e uso do solo que democratiza a produção de habitações a preços competitivos para camadas sociais de classe média baixa.


 


Marcus Santaguita rompe com o circuito de ferro deixado por Milton Bigucci em forma de privilégios a médias e grandes empresas de construção.  Entretanto, sabe Santaguita que o buraco é mais embaixo. Há necessidade latente de se espalharem por todo o território regional os pressupostos de dar vez aos pequenos construtores. Como disse o dirigente ao Repórter Diário: “Esse mercado cresceu bastante e se profissionalizou. Uma mudança importante que temos de reconhecer”.


 


Acertadamente, Marcus Santaguita lembrou que os pequenos negócios não concorrem com as empresas de maior porte porque os lançamentos atendem a públicos distintos. “Nossa representação ficará mais completa (com a inclusão dessa categoria), mas não é só isso. Acredito que nós podemos ajudá-los em demandas específicas no que diz respeito à legislação, e, com certeza, temos todas as condições de oferecer apoio técnico, o que profissionalizará ainda mais esse segmento” – afirmou.


 


Enfrentado leões enfurecidos


 


Não custa lembrar aos leitores que foi este jornalista, tido por prevaricadores confessos ou enrustidos, e principalmente pelos bandidos sociais, como elemento a ser eliminado do jornalismo regional, porque incômodo, foi este jornalista, nesta publicação digital cada vez com maiores índices de leitura qualificada, quem comprou a briga dos pequenos construtores de Santo André (vejam link logo abaixo) na busca por um mercado imobiliário menos constrangedor aos conceitos concorrenciais.


 


Não é preciso dizer que o então presidente do Clube dos Construtores, na época Clube dos Especuladores, se mostrou contrário à iniciativa que, na base principal da entidade, São Bernardo, praticamente extinguiu os pequenos construtores ante a avalanche dos grandes negócios imobiliários bafejados por um dos principais aliados daquela instituição, o prefeito Luiz Marinho.


 


O presidente Marcus Santaguita e a nova diretoria do Clube dos Construtores têm muito a realizar nos próximos dois anos. Um dos pontos principais é o máximo de transparência. Entre as medidas, Santaguita precisa tornar pública a lista de associados. Afirma o novo presidente que se trata de um grupo de 80 organizações. Tenho informações de fontes confiáveis que o universo é vergonhosamente menor ainda. O Clube dos Construtores deixado por Milton Bigucci mal sustenta a frágil estrutura de recursos humanos. Precisaria recorrer ao Secovi, Sindicato da Habitação, para enfrentar as despesas.


 


Por mais que entenda que a diplomacia nestes primeiros meses de gestão poderá facilitar as relações internas e externas do Clube dos Construtores, Marcus Santaguita e dirigentes com os quais divide a entidade vão ter de chutar a porta da hipocrisia e mostrar em detalhes os escombros que encontraram, com os respectivos projetos de recuperação do tempo perdido.


 


Como se pode constatar, o doce de batata doce do título foi um estratagema para chamar a atenção a um texto que ratifica sem rasuras a longa estrada de informações e análises que construímos sobre essa que deveria ser a principal agremiação empresarial da região.


 


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