Economia

São Bernardo em
busca de emprego*

DANIEL LIMA - 26/04/2007

Empossado no final do mês passado, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo vai reunir-se para valer neste 10 de abril com uma prioridade que mobilizará os 29 integrantes dessa instância liderada pelo prefeito William Dib: o desemprego. Não era sem tempo, porque os últimos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego confirmam a flacidez do setor industrial de São Bernardo mesmo diante da discreta mas estável recuperação do emprego do setor no Grande ABC, depois do dilúvio da abertura econômica destrambelhada e da guerra fiscal insana dos anos 1990.


Nos dois primeiros meses deste ano, São Bernardo gerou apenas 323 empregos industriais com carteira assinada. Isso significa 21,5% do total de 1.498 registrados pela região, muito abaixo da participação relativa de 40% da economia da cidade no Valor Adicionado, medida que ajuda a aferir o tônus da indústria de transformação e sua repercussão na cadeia econômica e social.


O Banco de Empregos de São Bernardo não se limitará ao setor industrial, mas a base de riqueza forjada no setor automotivo provavelmente ocupará maiores preocupações do secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo e secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Fernando Longo. "Este é um momento muito importante para São Bernardo, porque iniciamos um trabalho de parceria a favor do setor produtivo e dos trabalhadores" -- disse Fernando Longo durante a cerimônia de posse dos conselheiros. O secretário explica que o sistema funcionará da seguinte forma: as empresas oferecem as vagas, os trabalhadores se cadastram e as instituições de ensino capacitam os desempregados para preencherem as exigências.


Ufanismo, não!


O prefeito William Dib ocupou a tribuna do Teatro Cacilda Becker sem se deixar levar pelo triunfalismo comum de agentes políticos. Ele desfiou uma mensagem que, sem ser atemorizadora, distanciou-se também do oba-oba politicamente correto de cerimônias em que autoridades públicas jogam para baixo do tapete as dificuldades sociais e econômicas: "Precisamos de desenvolvimento econômico para reduzir as desigualdades sociais e a pobreza" -- reconheceu Dib a situação de uma cidade que, segundo sistematização de dados do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos), laboratório virtual associado a LivreMercado, perdeu 28% de geração de riqueza industrial por habitante entre janeiro de 1996 e dezembro de 2005.


O Conselho de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo não tem formato inédito, mas sugere que haverá reação local contra indicadores econômicos das duas últimas décadas. Há coalização de agentes públicos, privados e sociais na preparação da alça de mira de institucionalidade capaz de acelerar o ritmo de desenvolvimento.


E o emprego industrial é um dos indicadores mais confiáveis. São Bernardo perdeu 36.373 postos de trabalho com carteira assinada na indústria durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, média de 378 por mês. Com Lula da Silva, nos 48 meses do primeiro mandato e nos dois primeiros meses do segundo, São Bernardo somou a contratação de 6.836, o que dá a média de 136 por mês. Bem menos que a média de 233 de Diadema, líder regional em efetivação de trabalhadores industriais formais com o total de 11.645 postos durante o mesmo período.


No conjunto da obra de 50 meses contabilizados do governo Lula da Silva, o Grande ABC registrou saldo de 34.099 empregos industriais, média de uma nova fábrica com 682 trabalhadores a cada 30 dias. Já com Fernando Henrique Cardoso o Grande ABC perdeu 82.231 empregos industriais no período de janeiro de 1995 a dezembro de 2002, ou a desativação de uma fábrica de 856 profissionais com carteira assinada em cada um dos 96 meses dos dois mandatos presidenciais.


* Matéria publicada na edição de abril da revista LivreMercado.


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