Economia

Acabou a febre de
empreendedorismo

DANIEL LIMA - 05/07/2004

Acabou a febre multiplicadora de pequenas indústrias no Grande ABC, na esteira do monstruoso desemprego industrial que decepou 100 mil postos de trabalho durante os anos 1990. Nos últimos 60 meses completados em dezembro do ano passado, o saldo de unidades industriais no Grande ABC foi rebaixado duramente. Dados do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) do Ministério da Fazenda acusam que entre dezembro de 1998 e dezembro de 2003 o Grande ABC viu desaparecerem 1.665 empresas industriais. 


Faltam estatísticas oficiais de períodos anteriores, mas a lógica regional é simples: da mesma forma que brotaram pequenos negócios industriais na primeira metade dos anos 90, os efeitos do enxugamento de fornecedores, do congelamento do PIB (Produto Interno Bruto) per capita e da competitividade cada vez mais dura derrubaram muitos empreendimentos de pequeno porte, geralmente sem escala de produção.


O definhamento numérico de empreendimentos registrados pelo Ministério da Fazenda agrava o quadro socioeconômico porque enfatiza a compactação do universo industrial. Oficialmente, segundo o Ministério da Fazenda, o Grande ABC contava em dezembro do ano passado com 7.824 unidades produtivas, contra 9.489 em dezembro de 1998. 


Abrangência de perdas 


O consolo regional é que o fenômeno atingiu grandes e médios municípios paulistas, já que desapareceram dos registros do CNPJ 34.787 indústrias paulistas. Desse total, 61,33% estão num conjunto de 13 municípios — além dos sete do Grande ABC, São Paulo, Guarulhos, Osasco, São José dos Campos, Campinas e Sorocaba. A geografia paulista contava com 178.914 indústrias em dezembro de 1998, contra 144.127 em dezembro de 2003. Uma quebra de 19,44%. 


Estado da Federação que mais sofreu com a guerra fiscal porque o governo paulista insistiu em ignorar o avanço da competitividade proporcionada por fatores tributários, São Paulo comprometeu o desempenho nacional de empreendedorismo industrial. Em 1998 o Brasil contava com 558.757 indústrias e a participação do Estado de São Paulo chegava a 32,02%.


Cinco anos depois, em dezembro de 2003, o Brasil passou a registrar 584.799 indústrias juridicamente formalizadas e a participação relativa de São Paulo foi reduzida a 24,64%. Com a inclusão dos números negativos dos paulistas, a indústria nacional apresentou avanço de apenas 4,66% em unidades. Retirando-se os paulistas, o ganho do País chega a 16%. Enquanto os paulistas perderam 34.787 unidades, o restante do Brasil ganhou 60.829. 


Anos de negatividades


Embora a relação entre unidades, número de empregos formais e geração de riqueza industrial (Valor Adicionado) não seja necessariamente simétrica, o Grande ABC dos 60 meses pesquisados pelo IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos) foi convergentemente negativo. O efetivo de empregados industriais foi reduzido em 7.212 postos e no Valor Adicionado o crescimento nominal de 38,52% se comportou muito aquém da evolução inflacionária medida pelo IGPM da Fundação Getúlio Vargas, que chegou a 98,51%.


O G-3 paulistano, formado por São Paulo, Guarulhos e Osasco, perdeu 19.917 unidades industriais, registrou acumulado de 4.116 empregos formais e crescimento nominal do Valor Adicionado de 55% — abaixo portanto dos 98,51% inflacionados. O G-3 interiorano, formado por Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, espécies de Capitais de regiões metropolitanas, registraram perda de 1.419 unidades industriais, comemoraram saldo de 11.185 empregos formais industriais e cresceram em conjunto, nominalmente, 62,70% em Valor Adicionado no período de 60 meses, também abaixo do IGPM.  


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