A economia da Província do Grande ABC está derretendo há cinco anos – depois de breve intervalo de aquecimento durante o governo consumista de Lula da Silva -- e vai terminar esta temporada com números semelhantes (ou até mesmo piores) aos do fundo do poço após oito anos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Trocando em miúdos: o PT nascido na região conseguirá a façanha de atrasar o desenvolvimento econômico da região ao nível deixado por FHC.
A grande diferença é que o tucano pelo menos organizou relativamente bem os fundamentos macroeconômicos do País, enquanto o PT transformou a atividade economia numa casa da sogra e as finanças públicas numa barafunda de transgressões à Lei de Responsabilidade Fiscal que culminaram no impeachment da presidente Dilma Rousseff.
E por ironia do destino ou consequência natural do modelo ultrapassado de desenvolvimento econômico protecionista que sindicalistas petistas impingem à região há mais de três décadas, São Bernardo lidera a derrocada regional.
Capital Nacional de Veículos, São Bernardo registrou numa comparação ponta a ponta nos cinco anos do governo Dilma Rousseff uma montanha de perdas. Só em 2015, comparado com o ano anterior, perdeu 22,80% do Valor Adicionado. Os números não serão diferentes nesta temporada.
Quando setembro do ano que vem chegar, os dados de 2016 vão causar novos constrangimentos a dirigentes sindicais, políticos de entidades empresariais que praticamente nada fazem para tentar mudar a rotina.
A dependência excessiva do setor automotivo colocou São Bernardo a nocaute também neste ano, quando a produção automobilística será ainda mais inferior à registrada em 2015. Sem contar que o PIB (Produto Interno Bruto), que caiu 3,8% no ano passado, deverá sacramentar marca apenas um pouco inferior neste ano.
Os dados do Valor Adicionado divulgados oficialmente pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo antecipam a queda do PIB de São Bernardo e dos demais municípios da região em 2015, cujos números só serão conhecidos em dezembro de 2017.
Antecipação do PIB
A divulgação dos dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) se dá sempre com dois anos de atraso. Em dezembro deste ano vai ser conhecido o PIB dos Municípios de 2014, quando o PIB Nacional, já fartamente divulgado, avançou apenas 0,1%. Por conta dessa defasagem temporal a avaliação dos números do Valor Adicionado é tão oportuna quanto indispensável.
O que temos, com o diagnóstico baseado no Valor Adicionado, é espécie de avant-première dos estragos que se confirmarão mais tarde. E disso sempre cuidamos nos espaços de comunicação em que atuamos. Há quem prefira dourar a pílula de modo a servir interesses deslocados do cotidiano regional de empobrecimento contínuo.
Nos cinco primeiros anos de Dilma Rousseff à frente do governo federal, o Valor Adicionado da Província do Grande ABC sofreu queda de 23,90% em relação ao último ano da administração de Lula da Silva, em 2010. Esse resultado não contabiliza, portanto, os desastres deste 2016, cujos resultados devem ser integralmente debitados da conta petista, embora Dilma Rousseff já tenha sido apeada do cargo. O governo Michel Temer, nestes primeiros meses pós-afastamento da petista, está apenas tentando apagar o fogo de uma multicrise política, econômica e criminal.
O conjunto de sete municípios da região registrou em dezembro de 2010 – último ano de Lula da Silva -- o total de R$ 64.602.636 bilhões de Valor Adicionado. Para que não se registrasse retrocesso algum ao final de cinco anos, ou seja, em 2015, corrigindo-se os valores pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE, a região teria que contabilizar em dezembro do ano passado R$ 90.824.846 bilhões. O valor monetário corresponderia ao montante original acrescido de 40,59%, que foi a inflação do período.
O total apontado pelos dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo em dezembro de 2015 chegou a R$ 69.113.424 bilhões. Uma diferença negativa de 23,90%. Ou de R$ 21.711.422 bilhões, montante que corresponde ao Valor Adicionado de Jundiaí em 2015. Jundiaí é um dos municípios que integram o G-22, grupo dos sete representantes da Província do Grande ABC e os 15 maiores municípios do Estado de São Paulo, exceto a Capital.
Queda quase generalizada
Quem mais perdeu Valor Adicionado nos cinco primeiros anos do governo de Dilma Rousseff foi São Bernardo. A queda chegou a 36,78% no período. Em 2010 São Bernardo contabilizou Valor Adicionado de R$ 30.593.499 bilhões em valores nominais, sem influência inflacionária. Quando se aplica correção monetária utilizando o IPCA, São Bernardo teria de contar com Valor Adicionado de R$ 43.011.400 bilhões em 2015. Os números reais são desastrosos: apenas R$ 27.190.958 bilhões foram gerados com produtos e serviços em 2015.
Depois de São Bernardo quem mais perdeu – e não poderia ser diferente, dada a dependência econômica das pequenas e médias indústrias locais das grandes montadoras da cidade vizinha – foi Diadema, que somou no ano passado R$ 9.144.104 de Valor Adicionado. O resultado está bem abaixo dos R$ 11.918.101 bilhões que Diadema gerou de Valor Adicionado quando se aplica a atualização monetária aos R$ 8.477.204 bilhões de 2010.
Santo André ocupa a terceira posição no ranking de queda do Valor Adicionado entre 2010 e 2015 na região, com 15,47%. Os R$ 8.829.153 bilhões originais saltam para R$ 12.412.906 bilhões com a aplicação do IPCA mas viraram apenas R$ 10.492.100 na realidade produtiva.
São Caetano também dependente em larga escala do setor automotivo, embora em menor proporção que São Bernardo, também caiu pelas tabelas no Valor Adicionado durante os cinco anos do governo Dilma Rousseff quando contrapostos ao último ano do governo Lula da Silva. Os R$ 9.017.597 bilhões registrados em 2010 viraram R$ 10.868.583 bilhões em 2015. A aplicação da inflação de 40,59% do IPCA obrigaria São Caetano a contar com Valor Adicionado de R$ 12.677.839 ao final do ano passado. Daí a perda de 14,27% no período. Quase tanto quanto Santo André.
A pequena Rio Grande da Serra também viu o Valor Adicionado abalroado pela política econômica do governo federal nos cinco anos de Dilma Rousseff, com perda de 10,72% quando se comparam dados de 2010 e de 2015. Rio Grande da Serra registrou Valor Adicionado de R$ 207.618 milhões em 2010, ante R$ 260.608 milhões em 2015. Com a correção monetária, deveria ter somado R$ 291.890 milhões no ano passado.
Mauá e Ribeirão Pires são exceções no mar de vazamentos da Província do Grande ABC. Mauá cresceu 4,71% no período, graças ao setor petroquímico, enquanto Ribeirão Pires avançou 1,53%. Mauá contava em 2010 com Valor Adicionado de R$ 6.480.044 bilhões e somou R$ 9.540.079 bilhões em 2015. Com correção monetária, para não acusar perda entre as duas pontas da comparação, não poderia contabilizar menos que R$ 9.110.294 bilhões. O resultado final foi favorável a Mauá em mais de R$ 400 milhões. Bem mais que os pouco menos de R$ 200 milhões amealhados por Ribeirão Pires, que registrou Valor Adicionado nominal de R$ 997.521 milhões em 2010 e Valor Adicionado de R$ 1.616.992 bilhão cinco anos depois. Pela correção monetária, não teria perda se registrasse R$ 1.402.415 bilhão.
Desastre anunciado
Tudo indica que ao final desta temporada o total geral do Valor Adicionado da Província do Grande ABC será semelhante ou provavelmente inferior ao Valor Adicionado corrigido pelo IPCA deixado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 2002. Ou seja: a região retrocederá 14 anos na geração de riqueza com produtos e serviços. A explicação não foge à lógica da economia.
Em valores atualizados a dezembro do ano passado, os R$ 26.441 bilhões de Valor Adicionado deixados por FHC corresponderiam a R$ 59.466,480 bilhões. Pouco mais de R$ 10 bilhões abaixo do registrado pelos sete municípios locais em 2015.
Ou seja: mesmo com o desastre chamado Dilma Rousseff, sucessão dos desarranjos dos últimos anos de Lula da Silva, os governos petistas encerraram a temporada de 2015 oferecendo à região vantagem de 15% em geração de riqueza.
Entretanto, quando forem apurados os dados do Valor Adicionado deste 2016, será muito improvável que pelo menos um empate técnico desastroso não seja consumado. A explicação também está ancorada na economia.
A previsão de que a Província do Grande ABC sofrerá dura queda na geração de riqueza sob o conceito de Valor Adicionado fará com que os R$ 69.113.424 bilhões de 2015 sejam bem menos ao final deste ano. Já os R$ 59.466.480 bilhões (em valores atualizados a dezembro do ano passado) de Fernando Henrique Cardoso serão certamente próximos a R$ 63 bilhões ao final do ano quando da aplicação da correção monetária de previstos 7,00% desta temporada.
Nem o mais devotado dos petistas ousaria imaginar tamanha catástrofe. Principalmente depois de os oito anos do governo Lula da Silva ampliar consideravelmente o Valor Adicionado à base de muita receita tributária e abertura ensandecida dos cofres para industrializar uma nova classe média que só existiu na imaginação dos triunfalistas de plantão – ou dos muito mal informados sobre conceitos que definem classe média de verdade.
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08/04/2026 GILVAN ENFRENTA UMA GUERRA DE 65 DESAFIOS