A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo se prepara para tirar do papel as primeiras ações para revitalizar a atividade depois da entrega dos estudos da Ruschmann Consulting. O maior desafio é conseguir traduzir para a realidade as propostas apresentadas pela empresa paulistana contratada há dois anos para dissecar o potencial turístico do Município. Em fevereiro deste ano, foram entregues à administração pública dezenas de pastas com pesquisas e estatísticas que precisam ser entendidas para, na prática, tornarem-se planos eficazes de incentivo ao setor.
Quem está com olhos grudados em cada página do estudo é o assistente de desenvolvimento econômico e coordenador da divisão de turismo, Paulo Henrique Tinoco. À primeira vista, ele já sabe que é preciso encontrar o caminho certo para transformar o turismo em fator de influência no desenvolvimento econômico equilibrado de uma cidade ainda bastante industrializada, essencialmente metropolitana, banhada pela Represa Billings e inserida na Mata Atlântica. “Não podemos errar na hora de encontrar as prioridades do setor. Os recursos são escassos e precisam ser bem aplicados” — argumenta.
Definição de perfil
A principal contribuição do trabalho da Ruschmann para os planos municipais foi a definição do perfil de quem frequenta os pontos turísticos da cidade, que vão desde o ecoturismo no Parque Estoril até o leque gastronômico da Rota dos Restaurantes no Bairro Demarchi.
O melhor exemplo do que poderá ser feito com as estatísticas foi o redirecionamento de público do Parque Estoril, há dois anos. O parque foi destacado como ponto forte do ecoturismo no último mapeamento feito pela Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), mas há pouco tempo era motivo de tormento para os vizinhos e também sofria com a degradação ambiental dos visitantes. “Tínhamos sério problema com a falta de educação de quem visitava o parque. As famílias deixaram de frequentar o Estoril e os vizinhos reclamavam da desordem causada nas redondezas. Mudamos algumas normas e hoje sentimos os efeitos” — conta o coordenador da divisão de turismo.
A principal alteração foi o aumento da taxa de entrada dos ônibus, de R$ 59 para R$ 200. O resultado foi a queda no número de visitantes, mas Tinoco assegura que quem vai ao Estoril atualmente consegue aproveitar melhor o espaço. O Parque Estoril tem 373 mil metros quadrados e áreas com quiosques, zoológico com 270 animais e a prainha banhada pela Billings. Como 250 mil metros quadrados são áreas de preservação ambiental, a capacidade do Estoril é de 10 mil pessoas ao mesmo tempo. A Ruschmann e a Emplasa também destacam no ecoturismo a reabertura com passeios monitorados da Estrada Velha do Mar, iniciativa do governo do Estado, e a necessidade de melhor exploração do turismo náutico nas prainhas da Billings no Riacho Grande.
Definindo corredores
São Bernardo também formatou corredores bastante tradicionais de atração de público, como a Rota do Frango com Polenta, a Rota dos Motéis e a Rota de Diversão na Avenida Kennedy. Mas ainda há muita reivindicação de proprietários e sugestões dos frequentadores que precisam ser analisadas para dar potencialidade a esses roteiros.
A mais famosa rota gastronômica do Grande ABC, que ficou conhecida pela excelência em servir frango com polenta frita, perdeu força ao longo da última década com o abandono da manutenção das vias de acesso e pela segurança deficitária.
Além disso, o trabalho de divulgação para outras áreas da Região Metropolitana de São Paulo se fez urgente, já que grande parte das empresas que forneciam clientela aos 13 restaurantes do corredor gastronômico evadiu-se ou diminuiu sensivelmente o número de funcionários. Mas de concreto apenas novas taxas municipais, como cobranças mais elevadas para manutenção da rede de água e esgoto e o controle de consumo dos poços artesianos.
Tanto a rota dos restaurantes quanto a rota de diversão da Avenida Kennedy estão inclusas no pacote de atrações para o turismo de negócios, que é a principal engrenagem do setor regional. “Os números não são exatos, mas a média anual de ocupação dos hotéis nos dias úteis gira em torno de 60%. São esses hóspedes que procuram por diversão e essa é nossa prioridade” — evidencia Tinoco.
70% de fora
A Ruschmann Consulting constatou que 70% dos frequentadores de bares e casas noturnas não são moradores de São Bernardo e que quem procura por badalação tem renda média mensal entre sete e 15 salários mínimos. “Essa é uma ferramenta para transformar o turismo em fator de desenvolvimento econômico equilibrado. Com esses dados em mãos, podemos atrair negócios, gerar emprego e atender às necessidades dos frequentadores” — acredita Tinoco.
Outro canal de atração de turistas é a Cidade da Criança. O parque virou a única opção de diversão para crianças na faixa etária inferior a 12 anos, já que outros endereços priorizam brinquedos com mais emoção e proibidos para menores. “Precisamos agora melhorar as relações com quem tem licença dos brinquedos para que a Prefeitura consiga angariar mais recursos e reverter em benfeitorias” — explica Tinoco.
A taxa de licença do brinquedo do parque é de 25% sobre o faturamento. Para o coordenador da divisão municipal de turismo, o valor é baixo e precisa ser repensado para que o poder público consiga gerar recursos e oferecer melhorias. Mas quem está com os brinquedos instalados na Cidade da Criança também assistiu ao longo de três décadas queda da frequência, que nos anos 70 chegou a ser de 12 mil visitantes por final de semana e hoje gira em torno de mil.
Fórmulas antigas
Até mesmo fórmulas antigas de fomento ao turismo em São Bernardo voltam a ser citadas, como as feiras de móveis, malhas e outros eventos temáticos similares de fim de ano que chegavam a ter média de 70 mil visitantes. Os estúdios da Vera Cruz, que sediavam essas feiras e foram cogitados para ancorar um megacentro de exposições, convenções e entretenimento ao lado da Cidade da Criança e do antigo Fórum da Justiça, acabaram sendo terceirizados para companhias de cinema.
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