O Estado ainda não tem uma solução para financiar o maior e mais caro segmento da asa sul do Rodoanel, que liga a rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo, ao Embu, onde termina o trecho oeste já construído. O governador Geraldo Alckmin comprometeu-se a realizar com recursos estaduais a parte que liga a Avenida Papa João XXIII, em Mauá, com a Via Anchieta em São Bernardo e se dispõe a buscar no Exterior o capital necessário para conclusão do projeto. Uma novidade são os entendimentos com a Ecovias, que opera o sistema Anchieta-Imigrantes.
A concessionária poderá realizar a ligação do Rodoanel entre as duas rodovias em troca da extensão do contrato com a Anchieta-Imigrantes de 20 para 30 anos. Porém, sem os demais dois terços da alça sul do Rodoanel fazendo a ligação com o trecho oeste, o Grande ABC fica com um projeto inacabado e com duvidosa capacidade de reanimar a economia.
O trecho sul do anel metropolitano soma 53,8 quilômetros e a viabilização dos dois primeiros segmentos é uma solução barata. A ligação entre Mauá e a Via Anchieta teria cerca de 10 quilômetros e custo aproximado de R$ 370 milhões. A continuidade do Rodoanel — os 6,7 quilômetros entre a Anchieta e Imigrantes — exigiria outros R$ 280 milhões. As duas obras representam aproximadamente um terço do custo total do trecho sul, avaliado em R$ 1,9 bilhão.
Cadê o dinheiro?
De onde sairia o dinheiro para construir a maior parte do anel, onde se incluiu uma ponte de 1,8 quilômetro sobre a Represa Billings? “O trecho entre a Imigrantes e a Régis Bittencourt ainda não está equacionado financeiramente” — reconhece Renato Maués, coordenador de infra-estrutura do Consórcio de Prefeitos do Grande ABC.
Uma resposta pode estar na viagem que o governador Geraldo Alckmin pretende realizar ainda este mês ao Japão, quando assinará contrato com o JBIC (Japan Bank for International Cooperation) para construção da Linha 4 do Metrô da Capital.
Alckmin poderá negociar o financiamento do maior segmento do trecho sul e conta com sua nova lei de PPP (Parceria Público-Privada), que permite aporte de capitais privados em obras do governo estadual. “O governador quer dar uma solução financeira para todo o trecho sul, mas apenas a ligação entre Mauá e a Anchieta-Imigrantes já atenderia a uma demanda que articula a ligação entre o Grande ABC com as rodovias Ayrton Senna, Dutra e Fernão Dias” — aposta Maués.
Na Zona Leste
As expectativas são de que mesmo uma asa sul incompleta teria sinergia logística com as três rodovias por meio da ligação da Avenida Jacu-Pêssego, na zona Leste da Capital. Mas a mesma facilidade de escoamento de mercadorias que se apresenta ao Grande ABC existe também na Capital, onde a prefeita Marta Suplicy sancionou no mês passado lei que cria base legal para o Programa de Desenvolvimento Econômico da Zona Leste, que visa a atrair investimentos e gerar empregos nessa área de divisa com a região. Até mesmo o projeto do Campus Leste da USP (Universidade de São Paulo) na Capital reforça a atratividade do local. Um potencial empreendimento seria disputado por dois pólos, um dos quais, a zona Leste paulistana, já conta com arcabouço legal montado para atrair investimentos.
A meta da prefeita é transformar o eixo da Avenida Jacu-Pêssego, por onde deverá passar o tráfego do trecho sul do Rodoanel, num novo centro empresarial. Depois de perder inúmeros investimentos para os municípios beneficiados pelo trecho oeste do Rodoanel, sobretudo Osasco e Barueri, o Grande ABC se veria às voltas com uma nova disputa, agora no flanco leste.
Enquanto a continuidade das obras do Rodoanel não se torna realidade, ficam os planos para que todo o tramo sul seja completado de uma só vez. O último cronograma do governo do Estado para a obra indica que serão necessários 36 meses para a conclusão. O início da execução efetiva do projeto só deve acontecer em meados do primeiro semestre de 2005, após o processo de licenciamento ambiental do trecho sul.
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