A iminente expansão do Pólo Petroquímico de Capuava coloca em evidência a água, matéria-prima tão importante quanto o gás de refinaria que a Petrobras vai disponibilizar para o aumento de produção. Desde que o sinal verde foi acionado há três meses, as petroquímicas aceleraram interlocução com Sabesp e Ecosama para chegar a acordo de fornecimento industrial ainda este mês. Água é insumo essencial e está entre os principais gargalos do Pólo porque o atual sistema de abastecimento — água potável misturada à retirada do poluído Rio Tamanduateí — encontra-se no limite para dar conta do consumo de 400 litros por segundo estimado para os novos projetos.
A expectativa de equacionar mais esse imbróglio a curto prazo é subsidiada por acontecimentos recentes. O entendimento inicial de que o Pólo precisava somente de água barata para fazer frente às centrais petroquímicas da Bahia e do Rio Grande do Sul caiu por terra diante da constatação de que disponibilidade e qualidade são mais importantes que custo.
Mesmo cientes de que vão pagar mais caro que os concorrentes, as petroquímicas já decidiram que investirão entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões para manter o processo final de tratamento na estação instalada na Refinaria de Capuava e terão, no mínimo, dois fornecedores de água pré-tratada derivada do esgoto. “São duas frentes de negociação. Uma com a Sabesp e outra com a Ecosama” — confirma o gerente de projetos da PQU (Petroquímica União), Jorge Rosa.
Sem exclusividade
A declaração derruba a exclusividade de fornecimento que chegou a ser atribuída à Ecosama quando a empresa ganhou a concessão do Projeto Sanear para coletar e tratar esgotos, bem como construir estação de produção de água de reúso em terreno localizado a pouco mais de 300 metros do pólo. Há dois meses as petroquímicas comunicaram a decisão de diversificar a compra à Ecosama e detalharam as especificações do líquido que pretendem adquirir.
Por conta da simplificação, a concessionária reformulou o pedido de crédito à Caixa Econômica Federal de R$ 87 milhões para R$ 60 milhões e aguarda para as próximas semanas a formalização do empréstimo. A Ecosama acredita que em 2,5 anos seja possível colocar a Epai (Estação de Produção de Água Industrial) em operação e o cumprimento desse prazo é primordial para se conectar ao cronograma de expansão do Pólo.
Com investimentos de US$ 500 milhões divididos entre Recap, PQU e Petroquímica União, o desdobramento imediato será o aumento de 40% da produção de eteno e etileno — matéria-prima das resinas — em três anos e a consequente elevação do consumo de água dos 320 litros para 400 litros por segundo.
A pressa tornou-se ainda mais evidente depois que o presidente Lula da Silva selou pessoalmente o acordo de expansão do Pólo, 15 dias atrás. Foram cinco anos de espera e verdadeira via crucis aos gabinetes de Brasília, só encerrada com a interferência direta do próprio presidente. Por pouco, o disputado gás de refinaria — monopólio da Petrobras — não foi parar no endereço dos concorrentes. “Por isso, seria ideal que tudo estivesse solucionado nos próximos 18 meses” — defende Jorge Rosa.
Esperando Aquapolo
Para se livrar dessa dependência as petroquímicas querem ter mais de um fornecedor e guardam na gaveta o Aquapolo, que prevê suprimento de água por meio de dutos de trecho com menor concentração de poluição do Rio Tietê, em Suzano. Atualmente, a água utilizada pelo pólo é captada do Rio Tamanduateí, complementada com água potável na proporção de 10% a 30% e tratada no próprio pólo. O principal problema está no fato de a poluição e o volume insuficiente do Tamanduateí em períodos de estiagem comprometerem cada vez mais o trabalho.
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