Economia

São Bernardo e Santo André
entre piores assalariamentos

DANIEL LIMA - 26/10/2016

São Bernardo e Santo André estão entre os últimos colocados no novo indicador de Desenvolvimento Econômico do Índice CapitalSocial de Competitividade do G-22 Paulista. O G-22 é integrado pelos 15 maiores municípios paulistas e os sete municípios da Província do Grande ABC, dos quais cinco (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá) também estão entre os maiores do Estado. O novo indicador aborda as diferenças de salários entre trabalhadores do setor industrial e do conjunto de trabalhadores com carteira assinada. Diadema é o Município mais equilibrado da região e o quarto do G-22. 

Num dos indicadores de equilíbrio econômico (outros serão revelados nos próximos tempos), São Bernardo está em 17º lugar, à frente apenas de Santo André, Taubaté, Santos, Sumaré e São José dos Campos. Ou seja, fossem reproduzidos os critérios classificatórios do futebol, São Bernardo e Santo André estariam próximos da zona de rebaixamento. A diferença que separa São Bernardo de Santo André é mínima. Por razões diferentes, os dois municípios vão de mal a pior no critério de equilíbrio salarial. 

Esse indicador de equilíbrio socioeconômico mede o quanto o salário médio dos profissionais que atuam no setor industrial guarda semelhança ou distanciamento do salário médio geral, de todos os setores mensurados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e que reúne as áreas de comércio, serviços, administração pública, construção civil e agropecuária, além da indústria. Quanto maior a diferença entre a média de assalariamento do emprego industrial com carteira assinada e a média geral dos trabalhadores, maior o desequilíbrio. 

Não causa nenhuma surpresa que São Bernardo caia pelas tabelas e tampouco que só é ultrapassado como endereço em que o setor industrial tem muito mais rendimento assalariado médio por Santo André, São José dos Campos, Taubaté e Sumaré. É o efeito da incidência dos vencimentos dos trabalhadores metalúrgicos, sobretudo das montadoras e das autopeças que giram em torno da produção automotiva da região. Criou-se na Província do Grande ABC o que identificamos nos anos 1990 como trabalhadores de primeira, segunda e terceira classes. 

Os dados que lastreiam o ranking de equilíbrio salarial do G-22 estão fundamentados em números oficiais do Ministério do Trabalho registrados em dezembro do ano passado. Somente em dezembro deste ano é que será consumado o balanço geral desta temporada, mas a divulgará se dará em meados do ano que vem. 

São José na lanterninha 

Quando se compara o salário medial do setor industrial dos trabalhadores em São Bernardo com a média geral de todos os empregados com carteira assinada a diferença é de 33,40%. São R$ 4.799,10 contra R$ 3.195,85. No extremo da desigualdade está a lanterninha São José dos Campos, onde o buraco principalmente dos vencimentos dos trabalhadores da indústria aeroespacial é mais imenso ainda que o de São Bernardo: são R$ 5.813,36 na área industrial contra R$ 3.36,88 na média geral, ou seja, uma diferença de 47,76%. 

Outros dois polos automotivos, além de São Bernardo, dividem as últimas posições do Índice CapitalSocial de Desenvolvimento Econômico. Sumaré ocupa a penúltima colocação no G-22 com média salarial do setor industrial de R$ 5.457,74 contra R$ 3.361,27 da média de todas as atividades – ou 38,41% de superioridade. Taubaté está em 20º lugar, um pouco à frente de São Bernardo com média salarial industrial de R$ 4.02179 contra média geral de R$ 2.533,95 – ou 36,95% de vantagem. 

Uma das mensagens explícitas desse indicador do ranking do Índice CapitalSocial de Desenvolvimento Econômico é que a supremacia avassaladora de um determinado setor econômico num Município pode gerar complicações adicionais em período de vacas magras, como que está passando os polos automotivos brasileiros. 

Fragilidade em serviços

Embora Santo André não tenha atividade industrial destacadamente proeminente, também ocupa classificação preocupante no ranking do Índice CapitalSocial. A diferença do assalariamento industrial em relação à média geral dos trabalhadores é semelhante à de São Bernardo: são 33,95% de vantagem, resultado da média de R$ 3.662,41 para quem trabalha na indústria de transformação e de R$ 2.419,08 no conjunto dos trabalhadores. A melhor explicação é que o setor de serviços de Santo André, maior gerador de empregos formais, conta com assalariamento muito baixo. Tão baixo que, na região, só supera Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. 

Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra têm os melhores índices de equilíbrio da região porque há aproximação entre os salários médios da indústria e da média geral. 

O melhor desempenho nesse quesito é de Diadema, predominantemente de indústrias de pequeno porte que vivem à sombra das montadoras de veículos. A diferença entre o salário médio industrial e a média geral dos assalariados é de 11,76%. O salário médio industrial é de R$ 3.084,26, contra R$ 2.721,73 do salário médio geral. 

Em Rio Grande da Serra os assalariados da indústria receberam em dezembro do ano passado, em média, R$ 2.505,51, enquanto a média geral em todos os setores chegou a R$ 2.008,16. Uma diferença pró-indústria de 22,33%. 

Ribeirão Pires teve desempenho levemente melhor: a diferença entre a média de assalariamento industrial e a média de todos os salários é de 20%, resultado do salário médio industrial de R$ 2.617,12 contra R$ 2.094,75 do conjunto dos empregados com carteira assinada. 

Representantes na Série B

Diadema e Ribeirão Pires seriam as únicas representantes da Província do Grande ABC numa espécie de Série B do Campeonato Brasileiro de Equilíbrio Salarial ao registrarem até 20% de diferença entre o setor industrial e os demais. A Série A, que reuniria municípios com menos de 20% de diferença, conta com apenas cinco integrantes: Barueri, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. 

Ribeirão Preto lidera o ranking de equilíbrio salarial entre os setores de indústria de transformação e os demais. Os assalariados industriais daquele Município do Interior que é espécie de metrópole recebem pouco menos de 1% de vencimentos acima dos demais. São em média R$ 2.379,02 contra R$ 2.367, 35. 

Os outros dois endereços do G-22 entre os três primeiros em equilíbrio de vencimentos contam com a mesma característica: o salário médio geral dos trabalhadores é levemente superior ao salário médio do setor industrial. Barueri, na Grande São Paulo, registrava em dezembro do ano passado salário médio industrial de R$ 3.517,78, contra R$ 3.573,71 dos demais setores. Diferença de 1,57% favorável ao conjunto de trabalhadores. A média salarial dos trabalhadores em geral de São José do Rio Preto é quase 10% superior (exatamente 9,84%) à média dos trabalhadores industriais: são R$ 2.246,16 contra R$ 1.998,46. 

Veja o ranking completo do indicador de equilíbrio econômico do Índice CapitalSocial: 

1. Ribeirão Preto com 0,49% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 2.379,02 contra R$ 2.367,35 dos salários em geral. 

2. Barueri com 1,57% de diferença favorável ao salário médio geral, resultado de R$ 3.573,71 contra R$ 3.517,78 dos salários industriais. 

3. São José do Rio Preto com 9,84% de diferença favorável ao salário médio geral, resultado de R$ 2.216,46 contra R$ 1.998,46 dos salários industriais. 

4. Diadema com 11,76% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.084,26 contra R$ 2.721,73% da média de todos os setores. 

5. Campinas com 16,20% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de 3.661,82 contra R$ 3.068,54 da média de todos os setores. 

6. Piracicaba com 18,12% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.300,85 contra R$ 2.703,00 da média de todos os setores. 

7. Ribeirão Pires com 20% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 2.617,12 contra R$ 2.094,75 de todos os setores. 

8. Guarulhos com 21,16% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.293,17 contra R$ 2.596,24 da média de todos os setores. 

9. Rio Grande da Serra com 22,33% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 2.505,51 contra R$ 2.008,16 de todos os setores. 

10. Jundiaí com 24,91% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.585,93 contra R$ 2.692,66 da média de todos os setores. 

11. Mauá com 25,24% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.401,71 contra R$ 2.549,79 da média de todos os setores. 

12. Paulínia com 27,17% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 5.090,41 contra R$ 3.707,64 de todos os setores. 

13. Sorocaba com 27,94% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.519,83 contra R$ 2.536,56 de todos os setores. 

14. Osasco com 28,47% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.585,25 contra R$ 2.564,50 de todos os setores. 

15. São Caetano com 29,58% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.922,66 contra R$ 2.762,38 de todos os setores. 

16. Mogi das Cruzes com 30,07% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.002,86 contra R$ 2.100,04 de todos os setores. 

17. São Bernardo com 33,40% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 4.799,10 contra R$ 3.195,81 de todos os setores. 

18. Santo André com 33,94% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.662,41 contra R$ 2.419,08 de todos os setores. 

19. Santos com 35,82% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 3.976,41 contra R$ 2.552,01 de todos os setores. 

20. Taubaté com 36,95% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 4.021,79 contra R$ 2.533,95 de todos os setores. 

21. Sumaré com 38,41% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 5.457,74 contra R$ 3.361,27 de todos os setores. 

22. São José dos Campos com 47,76% de diferença favorável ao salário médio industrial, resultado de R$ 5.813,36 contra R$ 3.036,88 de todos os setores. 



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