Economia

Canteiro de obras
de valor agregado

ANDRE MARCEL DE LIMA - 15/09/2005

Reduto de ricos e de classe média alta, o Bairro Jardim, em Santo André, demonstra fôlego aparentemente inesgotável para crescer com estilo. Ao caminhar pelas ruas largas e arborizadas desse pedaço valorizado do Grande ABC é possível visualizar pelo menos sete prédios residenciais em construção, dos quais cinco flagrantemente voltados ao topo da pirâmide social. 


O dinamismo imobiliário nivelado por cima transforma o Bairro Jardim em canteiro de obras de altíssimo valor agregado, além de reconhecido pólo de clínicas médicas e opções de entretenimento noturno. Mas que ninguém se engane. Trata-se de uma das poucas ilhas de prosperidade em meio ao oceano de uma região extremamente desigual, onde o déficit habitacional é de 100 mil unidades.


As ofertas residenciais estão concentradas em duas construtoras, JB2 e Grotta, sediadas em Santo André. A Grotta assina três prédios em andamento: Jireh, na Avenida Padre Manoel da Nóbrega, Elihom, na Rua das Pitangueiras, e Shekinah, na Almirante Protógenes. 


Em comum oferecem apartamentos espaçosos e dotados de áreas de lazer completas com salão de ginástica, spa, fitness center, salão de festas com home theater, entre outros recursos. Os preços  acompanham a sofisticação. Estão situados entre R$ 270 mil e R$ 640 mil -- para apartamentos com 169 metros quadrados. "Enquetes mostraram que o Bairro Jardim materializa o desejo de bem viver no Grande ABC. Além de atrair moradores de outras cidades da região, tornou-se opção de muita gente egressa de São Paulo, pois oferece tudo o que os melhores bairros paulistanos têm, como parque e shopping, mas por custos muito mais baixos" -- explica Edson Antônio Alves, diretor-comercial da Grotta.


Edson calcula que o preço médio de imóveis de alto padrão no Bairro Jardim é 40% mais baixo que o de similares em locais como Moema e Vila Olímpia, na Capital. Trata-se dos efeitos do Complexo de Gata Borralheira na cotação imobiliária, assim como acontece com escolas, academias de ginástica, buffets infantis e muitos outros setores afetados pela falta de glamour local em relação à Cinderela, representada pela Capital.


A JB2 comandada pelo renomado arquiteto Jorge Bomfim acabou de entregar o residencial Klimt e tem mais dois edifícios residenciais em construção no Bairro Jardim. O Palladio, na Rua das Palmeiras, e o Calder, na Padre Vieira, quase em frente à Padaria Brasileira. O mais imponente é o Calder, com 20 andares em formas arredondadas. A entrega está programada para dezembro de 2006, mas os 80 apartamentos com 110 metros de área útil, duas vagas de garagem e lazer completo já foram integralmente vendidos por cerca de R$ 300 mil cada. Preço mais baixo que o das unidades do Klimt, que custam R$ 500 mil, e do Palladio, que saem por R$ 1 milhão. O interesse do público paulistano é confirmado pela JB2. "Cerca de 20% dos compradores são de São Paulo" -- calcula o arquiteto André Bomfim, filho do fundador Jorge Bomfim. 


Cinematográficos


Diferentemente da Grotta, que estreou no Bairro Jardim há pouco tempo com a entrega do Champs Elisées, cujos apartamentos custam R$ 1,2 milhão, a JB2 tem longo histórico no bairro mais valorizado de Santo André. Imprimiu a marca em edifícios cinematográficos como Kipos, Octógono, Grapius, Maison e Village. 


Por que é tão caro morar em mansões verticais? "Mais do que edifícios, são verdadeiras obras de arte. Lançamos apenas um prédio por ano para poder conferir o tratamento de uma jóia" -- explica André Bomfim. Ele comenta que a JB2 nem atua por meio de plantões de venda para não correr o risco de massificar produtos deliberadamente diferenciados, tanto nas formas arquitetônicas e materiais empregados quanto nos bolsos a que se destinam. E o nicho formado pelo andar de cima parece promissor. Tanto Grotta quanto JB2 têm lançamentos engatilhados para o Bairro Jardim. 


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