Demorou, mas São Bernardo acordou. Depois de 61 edições da Feira de Móveis realizada pelo Sindicato da Indústria de Móveis, a capital econômica do Grande ABC vai transformar a programação num mega-acontecimento cujo perfil extrapolará o aspecto puramente comercial. A boa-nova anunciada pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Fernando Longo, não se limitou, entretanto, à 1ª Festa dos Móveis, Decoração e Design de São Bernardo, prevista para 18 e 29 de agosto. O setor moveleiro vai ser uma das âncoras da primeira incubadora de empresas da região, programada para setembro.
Uma combinação de interesses entre Sindicato, Prefeitura, FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) e Sebrae (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa) possibilitará que 15 empreendedores ganhem altura nos negócios amparados por essas entidades. Quatro espaços estarão reservados para produtores que irão complementar a linha de mobiliários: cadeiras, móveis country, de materiais de escritório e acessórios.
A cidade italiana de Milão foi a fonte inspiradora para a cirurgia promocional que a 1ª Festa dos Móveis pode representar para esse setor que já trouxe muita fama para o Grande ABC. Fernando Longo cita os eventos ligados aos móveis, decoração e design de Milão como fundamentais para os expositores locais e estrangeiros venderem produtos, firmarem contratos comerciais e conhecerem as tendências de um mercado em constante evolução. A festa é uma das repercussões do reflorescimento dos moveleiros da região, fortemente concentrados em São Bernardo. Até o fim dos anos 70 o setor viveu seu apogeu. Depois, começou a sucumbir diante de novas tecnologias, com o despontar de outros pólos produtores do País e também com o furacão inflacionário que varreu a década de 80.
Em fase de reestruturação com suporte da Câmara Regional do Grande ABC, instancia que reúne governo do Estado, as sete Prefeituras da região, entidades de classe empresariais, sociais e trabalhistas, a indústria de móveis da região quer voltar à contracenar com o sucesso. Por isso a 1ª Festa dos Móveis assume papel de protagonista entre as prioridades para reconquistar a auto-estima econômica. A interpretação mercantilista da Feira dos Móveis é mencionada como um ranço a ser exorcizado. Daí a amplitude da programação. O secretário Fernando Longo explica que o evento foi alargado para roteiros técnicos, gastronômico, turístico e cultural.
A elasticidade temática da Festa exigiu mobilizar vários locais de São Bernardo. A programação-âncora será a Feira de Móveis, mas eventos paralelos transmitirão o ambiente da promoção por 12 dias.
Estão previstos o 1° Congresso de Móveis, Decoração e Design no Teatro Cacilda Becker; o Street Shoppings, traduzido como visitação às ruas que concentram o comércio do setor; Showroom de Móveis, Decoração e Design, montado no Shopping Metrópole; Exposição de Artistas Plásticos também no Metrópole; Roteiro Gastronômico e Roteiro da Vida Noturna, com festivais, descontos e promoções especiais nos restaurantes e casas de entretenimento do Município; Roteiro Turístico e Cultural, com passeios na Cidade da Criança, Parque Estoril, Chácara Silvestre, entre outros pontos, além de teatros, shows musicais e eventos esportivos. Uma Fábrica-Modelo de Móveis será montada em um dos pavilhões do Espaço Cidadania, nas antigas instalações da Agesbec, que sediarão a Feira de Móveis.
Incubadora – A incubadora de empresas que São Bernardo planeja instalar em espaço de mil metros quadrados alugados em uma fábrica de móveis desativada próxima ao Tiro de Guerra levará em conta dois perfis: EBTs (Empresas de Base Tecnológica) e empresas com atividades vocacionais para a cidade ou com novas habilidades adequadas à feição econômica do Município. São os casos de organizações voltadas às chamadas tecnologias limpas ou a setores tradicionais da região, como automotivo, têxtil, plástico-químico e moveleiro. “No caso dos móveis, queremos produzir aqui o que o setor traz de fora em grande volume, como cadeiras e acessórios de metal” – relata Longo.
A apresentação do projeto será dia 12 deste mês na Faculdade de Direito. Haverá explicação sobre o papel das incubadoras de fomentar empreendedores e empregos por meio de um espaço onde se pode ratear custos com infra-estrutura e receber consultoria e apoio em conjunto. Os interessados passarão depois por curso de 40 horas no Sebrae, ao final do qual montarão um plano de negócio. Será como um teste de avaliação para saber se estão habilitados ou não. O período de incubação é previsto de 12 a 24 meses, após os quais a Prefeitura pretende continuar assessorando-os para que se integrem a condomínios empresariais, cujo perfil também é de compartilhar estruturas.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC