Economia

Guerras que só
atrapalham região

DANIEL LIMA - 05/12/1996

 Os sinais emitidos por dois dos novos prefeitos do Grande ABC, antes mesmo que tomem assento nos respectivos Paços Municipais, não são nada alentadores. Luiz Tortorello e Gilson Menezes parecem decididos a esparramar por toda a região a mais letal de todas as armas econômicas de que se tem notícia, pelo menos para os cofres públicos: a guerra fiscal.


Isoladamente, o rebaixamento dos níveis de tributos municipais se converterá num ferramental de divisionismo cujos resultados, por melhores que sejam e disso se duvida muito, não valerão jamais a manutenção dessa idiotice de rigidez da divisão geopolítica do Grande ABC que o Consórcio Intermunicipal jamais eliminou.


Se os políticos deram em novembro demonstrações de que estão desconectados dos anseios de metropolização, porque não significa outra coisa essa postura individualizada de alguns dos eleitos, os sindicalistas permanecem agindo de forma ostensiva à sombra da lei e, nesse caso, a guerra que os envolve não é metafórica como a tributária.


A troca de tiros de verdade por facções dos metalúrgicos que lutam pela divisão do butim do Sindicato de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires instala a região numa zona de penumbra policial que marketing algum, por maiores que sejam os gênios da arte de vender imagem institucional, conseguirá sucesso. O time de Martinha e Cicote, que defende a independência do Sindicato, opõe-se aguerridamente à CUT de Luiz Marinho, Vicentinho e tantos outros. Tudo indica que o embate terá novos assaltos. Para azar regional.


Falta tanto aos políticos paroquiais quanto aos sindicalistas empedernidos o que se pode resumir como vocação regional, cujo sentido está naquele algo mais que qualquer cidadão, seja lá a função que exerce em suas atividades pessoais e profissionais, costuma levar em conta quando trata de questões que não dizem respeito somente a si próprio.


É evidente que uma guerrilha fiscal e uma guerra sindical provocam ânsias de vômito institucional. É claro que brincar de cortar alíquotas de ISS e também de dar tiros nas dependências de uma empresa dão náuseas em eventuais investidores. Pena que não se tenha um aferidor permanente de imagem de Municípios brasileiros, uma espécie de Ibope da temperatura socioeconômica.


Se sociólogos e economistas resolvessem brincar, no bom sentido, de tomar o pulso de cada cidade conforme impactos produzidos mensalmente no mapa de registros de eventos positivos e negativos, novembro teria acionado o dispositivo de alerta no Grande ABC.


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