Imprensa

Debate Digital começa a pegar
fogo. Esperem para confirmar

DANIEL LIMA - 28/11/2018

Vamos publicar amanhã a terceira rodada de Debate Digital, inovação no jornalismo brasileiro que vale a pena ser acompanhada porque, entre outras lições, estabelece um jogo de transparência ao contraditório. Como todos sabem ou deveriam saber estou disputando no bom sentido do termo o espaço da consciência dos leitores sobre a UFABC (Universidade Federal do Grande ABC), criada há 13 anos. Meu adversário também no bom sentido do termo é o professor Ricardo Alvarez, dirigente do PSOL de Santo André. O confronto está se tornando nitidamente claro: Alvarez conduz argumentos à esquerda do espetro ideológico enquanto este jornalista, liberal-socialista, caminha em sentido oposto.

Por dever ético e moral vou deixar a interpretação dos argumentos dos dois lados à sensibilidade dos leitores quando da leitura das rodadas já vencidas e das novas que virão. Longe de mim pretender-me proprietário da verdade. Fosse assim – e não estivesse disposto a ouvir o outro lado para entender o sentido das coisas do outro lado do muro – não teria convidado o professor Ricardo Alvarez à empreitada.

Aliás, só o escolhi após consulta preliminar. Se não houvesse concordância, jamais os leitores saberiam da tratativa inicial. Não o nominaria, embora devesse informar ao público sobre a frustração de não contar com um representante “do outro lado” para enriquecer o debate regional.

Sindicalista na mira

Por falar nisso, estou pensando seriamente em, no começo do ano que vem, mesmo com o Debate Digital entre mim e Ricardo Alvarez em andamento (não acredito que menos de oito rodadas sejam suficientes para chegarmos a um limite de quase exaustão de argumentos) convidar um sindicalista de São Bernardo a um novo encaminhamento dessa programação.

Os leitores mais atentos sabem que tenho série de restrições à atuação do sindicalismo elitista da região. Sindicalismo elitista é o sindicalismo incrustado principalmente nas montadoras de veículos, um sindicalismo que  atua muito distante dos pressupostos de desenvolvimento econômico da região. Tenho minhas dúvidas se encontrarei alguém decidido ao confronto de ideias que viceja em Debate Digital.

Essa modalidade de colocar frente a frente um jornalista e um convidado ao debate é fortemente produtiva porque o prazo de 10 dias para a manifestação das partes permite o ajuste das respostas num compartimento mais cuidadoso, mais zeloso, mais substancioso. Debate Digital é uma maneira explicitamente favorável à consolidação de argumentos sob bases técnicas. A emoção é contida em favor do esclarecimento rigoroso ou, à falta deste, de eventuais manipulações dos fatos, as quais se tornariam alvo de bombardeamento pelo oponente.  

Não vou usar este espaço como peça à parte da igualdade de condições estabelecida no Debate Digital para fazer qualquer tipo de avaliação do desempenho do professor Ricardo Alvarez já por conta da terceira rodada que será publicada na edição de amanhã. Enquanto durar esse prélio teórico, manterei postura de debatedor restrita ao campo de jogo antecipadamente delineado. Na quarta rodada, semana que vem, vou responder ao meu oponente.

Temário compulsório

Abrir Debate Digital tendo como temática a Universidade Federal do Grande ABC era exigência que me impunha. Aliás, para ser mais preciso, Debate Digital veio a reboque da insistência com que me cobrava de ver a UFABC mais próxima dos formadores de opinião e dos tomadores de decisões.

O distanciamento daquela organização do mundo regional, sobretudo do mundo produtivo regional (essa é a centralidade do Debate Digital colocada à análise do professor Ricardo Alvarez) é um buraco negro na institucionalidade local que precisa ser superado o quanto antes, sob pena de os problemas se agigantarem ainda mais. Quem acha que a UFABC não é coisa nossa está redondamente enganado. Não o fosse não seria Universidade Federal do Grande ABC.

Portanto, ficamos assim: nesta quarta-feira teremos o professor Ricardo Alvarez abrindo para valer o jogo de análise da atuação da UFABC, depois de as duas primeiras rodadas do Debate Digital se mostrarem relativamente cautelosas de ambas as partes. Bem diferente, portanto, do que vem aí. É de provocações saudáveis que a região precisa para sair tanto do marasmo do politicamente correto quanto da omissão deliberada que não a levam a lugar nenhum, ou mais precisamente não a retira do buraco em que se meteu.



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