O baixíssimo nível da escolaridade verde-amarela retirou milhões do gueto de analfabetos literais e os lançou à condição de analfabetos funcionais, aqueles que mal sabem escrever o próprio nome, quanto mais desempenhar funções que mesmo tecnologias obsoletas exigem.
Mas este é apenas um lado da moeda nacional de desprezo à Educação como ferramenta de transformações sociais e econômicas.
O outro lado é formado por um contingente que chamaria de analfabetos sociais, também expressivamente numeroso.
O que vêm a ser analfabetos sociais?
São portadores de uma enfermidade que muitos deles não se dão conta de que são acometidos, porque se fiam integralmente nos dísticos universitários.
Dizia Roberto Campos, uma das cabeças mais brilhantes que este País já produziu como estofo cultural, embora se discorde de posicionamentos político-ideológicos que defendeu bravamente, dizia Roberto Campos que o pior burro é o burro diplomado.
Este é o ponto: quando se escora em demasia na graduação escolar e a transforma em renitente prova de resistência a observações, não se deve esperar coisa boa. Principalmente se os diplomados em questão ocuparem postos avançados na hierarquia pública ou privada.
Os analfabetos sociais são detentores de conhecimentos específicos na área em que se ocupam, mas não entendem bulhufas de cidadania, de responsabilidade social, de institucionalidade, de regionalidade, de globalização. Tudo isso para eles não passa de sopa de letras, sem nenhum significado pessoal.
São analfabetos sociais tanto aqueles que falam à exaustão de suas especialidades com amplo conhecimento técnico mas não conseguem decifrar uma notícia de jornal que trata de exclusão social quanto aqueles que fazem das colunas sociais passarelas de egocentrismo.
É claro que não estou generalizando, há feitos a serem comemorados sim em espaços da mídia dedicados a amenidades, mas a feira de vaidades que se vê naquelas páginas é mais frequente que os fatos a serem copiados. Venderam para os donos da mídia que futilidade dá audiência e lá se foram todos eles em busca do pote de ouro.
Há um empresário de Santo André, por exemplo, que paga os tubos para aparecer numa notinha qualquer numa revista especializada em frescura. Seria uma maravilha se ele destinasse às Madres Terezas do Grande ABC uma parte do que gasta em festas, como fazem milionários norte-americanos com instituições filantrópicas e educacionais.
O lobby por um lugar ao sol na revista de celebridades e pretensas celebridades não passa de marketing pessoal e corporativo. Os ricos colunáveis sabem se proteger em rede, até que, evidentemente, como não me deixa mentir o ex-banqueiro e mecenas das artes Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos, caem em desgraça. Aí, viram estorvo.
Em universos microscópicos como o do Grande ABC e macroscópicos como deste País varonil, os analfabetos sociais tanto podem estar nas universidades, nas empresas, no Poder Público, nas entidades de classe, como também nos nababescos salões de conferências e de festas. De vez em quando um espertalhão diz a palavra mágica da enganação, de proteção social aos desvalidos, apenas para impressionar.
Quem melhor conhece essa turma é o presidente Lula da Silva. Por mais que batam na baixa produtividade do governo, o que é uma verdade, a realidade é que, por ser egresso da turma do chão de fábrica, ele descobriu a pólvora da canonização eleitoral: uniu-se aos analfabetos funcionais com programas compensatórios, e não se atreveu a enfrentar analfabetos sociais, maiores financiadores e beneficiários da dívida pública regiamente remunerada.
Os primeiros não negaram agradecimento em forma de votos e prestígio. Os segundos não suportam a idéia de ter um presidente sem diploma.
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS