O confronto dos sete municípios do Grande ABC com seis dos maiores municípios do Estado de São Paulo é um convite ao sofrimento tanto quanto a constatação inegável e irrefutável do quanto o período de 2011 a 2020, com base em 2010, se consolidou como a Década Desastrosa. O G-13 dentro do G-22 é preocupante para a região.
O período de 2011-2020 é o pior da história do Grande ABC, estiolado pelos dois anos de recessão do governo de Dilma Rousseff. Comparar o Grande ABC com Campinas, Sorocaba, São José dos Campos, Guarulhos, Osasco e Barueri é um atestado de sadomasoquismo econômico.
Como vimos no capítulo anterior desta série que não tem data para se encerrar, o PIB por habitante do Grande ABC na Década Desastrosa foi estrondosamente negativo. Daí o reforço à caracterização de Década Desastrosa.
Já o PIB por habitante dos seis municípios em confronto caracteriza mesmo uma derrota mais suave, se é possível assim definir o que seria uma Década Perdida.
ENTRE OS PIORES
Tanto que tudo isso é verdade que quando se colocam os 13 municípios numa única planilha em que o PIB per capita baliza o posicionamento geral, as cinco últimas colocações pertencem a endereços do Grande ABC. Exceto a presença de São José dos Campos.
Como explicamos anteriormente, a curadoria numérica que determinou o chamamento de Guarulhos, Osasco e Barueri como representantes da Região Metropolitana de São Paulo e Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, como municípios-sede de três regiões metropolitanas do Interior do Estado, significa que a disputa proposta precisaria ser para valer.
Possivelmente os resultados seriam ainda mais negativos para o Grande ABC se ao invés de se apresentarem individualmente, Campinas, Sorocaba e São José dos Campos contassem com amostra reunindo todos os municípios que constam daquelas respectivas regiões metropolitanas.
METROPOLIZAÇÃO
O fenômeno da descentralização de riqueza que se deu na Grande São Paulo também está em pleno avanço no Interior. A diferença é que o Interior cresce organicamente e também por atrair empreendimentos produtivos da Região Metropolitana de São Paulo, da qual o Grande ABC faz parte.
Municípios ao redor de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos contam com maior vigor em desenvolvimento econômico por causa de redução de custos em geral, desde áreas disponíveis, infraestrutura material e social e mão de obra.
Quem se guiar exclusivamente pelo posicionamento em ordem de comportamento do PIB per capita durante a Década Desastrosa para o Grande ABC e de Década Perdida para os demais municípios escolhidos certamente quebrará a cara.
Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, que não passam de 2% do PIB Geral do Grande ABC, ocupam os dois primeiros lugares.
O resultado se deve à pouca importância econômica dos dois municípios. Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires são muito vulneráveis diante de qualquer sacolejada econômica. Um barco pequeno está mais suscetível a ganhar velocidade e a mudar de rumo temporário do que um Titanic.
BARCO PEQUENO
Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires não precisam de muito investimento ou qualquer sinal de mudança para acusarem crescimento. Sem contar, também, que estão sempre sensíveis a políticas públicas de renda, caso do Bolsa Família.
Uma prova provada de que Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires se aproveitam das limitações econômicas é que num outro tipo de ranking per capital, não de comportamento durante a Década Desastrosa, mas de tamanho de verdade, não passam do último e do penúltimo colocado.
O PIB per capita de Rio Grande da Serra em 2020 não passava de R$ 16.478,41 mil, enquanto o PIB per capita de Ribeirão Pires registrava R$ 26.911.94 mil. O menor PIB per capita entre os demais 11 municípios desse confronto é o de Diadema, com R$ 35.282,62 mil.
G-22 E G-20
CapitalSocial organiza há muitos anos série de estudos e rankings que levam em conta os 20 maiores municípios do Estado de São Paulo. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra constam do grupamento exclusivamente porque integram o Grande ABC. Tanto que o grupamento é denominado G-22, mas em vários indicadores os dois municípios são contabilizados à parte ou mesmo são excluídos exatamente porque não têm porte econômico.
Vários exemplos poderiam ser pinçados para demonstrar o quanto a Década Desastrosa colocou a economia do Grande ABC em desalinho ante os principais competidores do Interior do Estado.
Um caso envolvendo Campinas e São Bernardo parece ideal para demonstrar os estragos. Em 2010, ano-base da pesquisa e último ano do mandato do presidente Lula da Silva, quando o PIB Nacional cresceu 7,50%, o PIB per capita de São Bernardo era 36,47% maior que o de Campinas.
Ao final do período de 10 anos, em 2020, o jogo está praticamente empatado: Campinas registrou PIB per capita de R$ 53.896,97, enquanto São Bernardo apontou R$ 57.566,99 mil. Tudo porque São Bernardo perdeu 40,51% de PIB per capita enquanto Campinas só perdeu 12,33%.
DERROTA DE SANTO ANDRÉ
Um outro confronto também é emblemático dos estragos da Década Desastrosa no Grande ABC. Em 2010, o PIB per capita de Santo André era 14,60% inferior ao PIB per capita de Sorocaba, Município do mesmo tamanho demográfico. Já em 2020, reta de chegada da Década Desastrosa, a diferença em favor de Sorocaba passou para 24%.
O PIB per capita de Santo André sofreu perda real de 17,92%, enquanto o PIB per capita de Sorocaba caiu 8,71%. Precisamente a metade. E poderia ter sido pior porque o PIB per capita de Santo André conta com o benefício da Doença Holandesa Petroquímica, que gera muita riqueza fiscal mas poucos empregos.
Mauá também é beneficiada pelo Polo Petroquímico de Capuava. Tanto que sofreu perda de PIB per capita baixíssimo, de 7,74%.
Se fosse retroceder no tempo na disputa entre Santo André e Sorocaba, o resultado seria ainda muito mais preocupante para o Município do Grande ABC. Em 1999, portanto antes da chegada do novo século, o PIB per capita de Santo André correspondia a R$ 9.201,16 mil, enquanto Sorocaba registrava R$ 8.712,91 mil. Ou seja: Santo André contava com PIB per capita 5,31% superior ao de Sorocaba. Em duas décadas a diferença se alargou para 24% a favor de Sorocaba.
DÉCADA DISTINTA
Veja o comportamento do PIB per capita dos sete municípios do Grande ABC, dos três da Região Metropolitana de São Paulo e das três regiões metropolitanas do Interior do Estado durante a Década Desastrosa e a Década Perdida.
1. Rio Grande da Serra contava em 2010 com PIB per capita de R$ 8.772,33 e passou para R$ 16.478,41 em 2020. Descontada a inflação, o crescimento real no período é de 7,38%.
2. Ribeirão Pires contava com PIB per capita de R$ 15.956,76 em 2010 e passou para R$ 26.911,94 em 2020. Queda real no período de 3,07%.
3. Osasco contava com PIB per capita 65.269,03 em 2010 e passou para R$ 109.025,60 em 2020. Perda real no período de 4,00%.
4. Guarulhos contava com PIB per capita de R$ 29.182,56 em 2010 e passou para R$ 47.301,43 em 2020. Perda real no período de 6,84%.
5. Mauá contava com PIB per capita de R$ 22.343,28 em 2010 e passou para R$ 35.864,96 em 2020. Perda real de 7,74%.
6. Sorocaba contava com PIB per capita de R$ 33.636,48 em 2010 e passou para R$ R$ 53.427,50 em 2020. Perda real de 8,71%.
7. Campinas contava com PIB per capita de R$ 35.333.08 em 2010 e passou para R$ 53.896,97 em 2020. Perda real de 12,33% no período.
8. Barueri contava com PIB per capita de R$ 124.736,99 em 2010 e passou para R$ 185.046,58 em 2020. Perda real de 14,74% no período.
9. Santo André contava com PIB per capita de 28.437,61 em 2010 e passou para R$ 40.612,01 em 2020. Perda real no período de 17,92%.
10. São José dos Campos contava com PIB per capita de R$ 41.189,35 em 2010 e passou para R$ 53.646,74 em 2020. Perda real no período de 25.14%.
11. Diadema contava com PIB per capita de R$ 27.716,85 em 2010 e passou para R$ 35.282,62 em 2020. Perda real no período de 26,84%.
12. São Caetano contava com PIB per capita de 81.600,94 em 2010 e passou para R$ 86.200,01 em 2020. Perda real no período de 39,29%.
13. São Bernardo contava com PIB per capita de R$ 55.615,87 em 2010 e passou para R$ 57.566,99 em 2020. Perda real no período de 40,51%.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC