Economia

DÉCADA DESASTROSA: O
QUE SERÁ DA REGIÃO? (7)

DANIEL LIMA - 23/05/2023

O confronto dos sete municípios do Grande ABC com seis dos maiores municípios do Estado de São Paulo é um convite ao sofrimento tanto quanto a constatação inegável e irrefutável do quanto o período de 2011 a 2020, com base em 2010, se consolidou como a Década Desastrosa. O G-13 dentro do G-22 é preocupante para a região.   

O período de 2011-2020 é o pior da história do Grande ABC, estiolado pelos dois anos de recessão do governo de Dilma Rousseff. Comparar o Grande ABC com Campinas, Sorocaba, São José dos Campos, Guarulhos, Osasco e Barueri é um atestado de sadomasoquismo econômico.  

Como vimos no capítulo anterior desta série que não tem data para se encerrar, o PIB por habitante do Grande ABC na Década Desastrosa foi estrondosamente negativo. Daí o reforço à caracterização de Década Desastrosa.   

Já o PIB por habitante dos seis municípios em confronto caracteriza mesmo uma derrota mais suave, se é possível assim definir o que seria uma Década Perdida.   

ENTRE OS PIORES  

Tanto que tudo isso é verdade que quando se colocam os 13 municípios numa única planilha em que o PIB per capita baliza o posicionamento geral, as cinco últimas colocações pertencem a endereços do Grande ABC.  Exceto a presença de São José dos Campos.   

Como explicamos anteriormente, a curadoria numérica que determinou o chamamento de Guarulhos, Osasco e Barueri como representantes da Região Metropolitana de São Paulo e Campinas, Sorocaba e São José dos Campos, como municípios-sede de três regiões metropolitanas do Interior do Estado, significa que a disputa proposta precisaria ser para valer.   

Possivelmente os resultados seriam ainda mais negativos para o Grande ABC se ao invés de se apresentarem individualmente, Campinas, Sorocaba e São José dos Campos contassem com amostra reunindo todos os municípios que constam daquelas respectivas regiões metropolitanas.   

METROPOLIZAÇÃO  

O fenômeno da descentralização de riqueza que se deu na Grande São Paulo também está em pleno avanço no Interior. A diferença é que o Interior cresce organicamente e também por atrair empreendimentos produtivos da Região Metropolitana de São Paulo, da qual o Grande ABC faz parte.  

Municípios ao redor de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos contam com maior vigor em desenvolvimento econômico por causa de redução de custos em geral, desde áreas disponíveis, infraestrutura material e social e mão de obra.   

Quem se guiar exclusivamente pelo posicionamento em ordem de comportamento do PIB per capita durante a Década Desastrosa para o Grande ABC e de Década Perdida para os demais municípios escolhidos certamente quebrará a cara.   

Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, que não passam de 2% do PIB Geral do Grande ABC, ocupam os dois primeiros lugares.   

O resultado se deve à pouca importância econômica dos dois municípios. Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires são muito vulneráveis diante de qualquer sacolejada econômica. Um barco pequeno está mais suscetível a ganhar velocidade e a mudar de rumo temporário do que um Titanic.  

BARCO PEQUENO   

Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires não precisam de muito investimento ou qualquer sinal de mudança para acusarem crescimento. Sem contar, também, que estão sempre sensíveis a políticas públicas de renda, caso do Bolsa Família.   

Uma prova provada de que Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires se aproveitam das limitações econômicas é que num outro tipo de ranking per capital, não de comportamento durante a Década Desastrosa, mas de tamanho de verdade, não passam do último e do penúltimo colocado.   

O PIB per capita de Rio Grande da Serra em 2020 não passava de R$ 16.478,41 mil, enquanto o PIB per capita de Ribeirão Pires registrava R$ 26.911.94 mil. O menor PIB per capita entre os demais 11 municípios desse confronto é o de Diadema, com R$ 35.282,62 mil.   

G-22 E G-20  

CapitalSocial organiza há muitos anos série de estudos e rankings que levam em conta os 20 maiores municípios do Estado de São Paulo. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra constam do grupamento exclusivamente porque integram o Grande ABC. Tanto que o grupamento é denominado G-22, mas em vários indicadores os dois municípios são contabilizados à parte ou mesmo são excluídos exatamente porque não têm porte econômico.  

Vários exemplos poderiam ser pinçados para demonstrar o quanto a Década Desastrosa colocou a economia do Grande ABC em desalinho ante os principais competidores do Interior do Estado.  

Um caso envolvendo Campinas e São Bernardo parece ideal para demonstrar os estragos. Em 2010, ano-base da pesquisa e último ano do mandato do presidente Lula da Silva, quando o PIB Nacional cresceu 7,50%, o PIB per capita de São Bernardo era 36,47% maior que o de Campinas.   

Ao final do período de 10 anos, em 2020, o jogo está praticamente empatado: Campinas registrou PIB per capita de R$ 53.896,97, enquanto São Bernardo apontou R$ 57.566,99 mil. Tudo porque São Bernardo perdeu 40,51% de PIB per capita enquanto Campinas só perdeu 12,33%.   

DERROTA DE SANTO ANDRÉ   

Um outro confronto também é emblemático dos estragos da Década Desastrosa no Grande ABC. Em 2010, o PIB per capita de Santo André era 14,60% inferior ao PIB per capita de Sorocaba, Município do mesmo tamanho demográfico. Já em 2020, reta de chegada da Década Desastrosa, a diferença em favor de Sorocaba passou para 24%.   

O PIB per capita de Santo André sofreu perda real de 17,92%, enquanto o PIB per capita de Sorocaba caiu 8,71%. Precisamente a metade. E poderia ter sido pior porque o PIB per capita de Santo André conta com o benefício da Doença Holandesa Petroquímica, que gera muita riqueza fiscal mas poucos empregos.   

Mauá também é beneficiada pelo Polo Petroquímico de Capuava. Tanto que sofreu perda de PIB per capita baixíssimo, de 7,74%.   

Se fosse retroceder no tempo na disputa entre Santo André e Sorocaba, o resultado seria ainda muito mais preocupante para o Município do Grande ABC. Em 1999, portanto antes da chegada do novo século, o PIB per capita de Santo André correspondia a R$ 9.201,16 mil, enquanto Sorocaba registrava R$ 8.712,91 mil. Ou seja: Santo André contava com PIB per capita 5,31% superior ao de Sorocaba. Em duas décadas a diferença se alargou para 24% a favor de Sorocaba.   

DÉCADA DISTINTA  

Veja o comportamento do PIB per capita dos sete municípios do Grande ABC, dos três da Região Metropolitana de São Paulo e das três regiões metropolitanas do Interior do Estado durante a Década Desastrosa e a Década Perdida.   

1. Rio Grande da Serra contava em 2010 com PIB per capita de R$ 8.772,33 e passou para R$ 16.478,41 em 2020. Descontada a inflação, o crescimento real no período é de 7,38%. 

2. Ribeirão Pires contava com PIB per capita de R$ 15.956,76 em 2010 e passou para R$ 26.911,94 em 2020. Queda real no período de 3,07%. 

3. Osasco contava com PIB per capita 65.269,03 em 2010 e passou para R$ 109.025,60 em 2020. Perda real no período de 4,00%.  

4. Guarulhos contava com PIB per capita de R$ 29.182,56 em 2010 e passou para R$ 47.301,43 em 2020. Perda real no período de 6,84%. 

5. Mauá contava com PIB per capita de R$ 22.343,28 em 2010 e passou para R$ 35.864,96 em 2020. Perda real de 7,74%. 

6. Sorocaba contava com PIB per capita de R$ 33.636,48 em 2010 e passou para R$ R$ 53.427,50 em 2020. Perda real de 8,71%.  

7. Campinas contava com PIB per capita de R$ 35.333.08 em 2010 e passou para R$ 53.896,97 em 2020. Perda real de 12,33% no período. 

8. Barueri contava com PIB per capita de R$ 124.736,99 em 2010 e passou para R$ 185.046,58 em 2020. Perda real de 14,74% no período. 

9. Santo André contava com PIB per capita de 28.437,61 em 2010 e passou para R$ 40.612,01 em 2020. Perda real no período de 17,92%.  

10. São José dos Campos contava com PIB per capita de R$ 41.189,35 em 2010 e passou para R$ 53.646,74 em 2020. Perda real no período de 25.14%.  

11. Diadema contava com PIB per capita de R$ 27.716,85 em 2010 e passou para R$ 35.282,62 em 2020. Perda real no período de 26,84%.  

12. São Caetano contava com PIB per capita de 81.600,94 em 2010 e passou para R$ 86.200,01 em 2020. Perda real no período de 39,29%.  

13. São Bernardo contava com PIB per capita de R$ 55.615,87 em 2010 e passou para R$ 57.566,99 em 2020. Perda real no período de 40,51%.  



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