Não é porque o prefeito eleito de São Bernardo está afastado pelo Judiciário por pelo menos um ano que uma das maiores barbaridades anunciadas no início do mandato, nesta temporada, vai ficar para trás. Como prometi, e como vou prosseguir, a marcha da contagem de empregos na Capital Econômica do Grande ABC será uma rotina mensal. Os resultados de julho foram estrondosamente danosos ao propagandismo oficial.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Rafael Demarchi, que verbalizou a barbaridade dos 100 mil empregos, segue no cargo que jamais poderia ter assumido. Ele excede o analfabetismo econômico. Foi colocado onde está porque ajudou ou teria ajudado Marcelo Lima a eleger-se. Essa é uma velha prática da politica nacional. Meritocracia no sentido de responsabilidade social no setor público é aquele negócio que se usa quando se vai ao banheiro.
Passados os primeiros sete meses de um jornada de 48 meses, aumenta a cada nova fornada de informações o desafio de São Bernardo chegar aos 100 mil empregos prometidos. Uma correção providencial: não se trata de desafio, porque o pressuposto de desafio é até prova em contrário algo possível. No caso de São Bernardo e do empregômetro prometido, trata-se da mais arrematada estupidez.
BURACO CRESCE
Essa conclusão não é um chute matemático deste jornalista. Já expliquei em edições anteriores, a partir da manchete de jornais que trataram da aberração de Rafael Demarchi, que a conclusão não estava pendurada numa bolha de especulação. Estava concentrava no passado já vivido de emprego formal em São Bernardo.
A média dos anos anteriores e no somatório de quatro temporadas estava e está distante de qualquer sustentação ao que foi mal traçado pelo secretário e divulgado pela mídia sem qualquer senso crítico.
Para que São Bernardo se habilitasse a preencher 100 mil empregos formais em quatro anos, seria necessário que a média mensal alcançasse 2.083 contratações líquidas. Ou seja: entre feridos de demissões e sobreviventes de contratações, teria de haver um saldo mensal equivalente a quatro fábricas da Toyota que se escafedeu de São Bernardo ainda recentemente.
FALTAM 41 MESES
No caso, os empregos seriam contabilizados em todos os setores, não apenas na indústria. Se a promessa estapafúrdia fosse restrita ao emprego industrial, o manicômio seria pouco para o secretário falastrão. Como ele o fez abarcando todas as atividades, merece mesmo ser lembrado todos os meses neste espaço. Junto com o prefeito afastado, é claro, porque o prefeito afastado tornara-se em poucos meses um professor de marketing muito mais competente que o rei de até então, no caso Paulinho Serra de Santo André.
Voltando aos números do empregômetro de Rafael Demarchi, o fato é que faltam 41 meses para a conclusão do atual mandato agora com uma militar no comando de São Bernardo e a média subiu para 2.328 empregos a cada um desses meses resultantes. O que já era absolutamente improvável, agora vai-se tornando impossível.
Não há nada extraordinário no horizonte econômico de São Bernardo e da região como um todo que aponte para outro rumo que não seja crescimento bastante discreto do emprego formal. Mais que isso: o passado recente, de números relativamente satisfatórios, vai sofrer duros reveses. A farra macroeconômica do governo federal de gastança está abrindo as pernas para a desaceleração.
SOMA DE QUATRO ANOS
Um País que fez da Constituição Federal uma festa de gastos públicos sem olhar para o outro lado da balança, o lado do Desenvolvimento Econômico, não tem mesmo que acreditar em Papai Noel de viés asiático. Até porque os asiáticos estão se lixando para os direitos sociais e trabalhistas dos ocidentais.
Para o leitor ter ideia mais precisa da enrascada em que se meteu o secretário Demarchi e o prefeito Marcelo Lima, basta lembrar que no quadriênio que se vai completar nesta temporada, o conjunto dos sete municípios do Grande ABC registrará saldo líquido pouco superior a 100 mil empregos.
Vou traduzir: se somarem todos os postos de trabalho abertos desde 2022, no pós-pandemia, e chegar-se a dezembro deste ano que vai terminar, é provável que o Grande ABC como um todo festejaria um pouco mais que 100 mil empregos de saldo líquido. Vai passar raspando.
FAZENDO CONTAS
Vamos somar? Se em 2022 foram 29.726 empregos de saldo líquido, se em 2023 foram 16.398, se em 2024 foram 30.559 e se até julho deste ano foram 18.897, o que temos são 95.580 trabalhadores contratados. Com os primeiros sete meses apresenta saldo positivo de 18.897 contratações, com média mensal de 2.699, o que provavelmente teríamos até dezembro, com muito boa vontade, não mais que por volta de 110 mil empregos em quatro anos seguidos. Anos de recuperação econômica, mesmo que fortemente turbinada por gastos públicos. No quadriênio anterior, entre 2018 e 2021, o saldo regional foi muito inferior. Tudo isso em quatro anos.
Vamos centralizar a projeção desta temporada somente tendo São Bernardo como alvo? Nas três temporadas anteriores de, repito, melhoria numérica da economia nacional (melhoria numérica é um alerta importante, porque coloca um freio no entusiasmo por conta da gastança já mencionada, uma gastança que tem tempo limitado e prejuízo dobrado) nas três temporadas anteriores, repito, São Bernardo somou saldos positivos e respectivos de 12.092, 4.926 e 11.118. Total? 28.136. Nesta temporada de ainda sete meses, São Bernardo apresenta saldo de 4.608 empregos. Somando tudo temos o total quadrienal incompleto de 32.744 trabalhadores contratados. Como a média de contratações de São Bernardo nos sete primeiros meses deste ano é de 658 trabalhadores, e acompanhando os próximos cinco meses dentro desse referencial, prevê-se um total de novas 3.290. Somando-se essa rebarba do calendário com os três anos e sete meses já mencionados, São Bernardo chegaria em dezembro de 2028 ao total líquido de 36.034 trabalhadores. Praticamente um terço do aclamado triunfalismo do secretário Demarchi e do prefeito Marcelo Lima.
Como os estudos que faço estão vinculados aos quatro anos de Marcelo Lima, a projeção com vistas aos 48 meses de um mandato interrompido mas que segue com a vice-prefeita que virou prefeita interina, Jessica Cormick, refaço os dados.
A perspectiva para esta temporada, pelo andar da carruagem dos primeiros sete meses da Administração de São Bernardo, é que teremos um saldo líquido de 7.896 trabalhadores no mercado de trabalho. Seria, portanto, a pior marca dos últimos anos. Com esse saldo projetado, São Bernardo terá de criar 92.104 novos postos de trabalho nos três anos restantes desse mandato. Média anual de 30.701. Continuo apostando o que tenho e o que não tenho com qualquer interessado. Os 100 mil empregos formais de São Bernardo é uma marca inatingível em 48 anos, a começar pelos 12 meses desta temporada.
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04/02/2026 OSASCO E VIZINHANÇA GOLEIAM GRANDE ABC