Regionalidade

Formadores de opinião já votam
nos fatos relevantes da década

DANIEL LIMA - 24/11/2010

Representantes da classe média do Grande ABC, integrantes do novo Conselho Editorial da revista LivreMercado, já estão escolhendo os fatos mais positivos e mais negativos que envolveram a região na primeira década do novo século. Foram relacionados 34 acontecimentos, 17 positivos e 17 negativos. Conselheiros terão até a próxima terça-feira, dia 30 de novembro, para definirem os enunciados mais importantes. Os cinco mais votados concorrerão numa segunda etapa ao ranking regional.


Só poderão participar da avaliação os novos titulares do Conselho Editorial da revista que criei em março de 1990 e que esteve sob minha direção editorial até janeiro de 2009. Retomarei o controle editorial na edição de janeiro de 2011 com série de novidades. Vamos explorar seguidamente o conhecimento e as percepções dos conselheiros. Há uma porção de questões que, colocadas à avaliação desses formadores de opinião, acabam mais bem delineadas.


Mais que isso: independente do posicionamento deste jornalista, a reprodução crítica coletiva do Conselho Editorial terá um peso sobressalente (e diria muito mais expressivo) para sensibilizar os protagonistas das atividades políticas e sociais do Grande ABC. O que pode ser discricionariamente entendido como birra de um jornalista que não se incomoda com os efeitos colaterais das análises que produz com frequência constante acabará se transformando, por força de gravidade do coletivismo do Conselho Editorial, em um bólido muito mais poderoso.


Escrevo o parágrafo anterior com base no fechamento do questionário que enviei aos conselheiros editoriais. A maioria das respostas a muitas indagações convergiu sincronizadamente na direção de um inconformismo latente da sociedade regional, se sociedade regional for o extrato do Conselho Editorial. Não imaginam os leitores quanto me sinto feliz ao acompanhar a chegada de cada questionário por caminhos digitais. Sinto que o Grande ABC não está morto, que respira, que pode, quem sabe, sair das catacumbas de inapetência social em que o enfiaram.


Esse primeiro questionário que formulei habilitou a inscrição de conselheiros editoriais praticamente marginalizados durante a gestão (com perdão da força de expressão) do produto pelo empresário Walter Sebastião dos Santos. O complicado empresário da Best Work adquiriu a marca LivreMercado e não teve a menor competência em gerenciá-la.


Walter Sebastião dos Santos acreditou piamente mas de forma caricata no Complexo de Gata Borralheira do Grande ABC. Ele estava convicto de que bastaria agradar a platéia num primeiro momento para submeter a todos à lobotomia crítica. Foi assim que promoveu dois coquetéis de primeira linha para tentar seduzir algumas dezenas de conselheiros editoriais quanto às intenções de continuar a fazer de LivreMercado jornalismo de primeira linha. Tudo maquiagem da pior qualidade. Durante o período em que esteve no comando da publicação, jamais deu a mínima atenção editorial aos conselheiros.


A base sobre a qual me lancei para capturar a confiança dos representantes da sociedade não foi outra senão o passado de quase duas décadas daquela que, sem favor algum, consolidou-se como a melhor publicação regional do País. Na medida em que transplanto às páginas digitais deste CapitalSocial parte do acervo editorial de LivreMercado, num processo que até completar-se levará muito tempo, restabeleceu-se a confiança de que seria sim possível reagrupar a maioria dos conselheiros que de fato desejam participar de um projeto vitorioso.


A relação dos fatos positivos e fatos negativos colocados à apreciação dos conselheiros editoriais possivelmente esteja bem distribuída, sem dar espaço a omissões homéricas. Pelo menos é o que espero, sinceramente, depois de somar
intervenções pessoais à colaboração dos conselheiros.


Fosse o leitor deste CapitalSocial membro do Conselho Editorial, teria dificuldades para escolher e hierarquizar três fatos positivos e três fatos negativos entre os 17 de cada categoria que constam da lista.


Fatos considerados positivos:


bullet_quadrado Chegada do trecho sul do Rodoanel


bullet_quadrado Eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva


bullet_quadrado Índices de criminalidade drasticamente rebaixados


bullet_quadrado Queda vertiginosa do índice de criminalidade em Diadema


bullet_quadrado Melhora considerável nos índices de acidente de trânsito


bullet_quadrado Chegada da Universidade Federal do Grande ABC


bullet_quadrado Consagração de São Caetano como a maior força dos Jogos Abertos do Interior


bullet_quadrado Acesso do São Bernardo Futebol Clube à Série A do Campeonato Paulista


bullet_quadrado Consolidação da Coop em meio à guerra de grandes companhias no setor de varejo


bullet_quadrado Dois títulos de vice-campeão nacional, título de campeão estadual e título de vice-campeão da Taça Libertadores da América pelo São Caetano


bullet_quadrado Conquista da Copa do Brasil e do vice-campeonato paulista pelo Santo André


bullet_quadrado Amadurecimento das relações entre sindicatos de trabalhadores e representantes empresariais


bullet_quadrado Melhora do sistema de captação de águas pluviais com a instalação de duas dezenas de piscinões


bullet_quadrado Santo André, São Bernardo e São Caetano passam a integrar a Série A do Campeonato Paulista pela primeira vez na história


bullet_quadrado Aumento da capacidade de produção do Pólo Petroquímico


bullet_quadrado Implementação do Profamília (espécie de Bolsa Família) em São Caetano


bullet_quadrado Implementação do Hospital Regional Mario Covas


Fatos considerados negativos:


bullet_quadrado Degradação da Cidade da Criança


bullet_quadrado Demora para a chegada do trecho sul do Rodoanel


bullet_quadrado Comprometimento da logística interna do Grande ABC por falta de investimentos municipais e regionais


bullet_quadrado Descompasso da Agência de Desenvolvimento Econômico, Clube dos Prefeitos e Câmara Regional em relação às prioridades regionais


bullet_quadrado Assassinato do prefeito Celso Daniel


bullet_quadrado Baixa produtividade regional dos deputados estaduais e federais do Grande ABC


bullet_quadrado Descontinuidade de políticas de valorização da Vila de Paranapiacaba


bullet_quadrado Distanciamento da Universidade Federal do Grande ABC das necessidades de desenvolvimento regional


bullet_quadrado Desarticulação e desaparecimento do Fórum da Cidadania


bullet_quadrado Desleixo com a proposta de regionalizar o Carnaval no Grande ABC


bullet_quadrado Baixíssima produtividade das Câmaras Legislativas


bullet_quadrado Queda do Santo André para a Série C do Campeonato Brasileiro


bullet_quadrado Manutenção da dependência exagerada da economia do Grande ABC da indústria automobilística


bullet_quadrado Pouco compromisso das entidades empresariais, sindicais, acadêmicas e sociais com a integração regional


bullet_quadrado Escândalo ambiental do Condomínio Barão de Mauá


bullet_quadrado Falta de ações relevantemente práticas e de perspectivas de ocupação econômica e social ambientalmente sustentável da Represa Billings e de outras áreas de mananciais


bullet_quadrado Baixa representatividade corporativa e social das entidades empresariais


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