Imprensa

Observatório de Promessas e
Lorotas vai controlar Província

DANIEL LIMA - 04/07/2013

Quem seria o maluco regional que se disporia a preparar o que chamaria de Observatório de Promessas e Lorotas da Província do Grande ABC? Maluco é apenas força de expressão, porque até outro dia os malfeitores de sempre diziam que este jornalista não passava disso e o tempo provou, ou melhor, as ruas provaram, que estava bem à frente dos revolucionários.


 


O que seria esse Observatório de Promessas e Lorotas? Mole, mole: seria definido um breve conjunto de infrações consumadas ou sob suspeição cuja pontuação seria debitada na conta dos ilusionistas que se especializaram ao longo dos anos em prometer realizações que não passaram ou não passam de embustes.


 


Garanto aos leitores que o Observatório de Promessas e Lorotas seria incômodo à reputação dos envolvidos, porque denunciar as falcatruas verbais é pouco.


 


Quando se coloca em forma de pontuação o que esses desalmados apresentam com a maior cara de pau do mundo aos leitores, certamente se tem avaliação mais completa e grave de cada caso.


 


Acho que o Observatório de Promessas e Lorotas poderia dividir as penalidades em três categorias, não mais que três categorias, para que não se tornasse complexo e pouco compreensível. Vou dar três exemplos de fatos reais que tipificariam as penalidades.


 


Gravidade nota cinco: O deputado estadual Orlando Morando prometeu transformar a abandonadíssima Chácara da Baronesa em novo Parque do Ibirapuera. Como a proposta é por cabeluda, estaria reservada a penalidade.


 


Gravidade nota sete: o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, prometeu construir um aeroporto internacional na área dos mananciais. Como a proposta é estupidamente inviável, a penalidade seria mais alta, porque a promessa é está fora dos parâmetros da razoabilidade, quando comparada à de Orlando Morando.


 


Gravidade nota 10: o prefeito Carlos Grana garantiu que ressuscitaria o projeto Eixo Tamanduatehy, legado de Celso Daniel que nenhum prefeito que o sucedeu ou do papel. Como se trata de um assunto por demais conhecido, do qual pretende claramente obter dividendos políticos mais amplos, porque envolve a imagem daquele que foi o maior prefeito regional desta Província, a nota de penalidade só poderia ser a máxima.


 


Insumos fartos


 


Enquanto dedilhava este texto imaginei que é possível sim tirar o terreno do sarcasmo inconformista esse chamado Observatório de Promessas e Lorotas. Vou pensar muito sobre o assunto nos próximos dias e, quem sabe, já que os insumos são fartos, resolva eu mesmo dar conta disso, solicitando para tanto o apoio dos conselheiros editoriais desta revista digital no selecionamento de sugestões. Não custaria muito elaborar relação que especificaria nomes dos falastrões de plantão, a suposta obra e a lorota anunciadas.


 


Veio-me a ideia de que o Observatório de Promessas e Lorotas não pode ser via de mão única a atordoar os autores de propostas indecentes. Como tudo é possível na roda viva do noticiário, quem sabe o que parece absurdo hoje conte com combinação de astros e estrelas e, de repente, vire realidade? Nesse caso, aconselha o bom senso, a contagem precisa de mecanismo reverso. Se Luiz Marinho foi penalizado com sete pontos por prometer um aeroporto internacional e conseguir dobrar deuses e o diabo e deslocar o equivalente a um Cumbica à região de Billings, os pontos devem ser naturalmente subtraídos.


 


Pensei até mesmo, por uns instantes, em não só devolver os pontos perdidos como também bonificar o autor da proposta inicialmente sem nexo, mas acabei por desistir. Não seria justa que eventuais outras estultices que façam parte do ranking do prefeito de São Bernardo tenham pontuação reduzida por conta de uma contrapartida inesperada. Só o fato de baixar em sete pontos negativos já é suficiente.


 


Se o Observatório de Promessas e Lorotas for levado adiante, o certo e decidido preliminarmente é que o ranking terá a participação de todos os agentes públicos e privados de relevância à sociedade regional. A base da contabilidade que seria executada serão as declarações desses agentes à imprensa em geral, impressa, digital e eletrônica.


 


Um exemplo: Milton Bigucci é candidatíssimo a constar do ranking porque segue a patrocinar um fetiche chamado balanço regional do mercado imobiliário, que não passa de embuste. Nesse caso, se o Observatório de Promessas e Lorotas for mesmo efetivado, a contagem será cumulativa. O que isso significa? Que toda vez que o delito informativo se manifestar, os pontos equivalentes à traquinagem serão acrescidos com o mesmo peso. Ou seja: a cada balanço imobiliário de Milton Bigucci, o total de 10 pontos, que seria a penalidade máxima atribuída ao abuso, seria multiplicado por tantas vezes ele reunir a imprensa para divulgar falsidades numéricas.


 


Ideia que amadurece


 


Já nas últimas linhas deste texto, eis que vou amadurecendo a ideia de criar um mecanismo para conter as barbaridades que a imprensa divulga na região. Está parecendo mais claro que nunca que devo sim dar vida ao Observatório de Promessas e Lorotas. Talvez comece a alinhavar a primeira versão do ranking que balizará para valer o que será minuciosamente cuidado ao longo dos tempos. Precisamos, agora que todos foram ou querem ir às ruas, acabar com a farra de promessas eleitorais, pós-eleitorais ou pré-eleitorais. E também com prestidigitadores informativos impunes porque a mídia lhes estende o tapete de credibilidade falsa, porque em muitos casos se sabe que tudo não passa mesmo de tapeação, de jogo de cena, de embuste.


 


Pois está criado o Observatório de Promessas e Lorotas. Destruir essa iniciativa com o cumprimento de promessas e a transformação de lorotas em coisas sérias seria o melhor presente que os protagonistas dariam à sociedade. Estou pronto para compartilhar essa proposta com as demais mídias da região. Quem se habilita a tocar fogo na casa de maribondos dos que se acham donos do pedaço?


 


Aguardem mais informações na próxima semana, porque começarei a preparar o ranking que será exposto a cada 30 dias. Quando agosto chegar, teremos o primeiro diagnóstico do quanto se fala de bobagem ou quanto se tergiversa na Província do Grande ABC. O Observatório de Promessas e Lorotas vai controlar a região no sentido direto e reto de que dará dimensão mais clara e exata do quanto se brinca com informação em forma de gestão pública e iniciativas privadas e sociais. 


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