Regionalidade

Paulínia segue na liderança
em transformação industrial

DANIEL LIMA - 09/09/2003

Endereço de poderosa e seletiva indústria química e petroquímica, fortemente geradora de tributos, a pequena Paulínia, de 56 mil habitantes, na Região Metropolitana de Campinas, continua liderando de forma absoluta o ranking de VA (Valor Adicionado) do IEME (Instituto de Estudos Metropolitanos). O indicador faz parte do IDEE (Índice de Desenvolvimento Econômico Equilibrado). Com capacidade de transformação de produto de R$ 288,16 mil por habitante, Paulínia está disparadamente à frente da segunda colocada, a litorânea Cubatão, que registou no exercício de 2002 a geração de R$ 75,98 mil de VA por morador, ou seja, 2,63 vezes menos que a líder.


Principal indexador de distribuição do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelo governo do Estado, com peso de 76%, o Valor Adicionado é espécie de PIB da indústria de transformação. A posição de Paulínia é privilegiada porque acumulou R$ 15,6 bilhões de Valor de Transformação Industrial no ano passado, marca que supera, em números absolutos, poderosos municípios industriais como Guarulhos, São José dos Campos, São Bernardo e Campinas, e só fica atrás da Capital. Mas na divisão por habitante, Paulínia extrapola com ampla diferença dos demais competidores. São Paulo, por exemplo, é 35ª colocada.


Embora tenha aumentado em 24% nos últimos oito anos seu Índice de Potencial de Consumo, produzido pela Target Marketing e Pesquisas, Paulínia sofreu no mesmo período perda de 18,3% no indicador por habitante. Tudo porque em 1995 a cidade contava com população de 41 mil, contra 56 mil projetados para dezembro de 2003, ou seja, crescimento demográfico de 36%.


O Potencial de Consumo de cada morador de Paulínia para este ano é de R$ 7.794,44. O resultado, quando contraposto ao crescimento permanente do Valor Adicionado per capita, demonstra que Paulínia não consegue reter internamente grande parte da riqueza produzida pela setor de transformação. Tanto que ocupa a 21ª colocação na especialidade da Target entre os 55 municípios mais importantes do Estado.


No extremo oposto da líder Paulínia no ranking do Valor Adicionado está a litorânea São Vicente, que gerou apenas R$ 385,556 milhões de transformação industrial em 2002. Com população de 310,9 mil habitantes, São Vicente conta com Valor Adicionado per capita de apenas R$ 1,24 mil. O potencial de consumo per capita de São Vicente projetado para este ano pela Target é de R$ 6.739,47 -- redução de 24,11% em relação a dezembro de 1995. Esse resultado a coloca em 39º lugar no ranking geral das cidades pesquisadas.


A manutenção do peso de 76% do Valor Adicionado como definidor do repasse do ICMS aos 645 municípios paulistas manterá Paulínia e São Vicente, entre outros casos, em pontos antagônicos na estrutura arrecadatória. O total de receitas de Paulínia em 2002 atingiu R$ 344,9 milhões, contra R$ 191,3 milhões da mais populosa São Vicente. A cidade do Litoral recebeu R$ 29 milhões de repasses do Estado, contra R$ 289,8 milhões contabilizados por Paulínia. Essa distorção é um dos pontos sobre os quais o Instituto de Estudos Metropolitanos mais se debate.


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