Imprensa

Vem aí um breve manual sobre
Gataborralheirismo da Província

DANIEL LIMA - 02/04/2018

Já estou preparando e vou publicar em 16 de abril um breve manual sobre o Complexo de Gata Borralheira, enfermidade degenerativa cultural que impacta a Província, outrora Grande ABC. Comecei essa tarefa no feriado prolongado. Como fujo de viagens, aproveito o tempo largamente disponível para colocar a casa em ordem. Colocar a casa em ordem não quer dizer que virei arrumadeira. Apenas procuro dar uma ajeitada no amontado de demandas profissionais pendentes. Daí a alguma invenção é um pulinho.  

O dezesseis de abril que se aproxima é simbólico: foi nessa data, há 16 anos, que lotamos o Teatro Municipal de Santo André no lançamento do livro “Complexo de Gata Borralheira”. Escrevi em uma semana a obra que se esgotou em pouco tempo. Fui convidado inclusive a peregrinações por escolas diversas. Vivi dias de uma regionalidade prática esfuziante. 

Comecei a escrever Complexo de Gata Borralheira coincidentemente sexta-feira, 18 de janeiro, poucas horas antes do sequestro do prefeito Celso Daniel na Capital. A violência urbana me incomodava tanto que decidi colocá-la como foco principal do livro. A Região Metropolitana estava coalhada de malfeitores violentos. A quadrinha de “Monstro” era apenas um dos pontos da imensidão de delinquentes em operação na Região Metropolitana. 

Leitura dramática 

O evento no Teatro Municipal marcou inesquecível leitura dramática envolvendo personagens do livro em homenagem a Celso Daniel. Ver meus personagens ganhando vida no palco foi uma sensação maravilhosa. 

Nos próximos dias vou resgatar mais informações sobre aquele encontro cultural realizado a toque de caixa porque assim o determinavam o humanitarismo. Celso Daniel completaria 51 anos de idade em 16 de abril. A data do evento foi definida como premissa à homenagem.  

O Manual do Gataborralheirismo é resumo do resumo de boa parte de minha produção como jornalista que tem a região como foco principal e o mundo como voyeurismo a questionamentos locais. 

Quando morrer espero que alguém que já designei mantenha este site ativo. E o Manual do Gataborralheirismo será um guia a ser permanentemente lembrado com marketing ativo para impedir que falastrões ocupem manchetes com mentiras e embromações de sempre. 

O que me leva a pensar que o que já escrevi serviria de referencial para desmentir agentes sociais, políticos e privados num futuro do qual não participarei fisicamente é algo que está escrito nas estrelas da intuição e do conhecimento acumulado: essa gente que supostamente cuidaria do futuro da região agirá tal qual aqueles que ergueram ou estão a erguer, quando não passarão a erguer, castelos de areia que não resistem a um simples sopro de independência associada a solidez de informação. 

Atualidade permanente  

Muito pouco provavelmente o Manual do Gataborralheirismo correrá o risco de perder-se nas brumas do tempo de transformações sociais e econômicas. Pelo menos nos próximos 50 anos, grande parte dos insumos que usarei em linguagem simples e objetiva não correrá o risco de tornar-se velharia. 

Faço esse diagnóstico com muita dor no peito. Gostaria de já hoje, enquanto vivo, saudável e queiram ou não destemido porque louco, ter convertido ácidas críticas e constatações irrefutáveis em sucata de um passado que só teríamos de lamentar, sem conectá-lo, portanto, ao futuro. 

É certo que o Manual do Gataborralheirismo reunirá pelo menos 50 pontos em forma de sentenças condenatórias à inapetência de a região abandonar o raquitismo de cidadania. Nossa regionalidade é um fracasso inexorável manipulado descaradamente sobretudo por agentes públicos despudorados, oportunistas, vendilhões da alma em troca de votos. 

A profissional indicada por mim para seguir com este site no ar sabe que todo o acervo desta revista digital e também da antecessora, LivreMercado, publicação que criei e dirigi por duas décadas, devem permanecer como linha divisória que -- gostem ou não os invejosos e os estupradores de informações e de dados em geral -- demarcará uma fase do jornalismo regional em que prevaleceu o interesse público acima de tudo. Mesmo quando o interesse público fora supostamente desqualificado ou ainda supostamente agredido.  

Tecnologia facilitadora 

Sempre que uma manchete suspeita vier a público espero não me revolver no túmulo para lembrar que há prováveis registros sobre o assunto em questão. Basta para tanto municiarem tecnologia disponível para, em primeiro lugar, consultar o Manual do Gataborralheirismo, indicador de captura rápida do tema já abordado, e, em seguida, pesquisar o acervo. Nada demorado. 

Quero assombrar a todos os prevaricadores sociais quando desta vida me despedir. Terei uma vantagem da qual não gozo agora. Longe disso: sofro muito por intervir com informações conflitantes com interesses mesquinhos. Que vantagem? Ninguém mais poderá me ameaçar veladamente ou não, exceto se profanarem meu túmulo. Terei a desvantagem de não receber e-mails de reconhecimento à labuta. Ou estarei enganado e o pós vida permitiria a eventuais admiradores manifestações reservadas em número muito maior porque ninguém haveria de persegui-los por concordarem com minhas ideias e propósitos? 

Rio só de pensar na possibilidade de azucrinar a vida de bandidos sociais mesmo depois de ter passado desta para uma melhor, como dizem os espiritualistas, ou desta para uma pior, como afirmam os espíritos de porco. Espero que meus detratores tenham uma vida terrena bastante longa. Dona Carminha, vidente que consultei no Guarujá, me garantiu há duas décadas estar garantido por aqui até completar 94 primaveras. 

Comendo poeira 

Acho que os bandidos sociais de geração um pouco mais adiantada na cronologia batismal não ultrapassarão minha marca. Aqueles que pertencem a gerações anteriores, hão de conviver com o site já encomendado a permanecer no ar.  Vou ser um fantasma pouco camarada com todos eles. Como o sou hoje com os mais vivos da praça. Nem depois de morto vou temer réplicas que hoje, vivo, poucos têm coragem de apresentar porque seria patetice pública. Contra eventuais covardias semânticas, não faltarão textos esclarecedores. Bastaria pesquisar. 

Querem um exemplo de como seria terrível aos leitores de novas gerações terem que conviver com notícias sem pé nem cabeça, como é o caso de o ex-prefeito Gilson Menezes virar destaque da Lista de 60 Anos do Diário do Grande ABC? 

Só porque foi o primeiro prefeito petista eleito no País (em 1982), Gilson Menezes entrou numa relação que tem gente incontestável. Ainda em vida, fiz reparos à escolha. Estou pouco me lixando com quem eventualmente se ofendeu com a iniciativa, tanto no jornal como entre os familiares do homenageado. Jornalismo não é Relações Públicas e tampouco ramificação religiosa. 

Vou dar algumas instruções a quem cuidará deste site assim que bater as botas. Acredito na Dona Carminha e nos 94 anos projetados, mas cautela não faz mal e não custa nada. A principal medida é sustentar por todo o tempo possível no site assinado por um fantasma a manchetíssima do dia 16 de abril deste ano, quando publicarei o brevíssimo Manual do Gataborraheirismo. 

Repetindo: ali estará o mapa da mina das questões mais candentes da região, vasculhadas em carne e osso e alguma massa encefálica durante a breve passagem terrena por um maluco de pedra.  

Recurso tecnológico 

Mas mesmo que alguma temática não tenha sido mencionada no Manual do Gataborralheirismo, deixarei um lembrete no sentido de que se produza com clareza de raciocínio e facilidade tecnológica um manual técnico, por assim dizer, para capturar em meio às atuais mais de cinco mil matérias desta publicação digital os assuntos do dia.  

Querem um exemplo esclarecedor? Imaginem que a manchetíssima (manchete das manchetes de primeira página) do Diário do Grande ABC destaque mais uma vez, como já o fez em muitas oportunidades, que a região é dotada de um dos cinco maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do País. Imaginaram? 

Pois, mesmo morto, hoje, amanhã ou em 30 anos, lá estará à disposição dos leitores série de matérias provando com conceitos irretocáveis e dados fartos que tudo não passa de balela. Afinal, da mesma forma que nos colocamos como região na soma de sete municípios, outras áreas do Estado de São Paulo e do País também o são em termos de regionalidade geográfica e econômica. 

Nossa regionalidade se esgota, em linhas gerais, na conturbação urbana sofisticadamente indesejável para efeitos de produtividade. Qualquer análise além disso é balela. Tudo isso e muito mais constarão do Manual do Gataborralheirismo, o melhor antídoto para combater o triunfalismo, o banditismo e o comodismo dessa região. Protestos? Enviem cartas ao Cemitério do Jardim da Colina. Antes, tratem de viver o suficiente porque Dona Carminha, diziam seus clientes, não costumava errar. 



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