Sociedade

Quem lidera qualidade
de vida no Grande ABC?

DA REDAÇÃO - 03/09/1997

Qual é o Município da região com melhor qualidade de vida? Qual é o nível de qualidade de vida da região em relação aos grandes Municípios do Estado?

Estas e outras respostas vão ser conhecidas até o final do ano através de estudos do Instituto Pólis, organização não-governamental de atuação nacional fundada em 1987 por especialistas em questões urbanas, políticas públicas, gestão municipal e educação popular. A previsão é do médico Jorge Kayano, diretor da entidade. Ele promete incorporar dados mais atualizados ao trabalho em relação ao ranking divulgado recentemente, que apontou São Caetano como campeã de qualidade de vida entre os 49 Municípios paulistas com mais de 100 mil habitantes e onde residem mais de dois terços da população do Estado.

O próprio diretor técnico do Instituto Pólis reconhece que o ranking paulista não é exatamente consistente, na medida em que não só está defasado, porque os dados mais atualizados são de 1991, como também não foram analisados alguns indicadores que ele mesmo julga indispensáveis, casos de criminalidade e meio ambiente, entre outros. Publicados na edição de julho da revista Já, encarte do Diário Popular, os resultados dos estudos conflitam com matéria de dezembro do ano passado da revista Exame, da Editora Abril, com base em pesquisas da Trevisan Associados. Além de metodologias diferentes, o ranking da Trevisan envolveu os 150 maiores Municípios brasileiros, contra a meia centena dos paulistas do ranking da Pólis.

No ranking da Trevisan, São Caetano é a 13ª colocada no País, atrás de Campinas (terceira colocada), São Paulo (quinta), Ribeirão Preto (sexta), São José do Rio Preto (10ª) , São Carlos (11ª) e Botucatu (12ª). Nenhum outro Município do Grande ABC aparece entre os 20 melhores de uma lista comandada por Porto Alegre. 

Já no ranking da Pólis, defasado pelos dados e estruturalmente menos denso, São Caetano supera a vice-campeã Santos. Seguem, pela ordem, até o 10º lugar: Ribeirão Preto, Americana, São José do Rio Preto, Campinas, São Carlos, Araraquara, Jundiaí e Santo André. O estudo também aponta os 10 Municípios em que a qualidade de vida é mais baixa. Sete Municípios da Região Metropolitana de São Paulo estão entre eles, um dos quais Diadema. 

Para quem tem curiosidade de comparar a performance da líder São Caetano e da 10ª colocada Santo André, o quadro de diferenças é francamente favorável à primeira colocada. A renda média mensal em salários mínimos de São Caetano é de 7,1, enquanto em Santo André é de 5,8. Já na proporção de chefes de domicílios com renda mensal de até dois salários mínimos, São Caetano atinge 25,1%, contra 27,7% de Santo André. O coeficiente de mortalidade infantil de São Caetano é menor: 20,8% contra 24,3%. São Caetano também ganha fácil em número de leitos por mil habitantes, com 5, contra 2,3. Também no percentual de crianças de 4 a 6 anos matriculadas em pré-escolas municipais São Caetano atinge 64,2%, contra 42,2%. Já na taxa de evasão escolar a diferença é menor: São Caetano atinge 7,9%, contra 8,5%.

Outra superioridade de São Caetano está na taxa de analfabetismo em maiores de 15 anos, com 5,6%, contra 6,6% de Santo André. O percentual de crianças cujo chefe de família tem menos de um ano de estudo é menor em São Caetano (5,9%) do que em Santo André (8,1%). O número médio de moradores por domicílio também favorece São Caetano, cujo índice é inferior: 3,46 contra 3,79. E, finalmente, no número médio de cômodos por domicílio, São Caetano atinge a média de 5,60 contra 5,19 de Santo André. 

O executivo Jorge Kayano, do Instituto Pólis, afirma que dos rankings do Grande ABC e do Estado vão constar novos indicadores sociais. Preliminarmente, afirma que criminalidade e meio ambiente são aspectos indispensáveis, bem como a coleta de lixo.  

Contrastando com os restritos indicadores do Instituto Pólis, os trabalhos da Trevisan Associados, com base em dados mais atualizados de um coquetel de fontes de informações, contempla alfabetização, matrículas no Primeiro e Segundo Graus, qualidade das faculdades, pós-graduação, consumo per capita, trabalho, mortalidade infantil, expectativa de vida, número de leitos hospitalares, habitação, saneamento, aeroportos, rodovias, clima, criminalidade e restaurantes. 


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