Imprensa

Nove meses de cinco anos que
transformariam o Diário (17)

DANIEL LIMA - 19/11/2019

Decidimos reproduzir de uma vez nada menos que cinco edições da newsletter Capital Digital Online. Utilizei essa ferramenta eletrônica de comunicação no período de nove meses em que estive diretor de Redação do Diário do Grande ABC, entre meados de 2004 e o primeiro quadrimestre do ano seguinte. A reprodução tem sempre o objetivo de fortalecer os pressupostos de minha pregação editorial no jornal mais tradicional do Grande ABC.

Os leitores que têm acompanhado esta série contam com um inventário sem mistificações e transparente até a medula ética da aplicação até onde foi possível no tempo do Planejamento Estratégico Editorial que carreguei debaixo do braço quando resolvi aceitar o convite daquela empresa.

Em 2004 completavam-se 14 anos à frente da revista LivreMercado, publicação que criei e dirige editorialmente durante quase duas décadas. Havia, portanto, um passado e um presente a sustentarem o projeto que delineei em quase 100 mil caracteres. Acompanhem as edições que empacotei com as seguintes e respectivas datas de 2004: 19, 20 e de novo 20 de setembro; 1º e 7 de outubro. 

 Edição número 19   

Uma edição extremamente

cuidadosa da Sabatina Diário 

O padrão de qualidade do caderno especial da Sabatina Diário de Rio Grande da Serra, sob os cuidados de Robinson Sasaki, deve servir de referência aos cadernos subsequentes. Acompanhei com atenção a ação do Sasaki e posso assegurar que o nível atingiu o mais elevado ponto. Houve ação deliberadamente cuidadosa para que as opiniões dos prefeituráveis de Rio Grande constituíssem algo bastante interessante. 

Quem já degravou alguma fita na vida sabe o quanto é complicado harmonizar as declarações à linguagem jornalística, tornando-as atrativas como leitura. Pois Robinson Sasaki conseguiu transformar o que dizem ter sido um embate pouco inteligente em obra substanciosa. A edição, então, merece nota máxima.

 Edição número 20 

Troca de legenda, uma

aberração que se repete 

A recorrente troca de fotos precisa ter fim. Vou cobrar da Fotografia a responsabilidade pelo produto final nesse ponto. Não é possível admitir como obra do destino a repetição sistemática de falha de identificação. O que tivemos na edição deste domingo, com a suruba entre Brandão e Avamileno, é acachapante. Diria que quase imperdoável. O sistema adotado para a liberação de páginas deve estar superado, porque não é de hoje que casos como o que estou apontando acontecem. 

O que mais me choca não é propriamente o erro em si, mas o pós-erro. Os profissionais dão a impressão de que se trata de uma fatalidade e como tal deve ser vista. Os leitores que se danem. Entendo que a troca de fotos como a que tivemos domingo compromete toda a edição. Há leitores que não perdoam e julgam o jornal mais pelos erros do que pelos acertos.

Quando apenas acompanhava o jornal, entendia que erros como esses são uma aberração. Agora que faço parte do processo, acho que, mais que aberração, são uma estupidez. 

Nossa obrigação é desvendar o mistério que nos coloca de quatro diante de casos como esses. Não aceitarei mais fotos ou legendas trocadas. E o Departamento de Fotografia é quem vai me prestar contas. Além dos editores e da Secretaria, evidentemente. 

 Edição número 21

Preparei no final de semana em meu escritório domiciliar, entre outras tarefas, um questionário com quatro perguntas de três respostas alternativas cada. O material será levado a campo por uma equipe de universitários. Vamos ouvir os convidados da festa do Prêmio Desempenho, amanhã à noite em São Bernardo.

Não é a primeira nem será a última vez que adotamos essa proposta que, ao mesmo tempo em que nos fornece insumos para a produção jornalística, nos indica caminhos. 

Adotamos a prática de situar as respostas alternativas sob três cenários distintos: o primeiro sempre bastante otimista, o segundo moderado e o terceiro bastante cético. Foi assim que, ao longo dos anos, por exemplo, conseguimos detectar que o Fórum da Cidadania, o Consórcio de Prefeitos e a Agência de Desenvolvimento Econômico, entre outros pontos, não contavam com o respaldo da sociedade. 

Serão respondidos pelo menos 400 questionários entre 19h30 e 21h de amanhã. Indagamos sobre a Universidade Federal do Grande ABC, sobre o Complexo de Gata Borralheira, sobre a importância das Câmaras de Vereadores e mais um assunto que não me lembro. 

 Edição número 22 

Espero que os profissionais de comunicação do Diário desempenhem com empenho, dedicação e o máximo de interesse a cobertura das eleições neste ano. Acho que contribui com o principal -- dar organicidade metodológica à cobertura, de modo que não se cometam besteiras de eleições passadas quando o superdimensionamento divorciado de planejamento gerou cumulatividade de desperdício. O mapa da mina foi traçado. Agora é ter um mínimo de engenhosidade no monitoramento que tudo sairá bem. 

 Edição número 23 

Banco de horas: agora sim

um aliado dos profissionais 

O banco de horas implantado no Diário e que se tornou montanha de problemas chegou nos dois últimos meses ao estágio que pretendíamos: estamos debelando o incêndio da má gestão e aquecendo os motores da produtividade. 

Nada mais interessante, porque a nova situação fortalece os profissionais agregados à Redação e revela o quanto estamos comprometidos com o produto final sem acrescentar custos. Poderemos, diante de eventuais situações especiais, como no caso da cobertura das eleições, sacar do banco de horas para fortalecer o produto. Só não podemos fazer dessa modalidade rotina em casos convencionais. 

Resumidamente, conseguimos nos 30 últimos dias vencidos em 18 de setembro não só acabar de vez com o saldo negativo do banco de horas como alcançarmos 142 dias de saldo positivo. Por saldo positivo se entenda o que a Redação deixou de incorporar de carga suplementar ao congelamento do banco de horas. Em verdade, no segundo mês em que foram adotadas medidas de acompanhamento do banco de horas, a Redação simplesmente reverteu o processo porque a média anterior acusava exatamente números semelhantes, mas como dias negativos. 

Talvez esteja utilizando equivocadamente os verbetes "positivos" e "negativos", que podem expressar juízo de valor, mas não é esse o caso. Utilizei-os apenas para simplificar a abordagem. O banco de horas pode e deve ser apenas positivo, desde que bem gerenciado. É uma ferramenta como a faca de cozinha, que, sob o controle de mãos hábeis, garante um churrasco inigualável, mas, de posse de um facínora, provoca desgraças. 

As respostas que a Redação vem oferecendo nos animam porque se dão como desdobramento de um período inicial de inconformidades. Ainda estamos distantes do produto de qualidade que baliza meus sonhos, mas sem dúvida a reação conjunta é alentadora. A cobertura das eleições é prova disso. Contamos com um grupo de profissionais numericamente muito inferior ao de quatro anos atrás, mas conseguimos resultados bem mais interessantes. 

Estou particularmente feliz porque a insistência com que tenho batido na tecla de planejamento e conceituação das atividades está encontrando respostas. Espero que principalmente a Secretaria e as Editorias não percam a percepção de que sem diagnóstico, planejamento, execução e controle -- exatamente nessa ordem --jamais conseguiremos superar os desafios. Tudo que nos propusermos a fazer exige esses quatro estágios. Quando se desdenha qualquer uma dessas medidas, tenham absoluta certeza de que há o risco de descarrilamento.



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