Exatamente 20 anos depois de lançado num Teatro Municipal de Santo André completamente lotado para assistir a uma leitura dramática, o livro de papel Complexo de Gata Borralheira, deste jornalista, começou a ganhar uma segunda versão a ser escrita para edição digital.
Os 20 anos que separam as duas datas serão o foco principal da obra que já começou a ganhar contornos como resultado de planejamento. Tanto que o primeiro capítulo, já pronto e acabado, será publicado na edição de amanhã. Os demais serão editados em datas aleatórias.
Voltar a mergulhar na realidade do Grande ABC sempre tendo como contraponto da ocupação territorial e cultural (no sentido mais amplo da expressão) a vizinha Capital e o Estado de São Paulo é uma obrigação que me impus definitivamente agora, depois de um ensaio de muitos anos.
Já passou da hora de mostrar o Grande ABC deste século numa linguagem alegórica, por assim dizer. Por isso trataremos dos mais diferentes temas que dizem respeito ao futuro da região, cujos desdobramentos têm fundas raízes no passado de negligências municipalistas e ausência de regionalidade institucional.
UMA VEZ BORRALHEIRA...
O título da segunda versão de “Complexo de Gata Borralheira” -- com que foi contemplada a edição de abril de 2002 -- não poderia deixar de trafegar pela mesma temática: “Uma vez Borralheira, sempre Borralheira”.
Inicialmente pensei em acrescentar um ponto de interrogação no complemento da frase-título. Mudei de ideia para não ser hipócrita: salvo excepcionalidade que, exatamente por ser excepcionalidade não está no plano de voo da lógica estruturada, Completo de Gata Borralheira é uma enfermidade sociológica que somará novas dosagens de terapia sem resultados efetivos.
Ou seja: trata-se efetivamente de um desvio sociológico que, como metástase, se alastra pelo corpo regional.
EDIÇÕES COMPLEMENTARES
É inevitável que comparo a primeira edição com a que começou a ser escrita sábado passado, 16 de abril. “Uma vez Borralheira, sempre Borralheira” não está descolada da origem com que me lancei à produção do começo do século, exatamente um dia antes do arrebatamento do prefeito Celso Daniel, num sequestro que terminou em assassinato. Tampouco de 16 de abril do mesmo ano, quando do lançamento da obra num evento coincidente com a data de aniversário de nascimento do maior prefeito regional do Grande ABC.
Grande parte do que os leitores acompanharão a partir de amanhã e em datas erráticas já ganhou espaço nesta revista digital e também nas páginas impressas da revista LivreMercado mesmo antes da morte de Celso Daniel.
A diferença é que a abordagem mais popular possibilitará acesso mais compreensível aos leitores.
GRANDE SURPRESA
A grande surpresa, reparadora surpresa, desta segunda edição de Complexo de Gata Borralheira, no caso “Uma vez Borralheira, sempre Borralheira”, é que teremos um personagem novo que dividirá a mesa de reuniões com as sete cidades da região, com a Cidade de São Paulo e com o Estado de São Paulo. Desta feita, teremos à cabeceira da mesa não mais o Estado, mas o Grande ABC.
O que o leitor que não acompanhou a primeira edição de “Complexo de Gata Borralheira” poderia indagar é como é possível ser coerente com a regionalidade se um personagem como o Grande ABC não ocupou uma cadeira da mesa em 2002. A explicação é simples: a responsabilidade foi entregue em confiança aos sete municípios.
Pressupunha-se que os sete municípios agiriam coletivamente. Uma tremenda decepção, como se viu. Então, agora entra em cena o Grande ABC. Com uma diferença fundamental ao que sugeria o fato de que estaria atrelado aos sete municípios individualistas. Mas isso só revelaremos no primeiro capítulo. Amanhã.
VINTE ANOS DEPOIS
Comecei a escrever “Uma vez Borralheira, sempre Borralheira” depois de organizar as ideias e colocar no papel um planejamento temático.
Como se sabe, a regionalidade do Grande ABC que está no âmago de resoluções do Grande ABC é um imenso guarda-chuva de questões que precisam ser atacadas coordenadamente. Daí, claro, dispensar ações municipalistas que caracterizam e controlam interesses das cidades, também chamadas de bicho-de-sete-cabeças.
A projeção é que nenhum tema importante ao futuro do Grande ABC será descartado na nova obra. E que não haverá contemplação com os recalcitrantes. Nada escapará à abordagem.
O Clube dos Prefeitos, a Fundação do ABC, as demais instituições sociais, o sindicalismo, os pequenos negócios, as universidades, os legislativos, os Executivos, tudo, absolutamente tudo, passará por escrutínio em linguagem teatral.
DIVIDINDO A MESA
Os personagens que dividirão a mesa de discussão vão se mostrar como são por natureza ambiciosos, individualistas e fraudulentos nas relações com a sociedade, representada explicitamente pelo personagem “Grande ABC”. Que será implacável, exercendo curadoria de exigências que não podem mais ser procrastinadas.
Quem quiser conhecer o Grande ABC de verdade que a primeira versão de Complexo de Gata Borralheira mostrou terá a oportunidade de acompanhar atentamente o desempenho do personagem “Grande ABC”. Quase três milhões de habitantes vão antagonizar posicionamentos com os municípios.
O olhar dos municípios para os próprios umbigos será dinamitado pelos ocupantes do Condomínio Grande ABC. Sim, essa também é uma das novidades da segunda versão.
O local do encontro de 2002 foi um hotel-fazenda no Interior do Estado. Agora será na região, com mando de campo do Grande ABC contra os municípios da região, o Estado e a Cidade de São Paulo.
ABAIXO A INDIVIDUALIDADE
Quem acha que o pau vai apenas quebrar nesse novo encontro está redondamente enganado. O ambiente será ainda mais efervescente do que decorria de discussões mais acaloradas na primeira reunião de resultados pífios.
Desta vez teremos uma centralidade de interesses contrariados ao longo dos anos. Uma centralidade sob a forma do Grande ABC, o personagem em questão. O Grande ABC será a voz crítica, a voz cética, a voz independente da população regional.
A individualidade dos municípios vai ser duramente confrontada não apenas entre si, mas com o arbitramento do Grande ABC. Quem mandou não se preparem durante duas décadas seguintes?
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12/02/2026 REDES SOCIAIS BEM AO GOSTO DOS PODEROSOS