Imprensa

O DESAFIO DE ESCOLHER AS
10 CAPAS MAIS IMPORTANTES

DANIEL LIMA - 13/05/2025

Como parte de uma história inteira de reformismo editorial, convoquei minha expertise em regionalidade para escolher as 10 principais capas da revista de papel LivreMercado, antecessora desta publicação digital. A programação faz parte do Ano 35 do melhor jornalismo regional do País. Uma árdua, diligente e entusiasmada façanha que dividi ao longo de 19 anos com uma equipe de jornalistas de primeira linha, pioneiros numa especialidade cada vez mais rara: o regionalismo de um Grande ABC separatista desde meados do século passado.

A partir desta semana, provavelmente desta quinta-feira, vamos reproduzir neste espaço, uma vez por semana, as melhores análises de LivreMercado/CapitalSocial. São vários os pontos que convergem ao encontro das águas de uma sincronia editorial desafiadora.

O que quero dizer é que não necessariamente as 10 capas escolhidas seriam as 10 melhores capas da história. Há dificuldade em separar as competidoras. Corro o risco de errar, e essa frase significa que de imediato imponho a mim mesmo habeas-corpus decisório: há uma imensidão de capas que os leitores mais observadores de LivreMercado poderão sentir falta. É o risco que se corre.

CONCEITOS DEFINIDORES

Defini alguns conceitos que determinaram o empenho crítico com que me lancei à coleção de exemplares de LivreMercado e que constam de meu acervo pessoal – todo reservado no sótão de minha residência, graças, claro, à dedicação da jornalista Malu Marcoccia.

Foi Malu Marcoccia, uma das melhores profissionais de jornalismo deste País, durante muito tempo editora-chefe de LivreMercado, depois de passar por grandes publicações, inclusive O Globo, responsável por todo o cuidado, atenção e disciplina de, mês após meses, recolher cinco exemplares de cada edição para a posteridade.

Entre novembro de 1996 e janeiro de 2009, LivreMercado de papel contabilizou 135 edições que alçaram à capa reportagens e análises que, antes disso, e depois disso, não contavam e não contam com essa característica. Reportagem de Capa no sentido mais tradicional da expressão é uma preciosidade de revista de papel. Mas também comporta jornais diários, em forma de manchetíssima.

FLEXIBILIDADE DO TEMPO

LivreMercado de papel poderia também contabilizar como reportagem de Capa todas as edições a partir de março de 1990, quando começou a circular tendo como mote a Economia do Grande ABC. A matéria principal de primeira página daquele modesto tabloide em papel especial  versava sobre um assunto até então desconhecido da região: a desindustrialização medida, escrutinada e irreversivelmente comprovada.

Foi um alvoroço escrever sobre desindustrialização, evasão industrial, essas coisas. Lembro do quanto me chamaram de arrogante, de prepotente, dessas coisas que os covardes ainda hoje nas redes sociais, à falta de argumentos, apelam para a agressão. Estou cantando e andando para imbecis juramentados. Como estava àquela época. O tempo provou quem tinha razão. Infelizmente.

Mexer com os brios de uma sociedade servil e desorganizada não é tarefa fácil. Haverá sempre um caluniador de plantão. Mal sabem esses covardes que não existe nada que ative com mais veemência e destemor meu dispositivo motivacional que o desafio de desmascarar  vagabundos de plantão.

Foi com esse espírito, de enfrentamento, mesclado de solidariedade das Madres Terezas, do contraponto àqueles que não veem virtudes no Estado de primeira instância, caso de prefeituras, entre outras  iniciativas,  que LivreMercado surgiu na praça. E já são 35 anos.

INDISPENSÁVEL

Mas, voltando ao que interessa, organizei um conjunto de temáticas que balizam a definição das 10 Melhores Capas de todos os tempos. O guarda-chuva da regionalidade é o  eixo estruturante a definições que envolvam a captura memorial de LivreMercado/CapitalSocial.  

Quem quer que se lance a perscrutar a história do jornalismo e da regionalidade do Grande ABC ao longo da história fará um trabalho mequetrefe se não der prioridade aos 35 anos de LivreMercado/Capital. Não existe a mais tênue possibilidade de encontrar na praça algo sequer semelhante.

Palavra insuspeita de quem está no mercado midiático do Grande ABC há mais de meio século. Façam o teste que quiserem. Qualquer que seja assunto relevante sobre regionalidade. Quer um experimento: vá à Internet e digite Clube dos Prefeitos, Desindustrialização, PIB e tudo que imaginar. Você vai encontrar notícia. LivreMercado/CapitalSocial sempre fez análise.

ISOLAMENTO EDITORIAL

Não pensem que escrevo isso e muito mais com satisfação. Nada é mais lamentável do que uma publicação se tornar ilha de comprometimento socia. Não temos com quem dividir para valer, preto no branco, a ira dos incompetentes incrustrados na Administração Pública, principalmente, mas em instituições privadas e sociais, também.

O Grande ABC das manchetes de prefeitos pedintes é a prova concreta, nua e crua dos acertos de rumo e de prumo de LivreMercado/CapitalSocial. Esse é o resumo de uma ópera de isolacionismo crítico consistente, sistêmico, histórico e desbravador.

Por essas e outras, nada melhor mesmo que um teste de credibilidade. Rebocar as 10 Melhores Capas de LivreMercado de papel às páginas digitais de CapitalSocial é também um ato de desabafo. Não temos nada a esconder nas linhas e nas entrelinhas que virão em forma memorial.

Não custa lembrar que a junção LivreMercado/CapitalSocial não é um ato aleatório, propagandista, invasivo. Esta publicação digital está na praça desde 2001. Ou seja, cumulativamente à circulação de LivreMercado. A herança de LivreMercado não é, portanto, uma invasão de domicilio editorial de CapitalSocial. Até porque, o mesmo idealizador e condutor editorial de LivreMercado também o fez ao conceber CapitalSocial.

DECISÃO ESTRATÉGICA

Os exemplares da revista de papel LivreMercado me tornaram escravo de uma escolha meticulosa, mas nem por isso infalível. Uma decisão que me levou nos últimos dias a compreender com mais sensibilidade o quanto foi compensador contar com aquela equipe de jornalistas que ao longo dos anos desbravaram as próprias carreiras.

Afinal, até então, jornalismo econômico no Grande ABC era abstração. Não se pode esquecer que LivreMercado levado ao público a partir de março de 1990 foi uma iniciativa estratégica de abordagem econômica. O Diário do Grande ABC, como escrevi desde sempre, jamais, exceto em breves períodos que confirmam a regra, colocou na pauta de relevância as atividades empresariais locais. E isso vale cada vez mais.   

O jornal fez opção preferencial pela política de agentes insensíveis, em larga escala. Despreza o desabamento, quando não mistifica, o PIB regional há pelo menos 35 anos.

Dizem os jornalistas que o maior sonho dos jornalistas é construir uma carreira em que sejam donos do próprio nariz. Isso significaria que nada superaria o prazer de um jornalista que a loucura de contar com a própria publicação. Não é o meu caso, mas também é meu caso.

Não existe contradição nesse contraposição ensaiada. Como jamais me submeti a caprichos de patrão algum que pagou meus salários profissionais, e como não fiz de meus companheiros de trabalho, mesmo como detentor de ações que me tornavam alguma coisa como patrão, não coloco dezenas de anos de profissionalismo numa bifurcação manipuladora.

Ter sido condutor da revista de papel LivreMercado, e em seguida seguir em carreira solo com esta revista digital, não difere dos demais empregos que ocupei ao longo dos tempos, como repórter, editor e chefe de redação. Jamais fiz qualquer pedido que contrariasse a ética e a moralidade aos meus chefiados, porque jamais aceitei assemelhados como funcionário.

PROVA DO SUCESSO

Por essas e outras que,  ao reproduzir a partir desta semana as 10 Melhores Capas da revista de papel LivreMercado (com  condicionalidades já abordadas), o que pretendo mesmo é comprovar aos estúpidos de plantão, pagos com dinheiro público para perseguir jornalista independente, e também aos leitores de boa-fé, massacrantemente mais numerosos, que a história do jornalismo regional não deve ser medida pelo tamanho, pela abertura do placar histórico, mas, sim, principalmente, pela qualidade do produto irreversivelmente preso aos compromissos de uma regionalidade que saia do marasmo, quando não do compadrio, para não dizer acordos pouco nobres.

A prova mais contundente,  para demonstrar que não existe marketing propagandístico a dar suporte a esta série especial,  é acompanhar cuidadosamente cada um dos capítulos que se seguirão nos próximos 30, 40 dias, em datas aleatórias e intercaladas.

DUALIDADE COERENTE

Costumo dizer aos mais próximos que minha dualidade precisa ser compreendida em toda a extensão, sem recortes maliciosos.

Querem ver um cidadão como outro qualquer, de relacionamentos temperados a brincadeiras e respeito que vão além da formalidade fria, peçam para conversar com Daniel José de Lima. Querem um profissional que não abre mão da lisura informativa e analítica, que não transige por qualquer interesse danificador da coletividade, chamem o jornalista Daniel Lima.

A revista de papel LivreMercado foi construída e abriu a estrada da reestruturação ainda longe da realidade da mídia regional ao ser ocupada por CapitalSocial. Afinal, contou ao longo dos anos, de 227 edições, de 235 capas, com uma equipe de profissionais igualmente decidida a revolucionar o mercado editorial da região.

O tempo é o senhor da razão. A coleção de papel cuidadosamente mantida por Malu Marcoccia, e parte daquele legado transposto às páginas digitais de CapitalSocial, estão à prova. Afinal, entre outras máximas que nortearam essa trajetória, vigorou e vigora a premissa editorial de que a próxima edição está sob a guarda rigorosa de honradez, coragem, determinação e capacitação analítica da edição anterior. Um moto-contínuo que não se encerrará jamais. Afinal, a Internet é eterna.

Preparem-se portanto para a próximo série especial. Não há nada que sequer resvale no conteúdo do melhor jornalismo regional do País.



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