Imprensa

PROMESSAS, LOROTAS E
FAKE NEWS EM NOVA SÉRIE

DANIEL LIMA - 18/07/2025

Depois do encerramento de mais uma vitoriosa série, com audiência maciça de leitores veteranos e jovens do melhor jornalismo regional do País, a história de 35 anos de LivreMercado/CapitalSocial continuará a ser exposta e comemorada. Reproduzir as 10 Melhores Capas de LivreMercado na versão física de revista, entre 1996 e 2009, foi uma tremenda oportunidade de mostrar o quanto se prática de jornalismo de qualidade desde que em março de 1990 decidimos criar a publicação.  

As novas gerações de consumidores de informações confiáveis teve oportunidade de tomar contato com o passado que explica o presente. Nesse grupamento, estão incluídos os jovens prefeitos eleitos em outubro do ano passado.  Eles eram crianças quando LivreMercado foi lançada. E mal chegaram à idade adulta quando a revista de papel cedeu espaço a esta publicação digital. Tite Campanella é exceção nessa turma.

A partir da semana que vem, sem tempo de duração pré-definido, sem obedecer a qualquer ordem cronológica, mas centrada rigorosamente nos conceitos de mentiras, lorotas e fake news, vamos reproduzir com breve contexto o que analisamos ao longo dos anos.

Vamos precisar puxar pela memória porque os registros em forma de análises são muitos, mas muitos mesmo. Longe qualquer possibilidade de resgate total, mas há determinados noticiários (sim, a base de tudo são os noticiários, especialmente do jornalismo de papel) que provarão o quanto há de flexibilidade entre o que poderíamos chamar de verdade factual e vertentes malabaristas que não buscam outra coisa senão iludir o distinto público. 

FIM DA SÉRIE

Encerrada na edição que expôs as 10 Melhores Capas da revista LivreMercado/CapitalSocial, não posso deixar de dizer o que sinto no peito e o que poderia sugerir aos meus familiares quando chegar a hora final. O que sinto é muito orgulho da equipe que comandei na melhor revista regional de papel que esse País já conheceu. E o que poderia sugerir aos meus familiares é que as capas originais sejam plastificadas e ocupem espaço próximo, muito próximo, de meu corpo. Se esquecerem desse pedido vou assombrar a todos.

Longe de pieguice,  o que pretendo mesmo transmitir é transmitir que é  impossível ser profissionalmente ingrato quando se tem no acervo físico e digital os agora 35 anos de jornada das duas publicações. Sem contar outros 25 temporadas em outros veículos de comunicação.

Quando desembarquei em Santo André antes de completar 18 anos, vindo que vim do Interior de São Paulo já com experiência em rádio e numa revista semanal, tive a felicidade de seguir uma carreira que poderia ser interrompida porque não havia escolha senão trabalhar, fosse qual fosse o emprego.

Meu velho pai me salvou de desvio quando me deu a notícia de que a Gazeta da Mooca anunciou uma vaga. Quem estava deixando a empresa era alguém cujo nome seria impossível esquecer – Afanásio Jajadzi. 

CADA VEZ PIOR

A revista LivreMercado de praticamente 20 anos de circulação possivelmente é o maior presente que minha vida profissional. Pude exercer ali a liberdade da qual não abro mão, a independência da qual não abro mão, a sensibilidade de liderar sem abrir mão, a versatilidade editorial sem abrir mão.

Seria difícil acondicionar num mesmo pacote de lembranças e conquistas tudo que foi possível produzir à frente de LivreMercado. Como as 15 edições do Prêmio Desempenho, que incorporou a emoção das Madres Terezas. Mas o principal mesmo – e para tanto contei com o suporte de muitos jornalistas – é o legado cada vez mais valioso de compromisso social, que se estende a esta publicação, desde 2001 saída do ventre da revista de papel.

Não sei ainda até quando vou tocar esse barco em meio à tempestade daquele que se apresenta sem dúvida alguma como a pior etapa da história do Grande ABC. Uma etapa iniciada por volta de 2010 e que na medida em que avança em direção à metade deste século mais ganha cores dramáticas.

PALAVRÃO PERSEGUIDO

Infelizmente, o futuro vai comprovar o quando estava enganado no ano 2000, quando se abriram as cortinas desse teatro mambembe da regionalidade do Grande ABC. Imaginava naquela temporada que haveria recuperação econômica e social da região. Tivemos o agravamento em todos os sentidos.

Sob qualquer aspecto que se observe, o ano de 2050 será ainda muito pior do que temos neste 2025, ou seja, 25 anos depois da chegada do novo século. Não há um indicador econômico, social, cultural e sociológico que interrompa esse circuito de irreversível decadência. Uma situação que seguira com a curadoria editorial deste profissional.

Houve muita dificuldade em selecionar as 10 capas de LivreMercado entre o período de formato físico de revista, iniciado em novembro de 1996 e esticado até janeiro de 2009. Uma trajetória que se iniciou em março de 1990, em pleno e fracassado Plano Collor, e alguns meses antes de Celso Daniel criar o Clube dos Prefeitos, então voltado principalmente à infraestrutura e sem vocação à Economia.

CELSO DANIEL

Um buraco que o próprio Celso Daniel, de volta à Prefeitura que dirigiu entre 1989 e 2002, retomou a partir de 1997, quando, atendendo a este jornalista, criou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Santo André. Foi seguido pelos demais prefeitos eleitos em outubro de 1996 e, enfim, introduziu o setor mais relevante da vida regional no organograma do Poder Público. Sem contar que, também, criou a Agência de Desenvolvimento Econômico no Clube dos Prefeitos. Foram os melhores anos de regionalidade do Grande ABC.

Os verbetes que introduzimos no léxico regional são inúmeros. O mais criticado, quase vilipendiado, quando não discriminado, é recheado de consoantes e vogais e durante muito tempo provocou estresse na sociedade.

Desindustrialização é o palavrão execrado por todos. Na primeira edição de LivreMercado, o verbete foi utilizado com outra roupagem: evasão industrial. Nada proposital, claro. Apenas uma configuração textual que parecia mais à mão.

Paro momentaneamente este texto e vou ao mecanismo de busca para constatar uma certeza. “Desindustrialização” foi utilizada muito mais vezes que “evasão industrial” ao longo de 35 anos desta publicação. Não deu outra: 1.146 textos com “desindustrialização” e 240 com “evasão industrial”. Em várias situações, os dois verbetes foram mencionados numa mesma análise. 

OUTRA ROUPAGEM

Como a utilização desse fenômeno econômico é algo que poderia chamar de marco de reponsabilidade social de LivreMercado/CapitalSocial, além de prova provada de que jamais nos dobramos aos autoritários de plantação, acho que posso esticar a corda de comprovação.

Qual teria sido o primeiro texto em que “desindustrialização” surge na tela de meu computador. E qual seria a vez de “evasão industrial”? Foram  igualmente em dezembro de 1998. O período que começa em março de 1990 e segue até outubro de 1996 não está digitalizado neste site.

Mas há exemplares originais em papel. LivreMercado era um tabloide em papel especial. Apenas a primeira análise, de lançamento da publicação, está neste acervo. E, descubro agora, é emblemático. Nem evasão industrial nem desindustrialização. O que aparece é “esvaziamento industrial”. Inclusive no título: “Esvaziamento industrial da região compromete poderia econômico”. E mesmo com o vácuo de digitalização, a mesma expressão soma 129 textos desde então.

Insisto nesse ponto porque a utilização de “desindustrialização” e derivados se constituiu numa maratona editorial de LivreMercado/CapitalSocial. Até recentemente enfrentamos com argumentos e provas, tudo fartamente inserido como análise, alguns retardatários na patetice de procurar negar o inegável. E, acreditem, sempre é possível que algum charlatão com a benevolência de mídia socialmente irresponsável, poderá aparecer no pedaço com alguma farsa de negação às evidências e documentação.


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