Economia

PT pode destruir tantos empregos que
Província retrocederia a 2002 de FHC

DANIEL LIMA - 29/09/2015

Não é exagero prognosticar uma catástrofe na Província do Grande ABC: os empregos que o presidente Lula da Silva gerou na região ao longo de oito anos de festival de consumo sem retaguarda fiscal confiável podem ser destruídos durante os regulamentares oito anos de Dilma Rousseff e a política de acerto de contas pós-gastança. Resultado dessa operação: a região pode contabilizar em 2018 estoque de emprego industrial com carteira assinada semelhante ao deixado por Fernando Henrique Cardoso após oito anos de governo. Ou seja: o déficit de mais de 60 mil postos de trabalho do setor nobre da economia regional seria reposto. Caminharíamos em direção a duas décadas de congelamento da mão de obra da principal atividade econômica da região.


 


Não há nada de terrorismo na projeção que fazemos com base nos dados do Ministério do Trabalho, sempre metabolizados neste espaço. Nos 56 meses de governo de Dilma Rousseff o emprego industrial com carteira assinada na região sofreu 24.523 baixas, média de 437,91 por mês. Com Fernando Henrique Cardoso, de janeiro de 1995 a dezembro de 2002, foram decepados 81.434 postos de trabalho -- média mensal de 847,27. Com Lula da Silva, entre janeiro de 2003 a dezembro de 2010, foram criados 60.553 empregos do setor -- média mensal de 630,76.


 


É muito pouco provável que Dilma Rousseff contabilize tantas perdas de empregos formais na indústria de transformação como Fernando Henrique Cardoso. Para chegar a 81.434 demissões seriam necessárias adicionais 56.911 cortes, ou média de 1.422 demissões em cada um dos próximos 40 meses. O resultado é menos que o rebaixamento de 2.188 postos em agosto último. Nada impossível, portanto, mas pouco provável.


 


Reserva de gordura destruída


 


É mais lógico imaginar que serão perdidos em média por mês pelo menos 900 postos de trabalho. Seria o suficiente para que toda a reserva de Lula da Silva fosse destruída por Dilma Rousseff. É verdade que foi uma reserva mais de gordura do que de musculatura. A Província não passou por nenhuma grande transformação econômica estrutural para sustentar o crescimento da base de trabalhadores do setor. O que houve com Lula da Silva foi festa, muita festa, com dinheiro farto para gastança em bens materiais. Fabricou-se a chamada nova classe média, que não é nova e muito menos classe média. Até porque está se desmilinguindo no ritmo rousseffiano de ser.


 


A projeção  de agências especializadas de que o Brasil deverá registrar queda de aproximadamente 3% do PIB (Produto Interno Bruto) nesta temporada e de 1% no ano que vem é menos dramática do que se lança na conta da indústria de transformação. A crise econômica sugere que o setor vai conhecer novos reveses. E a indústria automotiva, que sofreu corte de 21% na produção nesta temporada, só deverá reagir a ponto de ter consistência na retomada da produção e do emprego dentro de dois a três anos, segundo estudos da Anfavea, o Clube das Montadoras. No centro do furacão do setor, a Província do Grande ABC deverá cortar mais profissionais da área.


 


Nos últimos 12 meses foram cortados 20.355 empregos industriais com carteira assinada na região. Quando os 12 meses se referirem ao calendário gregoriano, em dezembro agora, o déficit deverá ser ainda maior. Talvez uma contagem progressiva de empregos destruídos pelo governo Dilma Rousseff pudesse virar loteria para quem gosta de pretexto para apostar em qualquer coisa.


 


Perdas, ganhos e perdas


 


Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência da República em janeiro de 1995 a Província do Grande ABC registrava estoque de 276.650 empregos no setor industrial. Oito anos depois apontava queda de 31,64%. Passamos a contar com 189.097 trabalhadores industriais. Com Lula da Silva, ao final de 2010, após oito anos de dois mandatos, a Província saltou para 249.650 trabalhadores industriais. Um avanço de 32% ditado principalmente pelo aumento da produção automotiva. Quando FHC assumiu o primeiro mandato o Brasil produzia 1,321 milhão de veículos de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões por ano. Quando deixou o governo, a marca saltou para 1,633 milhão, com 23,61% de avanço. Com Lula da Silva, ao final de 2010, chegou-se a 3,382 milhões de produção – avanço de 107% sobre a herança de FHC. No ano passado, quarto ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff, a produção automotiva registrou 3,146 milhões. Queda de 7% quando comparada ao último ano do governo Lula da Silva. A projeção para esta temporada é de quebra de pelo menos 20% da produção.


 


Qual é a participação da Província do Grande ABC na produção automotiva do Pais? Há dúvidas que nem mesmo a Anfavea esclarece, mas os últimos dados dão conta de que seriam 16%. A descentralização produtiva ao longo de décadas retirou da região o domínio nacional que chegou a mais de 70%. O aumento de produção compensou em parte a perda relativa. Mas nada que tenha sustentação garantida. Cada vez mais a região sofre com redução da produção física de veículos -- mesmo quando o País como um todo registra avanço. Nossas fábricas são menos competitivas que a maioria das demais que chegaram mais tarde à geografia brasileira contando inclusive com suporte da guerra fiscal.


 


Competitividade comprometida


 


A competitividade da região esfarela-se a cada nova temporada por conta de série de improdutividades, principalmente no chão de fábrica protegidíssimo pelo sindicalismo. Novos produtos que agregam tecnologia exigem cortes de pessoal aos quais os representantes de trabalhadores se opõem. O evangelho do capitalismo, de destruição criativa, é letra morta e sepultada. Vale mais o corporativismo.


 


Os dados municipais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) demoram a ser divulgados. Geralmente se esperam dois anos até que saiam do forno. Os últimos estudos sobre o que o IBGE chama de PIB dos Municípios aponta que São Bernardo perdeu 22% do PIB Industrial em 2012, enquanto a Província do Grande ABC perdeu um pouco menos, 15%.


 


Quando os números de 2013 saírem neste final do ano é possível que a baixa do PIB Industrial de São Bernardo e da região seja menos grave em relação à temporada anterior, mas os números tendem a voltar a recrudescer quando 2014 for desvendado e, principalmente, este 2015 de incessante fragilidade produtiva da região.


 


Só nesta temporada, de oito meses contabilizados, a Província do Grande ABC sofreu 20.355 baixas de emprego industrial com carteira assinada. A média de 2.544 a cada 30 dias é suficiente para estimular a possibilidade de Dilma Rousseff mais que entregar ao final do mandato supostamente de oito anos estoque semelhante ao deixado por Fernando Henrique Cardoso. Dilma Rousseff poderia repetir os mais de 80 mil empregos destruídos durante o governo tucano, com a diferença de que FHC comandou mudanças importantes no País, a bordo da estabilização da moeda com o Plano Real, enquanto Dilma Rousseff conduz o País ao precipício. 


 


Peso industrial forte


 


Qualquer um dos dois resultados seria suficiente para recolocar a economia no córner da inquietação generalizada. O setor industrial segue como atividade-equilíbrio da qualidade de vida na região. Três em cada 10 empregos formais da região têm o setor industrial como endereço. Mais que a média dos grandes municípios paulistas, que gira em torno de 20%, e três vezes acima da média nacional. A crise industrial é, portanto, mais devastadora na região.


 


Não bastasse a dependência exagerada do setor automotivo, acrescenta-se também o peso relativo. Nada pior num País que se desindustrializa sistematicamente. Afinal, qualquer projeção sobre o futuro da Província chegará à conclusão que perderemos mais força industrial, mais emprego industrial e, com isso, sofreremos novos golpes sociais. 


Leia mais matérias desta seção: Economia

Total de 2039 matérias | Página 1

24/08/2026 VEJA O DESASTRE DE PAULINHO PREFEITO
20/08/2026 UM ANIVERSARIANTE SEM RUMO E PRUMO
03/08/2026 FORA COM CHINESES; OLHEM OS MINEIROS
30/07/2026 UM OVO DE COLOMBO PARA MARCELO LIMA
28/07/2026 BRASIL JAMAIS SERÁ SÃO CAETANO DE HOJE
23/07/2026 QUANDO A EMENDA É PIOR QUE O SONETO
22/07/2026 PREFEITOS FICAM SEM R$ 333 MILHÕES DE IPVA
21/07/2026 SOMOS UMA FÁBRICA DE MADRES TEREZAS
16/07/2026 VEJA O QUE RESTA DO SETOR AUTOMOTIVO
13/07/2026 SINDICALISMO DE CONVENIÊNCIAS
30/06/2026 DILMA FURAÇÃO É INSUPERÁVEL
29/06/2026 AFINAL, QUEM FOI PIOR: COLLOR, FHC OU DILMA?
24/06/2026 GOL ESCANCARADO NO SETOR AUTOMOTIVO
23/06/2026 PATRIANI É VÍTIMA DE FRONDOSA ARMADILHA
18/06/2026 JÁ IMAGINOU SE REGIÃO FOSSE SÃO CAETANO? (5)
15/06/2026 MOBILIDADE URBANA E LOGÍSTICA PRODUTIVA
11/06/2026 JÁ IMAGINOU SE REGIÃO FOSSE SÃO CAETANO? (4)
09/06/2026 VEXAME CONSOLIDADO DOS 100 MIL EMPREGOS
08/06/2026 SÃO BERNARDO VIROU A CARA DE DIADEMA