Não é exagero prognosticar uma catástrofe na Província do Grande ABC: os empregos que o presidente Lula da Silva gerou na região ao longo de oito anos de festival de consumo sem retaguarda fiscal confiável podem ser destruídos durante os regulamentares oito anos de Dilma Rousseff e a política de acerto de contas pós-gastança. Resultado dessa operação: a região pode contabilizar em 2018 estoque de emprego industrial com carteira assinada semelhante ao deixado por Fernando Henrique Cardoso após oito anos de governo. Ou seja: o déficit de mais de 60 mil postos de trabalho do setor nobre da economia regional seria reposto. Caminharíamos em direção a duas décadas de congelamento da mão de obra da principal atividade econômica da região.
Não há nada de terrorismo na projeção que fazemos com base nos dados do Ministério do Trabalho, sempre metabolizados neste espaço. Nos 56 meses de governo de Dilma Rousseff o emprego industrial com carteira assinada na região sofreu 24.523 baixas, média de 437,91 por mês. Com Fernando Henrique Cardoso, de janeiro de
É muito pouco provável que Dilma Rousseff contabilize tantas perdas de empregos formais na indústria de transformação como Fernando Henrique Cardoso. Para chegar a 81.434 demissões seriam necessárias adicionais 56.911 cortes, ou média de 1.422 demissões em cada um dos próximos 40 meses. O resultado é menos que o rebaixamento de 2.188 postos em agosto último. Nada impossível, portanto, mas pouco provável.
Reserva de gordura destruída
É mais lógico imaginar que serão perdidos em média por mês pelo menos 900 postos de trabalho. Seria o suficiente para que toda a reserva de Lula da Silva fosse destruída por Dilma Rousseff. É verdade que foi uma reserva mais de gordura do que de musculatura. A Província não passou por nenhuma grande transformação econômica estrutural para sustentar o crescimento da base de trabalhadores do setor. O que houve com Lula da Silva foi festa, muita festa, com dinheiro farto para gastança em bens materiais. Fabricou-se a chamada nova classe média, que não é nova e muito menos classe média. Até porque está se desmilinguindo no ritmo rousseffiano de ser.
A projeção de agências especializadas de que o Brasil deverá registrar queda de aproximadamente 3% do PIB (Produto Interno Bruto) nesta temporada e de 1% no ano que vem é menos dramática do que se lança na conta da indústria de transformação. A crise econômica sugere que o setor vai conhecer novos reveses. E a indústria automotiva, que sofreu corte de 21% na produção nesta temporada, só deverá reagir a ponto de ter consistência na retomada da produção e do emprego dentro de dois a três anos, segundo estudos da Anfavea, o Clube das Montadoras. No centro do furacão do setor, a Província do Grande ABC deverá cortar mais profissionais da área.
Nos últimos 12 meses foram cortados 20.355 empregos industriais com carteira assinada na região. Quando os 12 meses se referirem ao calendário gregoriano, em dezembro agora, o déficit deverá ser ainda maior. Talvez uma contagem progressiva de empregos destruídos pelo governo Dilma Rousseff pudesse virar loteria para quem gosta de pretexto para apostar em qualquer coisa.
Perdas, ganhos e perdas
Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência da República em janeiro de
Qual é a participação da Província do Grande ABC na produção automotiva do Pais? Há dúvidas que nem mesmo a Anfavea esclarece, mas os últimos dados dão conta de que seriam 16%. A descentralização produtiva ao longo de décadas retirou da região o domínio nacional que chegou a mais de 70%. O aumento de produção compensou em parte a perda relativa. Mas nada que tenha sustentação garantida. Cada vez mais a região sofre com redução da produção física de veículos -- mesmo quando o País como um todo registra avanço. Nossas fábricas são menos competitivas que a maioria das demais que chegaram mais tarde à geografia brasileira contando inclusive com suporte da guerra fiscal.
Competitividade comprometida
A competitividade da região esfarela-se a cada nova temporada por conta de série de improdutividades, principalmente no chão de fábrica protegidíssimo pelo sindicalismo. Novos produtos que agregam tecnologia exigem cortes de pessoal aos quais os representantes de trabalhadores se opõem. O evangelho do capitalismo, de destruição criativa, é letra morta e sepultada. Vale mais o corporativismo.
Os dados municipais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) demoram a ser divulgados. Geralmente se esperam dois anos até que saiam do forno. Os últimos estudos sobre o que o IBGE chama de PIB dos Municípios aponta que São Bernardo perdeu 22% do PIB Industrial em 2012, enquanto a Província do Grande ABC perdeu um pouco menos, 15%.
Quando os números de 2013 saírem neste final do ano é possível que a baixa do PIB Industrial de São Bernardo e da região seja menos grave em relação à temporada anterior, mas os números tendem a voltar a recrudescer quando 2014 for desvendado e, principalmente, este 2015 de incessante fragilidade produtiva da região.
Só nesta temporada, de oito meses contabilizados, a Província do Grande ABC sofreu 20.355 baixas de emprego industrial com carteira assinada. A média de
Peso industrial forte
Qualquer um dos dois resultados seria suficiente para recolocar a economia no córner da inquietação generalizada. O setor industrial segue como atividade-equilíbrio da qualidade de vida na região. Três em cada 10 empregos formais da região têm o setor industrial como endereço. Mais que a média dos grandes municípios paulistas, que gira em torno de 20%, e três vezes acima da média nacional. A crise industrial é, portanto, mais devastadora na região.
Não bastasse a dependência exagerada do setor automotivo, acrescenta-se também o peso relativo. Nada pior num País que se desindustrializa sistematicamente. Afinal, qualquer projeção sobre o futuro da Província chegará à conclusão que perderemos mais força industrial, mais emprego industrial e, com isso, sofreremos novos golpes sociais.
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24/08/2026 VEJA O DESASTRE DE PAULINHO PREFEITO