Os números são implacáveis ao medir a riqueza acumulada pelos moradores de São Caetano contrapostos aos dados médios do Brasil. A distância é estratosférica e permite que Nostradamus seja acionado: jamais, jamais e jamais, o País que insiste em patinar chegará aos pés do que é São Caetano hoje.
Afinal, se São Caetano já é bastante superior à média dos melhores municípios brasileiros, imaginem então quando se trata da média nacional. O Brasil deu errado demais para ser São Caetano. E mesmo que São Caetano erre demais, o que seria inusitado na trajetória histórica, não se aproximaria do Brasil sempre mal-ajambrado.
Talvez os próprios moradores de São Caetano, 170 mil almas, não tenham a dimensão do significado econômico e social dos 15 quilômetros quadrados de território mais privilegiado da Região Metropolitana de São Paulo e um dos melhores do Brasil no critério de Qualidade de Vida.
SÃO CAETANO SABE?
Cantada em prosa e verso neste dia de aniversário, São Caetano precisa ser retratada em números para que o conceito mais abrangente de Qualidade de Vida seja compreendido na dimensão exata.
Os moradores de São Caetano estão tão acostumados com o melhor endereço urbano metropolitano que talvez tenham naturalizado e por isso mesmo se descuidado sobre o que é desejado e inalcançável pela vizinhança regional e que está anos-luz à frente da média nacional. Por isso, possivelmente nem consideram a realidade vivida digna de comemorações ainda mais festivas.
Talvez a percepção de exclusividade em atributos de infraestrutura urbana e social dos moradores de São Caetano seja mais aguçada por quem todos os dias vive a experiência de sair e retornar dos limites cartográficos. Nesse caso, não tem mesmo como deixar de sentir o peso da diferença e do sortilégio que a caótica Região Metropolitana de São Paulo expõe com crueza a cada esquina.
MUITO, MUITO MAIOR
Afinal, São Caetano é simplesmente 80% mais rica que a média nacional num dos indicadores mais relevantes quando se pretende medir a embocadura econômica dos municípios. O PIB de Consumo, derivativo do PIB Tradicional, é provavelmente o navegador mais sustentável para quem pretende entender nuances da Economia.
A diferença entre PIB Tradicional e PIB de Consumo é que o primeiro cresce com a geração de riqueza em produtos e serviços. Já o outro, o PIB de Consumo, é a consolidação da riqueza na composição de renda e salários.
O PIB de Consumo geralmente corre em raia privilegiada de mensuração ao não incorporar a banda podre do PIB Tradicional. No PIB de Consumo riqueza acumulada é riqueza acumulada. No PIB Tradicional a geração de riqueza em produtos e serviços pode ter gênese de desperdício, de descuidos, de acidentalidades.
Uma residência em chamas gera PIB Tradicional no processo de recuperação da estrutura e de tudo o mais. Um acidente de trânsito também desencadeia custos que se traduzem em PIB Tradicional. Não à toa o PIB Tradicional é tratado como o pior indicador econômico, exceto os demais. Algo como a Democracia no campo político-institucional.
QUASE R$ 7 TRILHÕES
Sem que se coloque a questão como projeção fora de propósito, porque não o é, os brasileiros destes dias por mais que vivam jamais conseguirão ver o País alcançar o nível de São Caetano. Oitenta por cento de superioridade de São Caetano sobre o Brasil não se desfazem ou se equiparam numa centena de anos. Somente uma catástrofe poderia alterar o roteiro de distanciamento entre os dois espaços demográficos.
O PIB de Consumo Nacional previsto para esta temporada pela empresa mais tradicional da área, a Consultoria IPC, dirigida pelo pesquisador Marcos Pazzini, terá o total de R$ 8.608,683,873 trilhões disponíveis. Na média, para cada um dos 214.211,9234 milhões de brasileiros, serão R$ 40.187,69 mil.
Agora, se o Brasil fosse São Caetano, o PIB de Consumo per capita saltaria para R$ 72.515,542 mil. Quando se multiplica esse valor por habitante pelo total nacional, o resultado coletivo é de R$ 15.533.680 trilhões. Nada menos que um adicional geral de R$ 6.924.997 trilhões sobre o montante nacional.
COMPOSIÇÃO ECONÔMICA
A composição econômica de São Caetano é muito superior à média brasileira nas duas categorias mais privilegiadas, a Classe Rica e a Classe Média Tradicional. E também é significativamente inferior, e portanto melhor, quando comparadas à Classe Média Precária, aos Pobres e aos Miseráveis. É esse mapeamento socioeconômico forjado ao longo da história que torna impossível no futuro mais distante acreditar que um dia o Brasil será uma São Caetano.
No caso da Classe Rica, o Brasil conta nesta temporada com 2.161.541 de famílias, que significam 3,3% do total de 69.941 residências espalhadas pelo território nacional. Se o Brasil de Classe Rica fosse São Caetano com os 9,8% de residências, num total de 64.477 famílias, teria alcançado nesta temporada 6.463.449 milhões de residências. Três vezes mais.
A diferença que separa a Classe Média Tradicional de São Caetano e a Classe Média Tradicional do Brasil também é gigantesca. Em São Caetano, 37,3% das moradias estão no segundo estrato econômico mais elevado, enquanto a média nacional não passa de 20,0%. Quase o dobro, portanto. Se o Brasil fosse São Caetano, os atuais 13.180.207 milhões de moradias de Classe Média Tradicional seriam 24.581.086 milhões de moradias. Quase o dobro.
MENOS É MAIS
Já a Classe Média Precária, que mais flerta com a Classe dos Pobres do que com a Classe Média Tradicional, teria forte redução de participação relativa no total de moradias brasileiras se os dados de São Caetano pudessem ser transplantados. O Brasil conta com 49,7% de moradias de Classe Média Precária, enquanto São Caetano registra 40,2%. Se São Caetano fosse o Brasil, o total dessa espécie de Terceira Divisão do ranking de riqueza acumulada contaria com 26.508.392 milhões de famílias, ou seja, abaixo das atuais 32.796.095 milhões de moradias.
Já o quarto estrato socioeconômico do PIB de Consumo brasileiro, formado por Pobres e Miseráveis, seria reduzido em mais de 15 pontos percentuais, ou abaixo da metade da realidade destes dias. São Caetano conta com 12,7% de famílias de pobres e miseráveis, enquanto o balanço nacional é de participação relativa de 27%. Em termos quantitativos, ao invés de o Brasil reunir 17.803.432 milhões de famílias de pobres e miseráveis, não teria mais que 8.374.541 milhões.
EXCEÇÃO ESPECIAL
Ainda outro dia escrevi que São Caetano é um caso raro de desindustrialização consolidada ao longo dos anos e manutenção da estrutura socioeconômica. A rotina histórica nesses casos é de debilidade da produção industrial acompanhada de forte refluxo econômico a impactar os moradores de forma contundente. Basta observar o que aconteceu com os vizinhos de São Caetano durante esse período. São Bernardo e Santo André foram duramente atingidos com quebra da mobilidade social e declínio da Qualidade de Vida em vários vetores.
Pois São Caetano manteve-se equilibrada. Geografia e gestões municipais sem solavancos praticamente a blindaram. Tanto que famílias de Classe Rica e de Classe Media Tradicional não perderam espaço no conjunto dos moradores em termos proporcionais. E não houve catástrofe nos demais segmentos.
Só para se ter uma ideia razoavelmente esclarecedora sobre os estragos da desindustrialização ao longo dos últimos 40 anos, o estoque de carteiras assinadas no setor produtivo foi reduzido em 60%. De cada 10 empregos industriais em 1985, sobraram apenas quatro. Eram 30.173 trabalhadores com dísticos de industriais. E sobraram 12.021. Esses dados estão atualizados até dezembro de 2019. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) está devendo atualização pelo critério de ocupação setorial. Os metalúrgicos de São Caetano da General Motors e de dezenas de autopeças (que deixaram a cidade) eram mais da metade dos empregos industriais em 1985 (15.030 postos de trabalho ante o total geral de 30.173). Já em 2019 não passavam de 4.878 do total geral de 12.021.
O PIB Tradicional de São Caetano no mesmo período, sempre no setor industrial, sofreu queda equivalente.
Tudo isso e tantos outros percalços de um Brasil errante em políticas econômicas não retiraram São Caetano do topo de Qualidade de Vida. E a explicação é simples: com infraestrutura material, social e educacional elevada para os padrões nacionais, São Caetano produz mão de obra qualificada e faz da vizinha Capital um canal de escoamento de talentos que não abrem mão de residir no berço esplêndido original.
Para completar, com a introdução intensiva de tecnologia digital na área de Segurança Pública, o prefeito Tite Campanella eliminou o calcanhar de Aquiles que tornava São Caetano paraíso de roubos e furtos de veículos, já que homicídios sempre foram baixíssimos. Agora só está faltando desbravar uma vereda na área de serviços de alta tecnologia para São Caetano dar um salto que a distanciaria ainda mais do pobre Brasil de todos os nós.
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23/07/2026 QUANDO A EMENDA É PIOR QUE O SONETO