Economia

DILMA FURAÇÃO
É INSUPERÁVEL

DANIEL LIMA - 30/06/2026

O pior (no caso, a pior) presidente da República na história econômica do Grande ABC tem nome, sobrenome e metáfora, além de dados irrefutáveis: Dilma Furacão Rousseff. Ninguém resiste a Dilma Rousseff. A ufanista República do Grande ABC não mexeu um fio de cabelo institucional durante os seis anos catastróficos da presidente deposta. Particularmente nos dois últimos anos – 2015-2016 --, quando a petista caprichou nos danos gerais: o Grande ABC perdeu no período 26,18% do PIB (Produto Interno Bruto) e 26,59% dos ativos de trabalhadores com carteira assinada.

Vou repetir de outra forma: de cada 100 trabalhadores industriais do Grande ABC entre 2015-2016, nada menos que 26 foram colocados no olho da rua por conta da maior recessão econômica da história regional. E de cada R$ 100 em forma de geração de riqueza,  R$ 26,00 viraram pó.

Essa análise é o complemento do que escrevi ontem. Coloquei uma interrogação proposital e provocativa, quando não reflexiva, na edição de ontem: quem foi pior na história econômica do Grande ABC ao longo dos tempos mensuráveis? Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso ou Dilma Rousseff? 

NADA DE NARRATIVAS

Escondi de propósito algumas conclusões. Queria fazer um teste de sensibilidade mais que regional nestes tempos de disputas ideológicas encardidas. A conclusão não é novidade alguma: quanto mais partidarizada a avaliação, menos se alcança o bom senso dos fatos consolidados como verdade, não como narrativas.

Agora vamos aos dados que não permitem frequentar ambientes especulativos e distorcidos sobre a realidade econômica da região. Dilma Rousseff fez tantas estrepolias que não haveria mesmo como se livrar dos rabos de foguetes que deixou de herança maldita não só aos sucessores, mas, particularmente, a um Grande ABC institucionalmente morto desde o assassinato de Celso Daniel. 

Não tivemos  -- e isso é uma barbaridade dura que precisa ser exposta mais uma vez, nenhuma organização ou individualidades -- que apontasse a situação continuamente fragilizada da Economia regional. Chegamos como sociedade ao fundo do poço. E seguimos, aliás, no fundo do poço, embora se esbocem algumas reações.  Estamos no fundo do poço há muito tempo que, apenas a título de exemplo, os chineses desembarcam no setor automotivo e em outros setores que afetam diretamente o Grande ABC e nada, absolutamente nada, se contrapõe. É uma mistura de negligência, ignorância, idolatria ideológica e vagabundagem.

PROXIMIDADE ENGANOSA

Quando vistos de forma superficial, os números que envolvem um dos indicadores mais sólidos do comportamento econômico da região, os quais estão intimamente ligados ao PIB, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff parecem trigêmeos em incompetências. Collor (com o complemento de mandato por Itamar Franco) destruiu 68.512 empregos formais industriais. Em seguida, Fernando Henrique Cardoso rebaixou o estoque em 72.712 postos industriais. E Dilma Rousseff, mais tarde, já neste século, apagou do mapa de empregos industriais 66.520 identidades.

Essa proximidade numérica começa a perder fôlego e a esculpir resultados mais ajustados à realidade quando os dados são submetidos aos respectivos estoques antecedentes. No caso de Collor de Mello, a perda de 68.512 postos de trabalho se devem ao estoque de 306.589 entregue em 1989 por José Sarney e aos 238.077 que repassou a Fernando Henrique Cardoso, em 1994, Diferença? 28,78%.

No caso de Fernando Henrique Cardoso, o estoque legado de Itamar Franco em 1994 (238.077) foi reduzido a 165.365 oito anos depois, e repassado ao sucessor Lula da Silva. A perda de 72.712 trabalhadores industriais significou 43,97% de rebaixamento. Maior, portanto, que o antecessor Collor de Mello.

E Dilma Rousseff, como teria se comportado entre 2011 e 2016? Dilma Furacão recebeu do antecessor Lula da Silva o estoque de 226.410 trabalhadores industriais com carteira assinada em 2010. Em dezembro de 2016 restavam 159.890. A perda de 66.520 trabalhadores significou queda de 41,60%.

CUIDADO COM OS NÚMEROS

A contabilidade geral parece colocar  Fernando Henrique Cardosa como líder do desastre regional em emprego industrial. E a terceira vertente dessa equação joga a bomba nos quatro anos de Collor e Itamar Franco: foram perdidos em média por ano, durante os quatro anos, 17.128 trabalhadores no olho da rua. Com Fernando Henrique Cardoso foram 9.089 a cada ano. Com Dilma Rousseff a média anual chegou a 11.086 carteiras de trabalho destruídas.

Como se observa, a apontada Dilma Furacão não aparece em nenhum dos três mapeamentos do emprego industrial formal na região como a pior na disputa com Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso em 18 anos analisados, a partir da base de 1989 até 2016. Nesse período, Lula da Silva foi a exceção com pouco mais de 60 mil empregos formais recuperados no Grande ABC em oito anos. O mesmo Lula da Silva que, com gastança desenfreada, preparou a cova rasa fiscal e orçamentária que destruiria o governo de Dilma Rousseff.

Como mostramos ontem, o Grande ABC de dos três ex-presidentes perdeu 207.744 postos de trabalhos, média anual de 11.541. Cadê Dilma Furacão que não aparece como líder absoluta da destruição?

LETARGIA GERAL

Alertamos durante anos e anos que Dilma Rousseff provocou a maior recessão da história regional durante os dois últimos anos de governo. É disso que tratamos agora. E como se verá, essa conclusão com base no mercado de trabalho não está estruturada apenas ou somente com base no mercado de trabalho. O PIB também entra em campo. E quando o PIB entra e campo com o reforço do mercado de trabalho formal (e tantos outros indicadores sobre os quais nos debruçamos em inúmeras análises) não tem placar em branco de consistência interpretativa.

A letargia institucional do Grande ABC durante os dois últimos anos de Dilma Furacão poderia ser compreendida de forma mais consistente se o leitor imaginar que somos um País de três milhões de habitantes. Um pouco menor, portanto, que os 3,5 milhões do Uruguai. Pois imagine se o PIB desse Grande ABC sofresse queda de 26,% de trabalhadores industriais em apenas dois anos e 26% no PIB Tradicional, ou seja, a soma de riquezas de pro0cutos e serviços. Somente um país em convulsão econômica e social chegaria a esses números. Dois anos com queda do PIB e do mercado de trabalho industrial superior a um quinto são tudo que simbolizam uma catástrofe.

É exatamente disso que se trata a crise do Grande ABC nos anos 2015-2016, auge dos estragos de Dilma Rousseff. O estoque de trabalhadores industriais naqueles 24 meses foi rebaixado em 42.520, com queda relativa de 26,59% ou 13,30% ao ano  --  ou nada menos que 21.160 em média a cada ano. O dobro da média geral dos 18 anos dos três presidentes.

RECORTE ATERRORISADOR

Não parece haver disponível na praça de mensuração de danos econômicos algo mais consistente para avaliação do desempenho que o ritmo e a profundidade do mercado de trabalho e também do PIB Tradicional. No caso dos últimos 24 meses de Dilma Rousseff, o Grande ABC foi implacavelmente impactado. Os 21.160 empregos perdidos em média a cada ano durante aqueles dois anos foram muito mais graves e dilacerantes no futuro do que a média geral dos 18 anos de 11.541. Dessa forma, a perda relativa de empregos industriais nos seis anos de Dilma Rousseff (41,60% do estoque) se reduz à média de 6,93%  ao ano. Contrapostos aos 26,59% dos mesmos dois anos, a perda média anual registra mais que o dobro, de 13,30%.

Esse resultado, de 13,30% de perda média anual de emprego industrial registrado entre 2015-2016, é quase o dobro dos 7,19% de Fernando Collor de Mello e os 5,49% de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo sem a separação dos dois piores anos de Dilma Rousseff, a média anual de queda de emprego industrial seria largamente a pior entre os três ex-presidentes. Seriam 11,08% ao ano. Menos da metade, portanto, do recorte da maior recessão da historia regional.

Numa próxima edição vamos mostrar o tamanho do rombo de Dilma Rousseff no PIB Tradicional, especialmente nos dois anos mais tenebrosos da história regional. Os efeitos contaminadores ainda estão presentes em dados estatísticos e no empobrecimento regional.  O PIB Tradicional do Grande ABC desde a saída de Dilma Rousseff, e estacionado em 2023, última atualização do IBGE, mostra que ainda não saímos do fundo do poço. Ou seja: não recuperamos o que Dilma Rousseff destruiu. E por isso somos menos importantes no mapeamento de geração de riqueza no País. A incompetência federal e a negligência regional custam muito caro às próximas gerações.   

Para completar essa analise faço o uso do passado sempre providencial para eliminar qualquer tentativa desclassificatória de gente especializada em divulgar besteiragens. Reproduzo integralmente um dos muitos textos que escrevi justamente naqueles dois anos mais demolidores de Dilma Rousseff. Poderia agregar algumas dezenas de análises para sacramentar a religiosidade com que acompanhamos a Economia do Grande ABC, mas parece suficiente o que se segue: 

 

Como é o rombo da balança

comercial na indústria regional? 

 DANIEL LIMA - 09/03/2015 

Façam essa pergunta a qualquer dirigente político, empresarial, sindical e o escambau, com direito a detalhamento da situação, e a resposta será um silêncio vergonhosamente despudorado na Província do Grande ABC. Sabe por quê: porque não temos um mínimo de organização estatística e analítica para entender o tamanho da encrenca da indústria regional.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) acaba de anunciar em forma de entrevista o que ocorreu no Brasil com o setor de transformação industrial entre 2006 e 2014. Os resultados são inquietantes para quem não acompanha o andar da carruagem e revoltantes para quem sabe que a carruagem vai e volta indefinidamente.

Mas o governo federal da patética presidente Dilma Rousseff, boneco de ventríloquo de marqueteiros fantasiosos em pronunciamentos como o de ontem à noite na TV, preferiu nesse período todo vender a bobagem de que avançamos econômica e socialmente. Quando muito, os avanços sociais se deram à custa da recarga tributária distributivista, que não se sustentaria quando o jogo fosse para valer. Nada mais que isso. 

O estudo da Fiesp, segundo a reportagem publicada na edição de hoje do Estadão, aponta que entre 2006 e 2014 setores intensivos em recursos naturais e que usam pouca tecnologia responderam por quase 70% do avanço das exportações da indústria. Ou seja: o Brasil se consolidou nos últimos oito anos, como destaca o jornal, como exportador de itens que são quase matérias-primas também no segmento industrial.

ESTRAGOS REGIONAIS

Alguém imagina o tamanho do estrago na indústria de transformação regional? Como revelamos ainda outro dia, São Bernardo, nossa capital econômica, perdeu 25% do PIB Industrial em 2012, último período em que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) mediu o comportamento do setor nos municípios brasileiros. Como São Bernardo perdeu tanto PIB Industrial e quanto isso significou no balanço de exportações? Apenas os números que são apresentados de tempos em tempos não servem. Faltam os caminhos que explicam a derrocada.

Ainda segundo o Estadão, nos oito anos pesquisados a indústria de transformação brasileira teve aumento de exportações de US$ 31 bilhões. Desse acréscimo, US$ 21,6 bilhões, ou 69,7%, foram resultado de setores de baixa tecnologia, como abate e fabricação de produtos de carne, produção e refino de açúcar, produção de óleos e gorduras vegetais, por exemplo. Já as exportações de segmentos industriais que agregam maior valor aos produtos – explica o Estadão – ficaram praticamente estagnadas no período. No sentido contrário, as importações da indústria entre 2006 e 2014 aumentaram US$ 122 bilhões, quase quatro vezes o acréscimo registrado pelas exportações – sempre segundo o jornal paulistano.

O diagnóstico do diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, dá a ideia do que a gestão petista impõe à indústria nacional: “Não estamos desenvolvendo dentro de nossa indústria produtos de alto valor que possam ser exportados. A vulnerabilidade está justamente aí” – disse o dirigente.

A indústria nacional durante os anos petistas se acomodou no mar de negócios proporcionado pela febre exportadora de commodities minerais e agrícolas, principalmente demandadas pela China e vizinhança asiática. Caímos no buraco da Doença Holandesa circunstancial. Queimamos uma importante etapa favorável ao revigoramento industrial num período em que, soube-se apenas bem depois, parcelas de gestores públicos federais, além de legisladores, deleitavam-se nas riquezas da Petrobras e de outras estatais.

JOGO MUNDIAL

Sou capaz de apostar que, selecionado um grupo de 50 dirigentes públicos e outro tanto de dirigentes de entidades empresariais e sindicais da região, poucos responderão sobre esses estudos da Fiesp. A Província do Grande ABC, por mais paradoxal que pareça, não tem vocação para tentar compreender o jogo econômico mundial que permeia o futuro de quase três milhões de habitantes.

A quase totalidade dos agentes econômicos, políticos e sindicais vive em universo paralelo dominado pelo joguinho político-partidário que não tem outra finalidade senão disputar ou influenciar os melhores postos nos organogramas oficiais.

E a mídia não é diferente. Os espaços dedicados à economia regional (e as demandas institucionais que poderiam advir disso) são simplesmente ridículos quando confrontados com as baboseiras do noticiário político de gente pobre de conteúdo, de propostas e de realizações, mas extremamente boa de bico. 

Um amplo diagnóstico sobre a economia regional e as nuances que demarcariam medidas a substituir passado e presente de ignorância ampla e irrestrita por um modelo de interação, comprometimento e transformações – eis uma proposta que formulo mais uma vez. E quanto mais o tempo passa, mais ficamos encalacrados, iludidos pelo monopólio de parcos dados estatísticos ditado pelo efeito da Doença Holandesa do setor automotivo e também, subsidiariamente, pela indústria química e petroquímica.

INUTILIDADES INSTITUCIONAIS  

É por essas e outras que não canso de escrever que o Clube dos Prefeitos e a Agência de Desenvolvimento Econômico estão a léguas de distância da premissa de que a Província do Grande ABC precisa muito mais do que de um banho de loja de dados. Precisa mesmo é de uma ampla cirurgia seguida de tratamento com uma junta de especialistas que desconsiderem o municipalismo arraigado que tanto nos emperra e nos condena a sofrer contínuas perdas de participação real e relativa no espectro nacional por si só já cambaleante, como denuncia a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Entretanto, por mais que os dados da Fiesp sejam valiosos para checar o estado de saúde da indústria nacional, ainda estão muito distantes do que pretendemos para a Província do Grande ABC. Aqui, as representações daquela entidade, as unidades do Ciesp, desenvolvem ações excessivamente intramuros e superficiais ante a gravidade da crise industrial que há duas décadas reduz mais e mais a mobilidade social em outros tempos invejável. Caberia às representações da indústria de transformação da região sensibilizar os gestores públicos em busca de saídas que minimizem a gradual destruição de nosso poderio econômico.

A indústria de transformação da região tem influência duas vezes maior que a média nacional no conjunto de riquezas produzidas. Em última instância a diferença indica que, dado o descaso federal à atividade, o grau de risco que nos ameaça é igualmente duas vezes maior que a média nacional. Trocando em miúdos: temos muito a perder, porque não fazemos nada para ganhar ou mesmo manter. 



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