Economia

DÉCADA DESASTROSA: O
QUE SERÁ DA REGIÃO? (1)

DANIEL LIMA - 29/03/2023

Estamos abrindo mais uma minissérie para tratar da realidade do Grande ABC, principalmente da Economia do Grande ABC. E o que teremos em capítulos cronologicamente aleatórios será o período da pior década deste século na região, o período que compreende 2011-2020, tendo como base o ano de 2010.  

Para deixar você plugadíssimo nessa nova investigação econômica e social do Grande ABC, vamos antecipar um número que praticamente diz tudo no sentido simbólico de advertência sobre o tamanho do rombo que sofremos na Década Desastrosa. Aliás, a opção por essa marca aparentemente pessimista é fruto exatamente do número final dessa equação de empobrecimento regional.  

O PIB Geral do Grande ABC na Década Desastrosa caiu em média por ano mais de 2%. Temos o número preciso, mas vamos deixá-lo para os próximos capítulos. O que não muda quase nada, ou nada mesmo, porque 2% são 2% como estigma de um período em que a região conseguiu a proeza de suplantar os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, entre 1996 e 2002.  

INCAPACIDADE DE REAGIR  

Aliás, é impressionante a capacidade ou a incapacidade de o Grande ABC reagir. Imaginava-se naquele período fernandohenriquista que jamais chegaríamos, no próximo século que chegou a repetir aquelas numeralhas funestas. Não é que conseguimos? 

Tomara que a próxima contabilidade de 10 anos de inventário do comportamento econômico do Grande ABC (e isso é flexível, pode ser o período imediatamente ao agora analisado, puxando um ano para cima na origem e abrindo um ano para cima no encerramento, ou seja, entre 2012-2021) demonstre um poder de reação mesmo que leve, desde que sinalizador de novos tempos.  

Os dados que os leitores terão à disposição da única publicação voltada a estudos profundos sobre o Grande ABC serão uma coleção de preocupações e constatações que não deixam a mínima margem de erro sobre o futuro: estamos no fundo do poço e do fundo do poço só sairemos se houver uma combinação de fatores internos e externos que, entrecruzados, desemboquem na formatação de um novo modelo econômico, já compulsoriamente cada vez mais distante da bitola da industrialização em frangalhos. 

PERÍODO TENEBROSO  

O período específico da Década Desastrosa é desfavorável ao Grande ABC não porque se tenha decidido preliminarmente que o fosse, mas porque está enquadrado na decisão de esmiuçamento editorial. 

Como ficará explicitado, o referencial da Década Desastrosa é o ano de 2010, e o encerramento a temporada de 2020. Entre 2011 e 2020 o Brasil viveu uma montanha-russa econômica e social. Os estilhaços são evidentes. O Grande ABC, sempre mais suscetível à macroeconomia, sofreu uma tormenta. 

Basta lembrar que os dois anos mais perversos da Década Desastrosa, os dois últimos anos do governo de Dilma Rousseff, presidente que sofreu impeachment em 2016, foram os piores anos da história do País. Uma recessão cavalar comprometeu o desempenho dos presidentes que a sucederam. Dilma Rousseff foi o resultado dos equívocos de políticas econômicas que começaram antes, no segundo mandato de gastança de Lula da Silva, mas se consolidou com gravidade estonteante nos dois mandatos incompletos.  

DISTRIBUINDO ÔNUS 

Transferir integralmente ou em larga margem a derrocada do Grande ABC ao governo federal e suplementarmente ao governo do Estado seria protecionismo deslavado e nocivo à autocrítica coletiva. O Grande ABC tem muita culpa nesse cartório de notas frias. A falta crônica de institucionalidade e de integração regional não deixa dúvidas sobre a parcela que compete à região nesse show de horrores, sobremaneira nos dois anos fatais de Dilma Rousseff. 

O fracasso ainda protegido e em muitos casos louvado como sucesso do Clube dos Prefeitos (Consórcio Intermunicipal de Prefeitos) está na raiz política, econômica e social do Grande ABC durante toda a Década Desastrosa, assim como o foi anteriormente. Praticamente desde que foi criado, em dezembro de 1990. 

Enquanto o Grande ABC não se der conta de que compete ao Clube dos Prefeitos, principalmente, a construção de uma bem planejada operação de contenção dos prejuízos que se acumulam, com evidente quebra da mobilidade de classe, enquanto o Grande ABC não se der conta disso, teremos uma sucessão de remendos que, como todos os remendos, deixam marcas de imperfeições no tecido de integração regional.  

DOCUMENTO PRECIOSO  

Encapsular o Grande ABC num período pré-determinado de tempo e sob o rótulo de Década Desastrosa pode parecer sadomasoquismo social aos olhos dos triunfalistas de sempre e aos ouvidos dos mandachuvas e mandachuvinhas da região. Para esses indomáveis acumuladores de preguiça institucional, protelar qualquer iniciativa que rompa com o marasmo no Grande ABC é a melhor das pedidas, porque seus interesses dificilmente seriam contrariados. Sim, para muitos que se beneficiem do estágio prolongado de inapetência competitiva do Grande ABC, é muito melhor deixar como está para continuar a manipular os cordéis dos podres poderes do que se submeterem ao escrutínio de inovações de desenhos participativos reformistas.  

Os 10 anos da Década Desastrosa de 2011-2020 se transformarão em documento precioso para quem quer entender o Grande ABC na dimensão exata da combinação explosiva de empobrecimento econômico, desleixo coletivo, incapacidade gerencial e um excesso de marketing político em forma de anestesiamento geral. 



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